Sabe quem foi um baita de um zagueiro? O Alicate. Alicate foi o maior jogador que já passou pelas áreas de chão batido. Carioca, foi injustiçado nos times do litoral. Mas o Alicate tinha outro problema problema. Mulher. Não que Alicate tinha aversão a elas, pelo contrario. Como bom zagueiro, as adorava. Mas Alicate era exigente demais. Na noite não faturava ninguém. Costumava visar a desejada loura de pernas longas. E você sabe como são as desejadas louras de pernas longas. Elas têm um nome a zelar. Não saem com zagueiros. Você tem que ser no mínimo um lateral esquerdo para sair com uma loura dessas.
Pois Alicate não ligava para essas irrisórias regras. “Preciso de cinco minutos. Se ela me der cinco minuto, laço”, dizia. Porém, suas noites acabavam antes dessa abertura. Alicate era ignorado, renegado e humilhado pelas mulheres que empunhavam Dry Martinis e Manhattans. Fracassado. Assim sentia-se Alicate no final de cada jornada. Um homem traído pela própria soberba.
Passaram-se sete dias. Mais uma vez, na luta domingueira por uma calcinha, Alicate se via na boite. Lá era como a grande área numa cobrança de escanteio. Olhares, empurrões e ameaças. Após a terceira tentativa frustrada, Alicate, enfim, cansou. Ficou encostado no bar olhando para o nada. E do nada surgiu assim uma luz. Verdade que nem tão reluzente, mas parecia um inicio.

Era uma gordinha. Uma gordinha simpática até. Óculos grossos, de bata preta e salto baixo. “Curtiu?”, questionou a Alicate. O sóbrio zagueiro, sem entender se a pergunta era sobre a banda, o amendoim ou a própria guria, apenas balançou a cabeça positivamente. E ela, tal como um ponta direta em contra-ataque, atacou. Os amigos que o conheciam surpreenderam-se. Afinal, ele não parou. Não reclamou. E não desaprovou. Passou horas com a gordinha, para o espanto de todos.
No final de semana seguinte, revigorado, Alicate voltou a sua posição original dos finais de semana. Fez-se um milagre. Uma enorme mudança. Olhares, muitos olhares em sua direção. E alguns de altíssimos níveis. Alicate era o homem a ser batido na noite. Pela primeira vez as mulheres de pernas longas, louras, ruivas e morenas é que disputavam Alicate. Estava rodeado. Podia, vejam vocês, escolher. E de longe, encostada na parede e segurando um cigarro entre os dedos médio e anelar, tipo Dean Martin, aquela gordinha da semana passada sorria. Um sorriso de canto de boca. Um sorriso que queria dizer algo como “de nada”.
É por isso que valorizo os campeonatos estaduais. Nossos times que iniciam o ano planejando um jogo de volta na Copa do Brasil e o acesso a série C precisam mudar. Por mais que pareça um paradoxo, momentaneamente é preciso pensar pequeno para alçar vôos maiores. Começar o ano com uma boa campanha torna-se essencial para uma temporada vitoriosa. Mesmo que feinho, o campeonato estadual arruma a casa. É como pegar uma gordinha.
Nada tão glorioso, mas tira a urucubaca.

¹ PdH: Crônica postada originalmente na edição dessa semana do Circuito MT.
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Comentários:
Tem um filme do Jack Black ''O Amor é Cedo" que quando ele começa a pegar a gord, a vizinha dele,(gostosa diga-se de passagem) que sempre o ignorou, começa a dar em cima dele (:
Não devemos ser o tempo todo politicamente corretos.
Bom artigo.
Os campeonatos estaduais são exatamente o contrário, basta observar a situação de Palmeiras, Corinthians, Vasco, Inter...
A torcida do Corinthians teria protestado contra o time no último jogo se o Corinthians estivesse apenas na Libertadores? Ou o Vágner Mancini seria demitido se estivesse disputando somente a Copa do Brasil?
Os estaduais não arrumam a casa, só servem pra atrapalhar a pré temporada dos clubes de 1ª e 2ª divisão, e consequentemente atrapalhar o inicio do ano, o que é crucial pro sucesso da temporada.
Aquela Gordinha sempre da uma moral
Assim como um estadual enche os torcedores de alegria.
Dalhe Santos...O time que adora a Pascoa
Sobra chocolate para todo mundo
Só pra exemplificar:
- Texto misturando futebol com mulher.
- Último paragrafo fazendo uma comparação entre os dois
- Frase final sintetizando a ideia
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