Há anos uma corrente que comparava os times brasileiros com grupos musicais fez muito sucesso na Internet. Tanto que, em 2006, a revista Placar reproduziu a lista com algumas alterações. O time que seria O Sepultura é o Grêmio, analisado como:
O sucesso desse material de dono desconhecido comprovou aquilo que todo mundo sabia: brasileiro não tem nada a ver com futebol de raça, força e, para alguns, pouco vistoso.

O futebol força jamais teve identificação com o brasileiro. Nosso estilo imortalizado nas quatro linhas é um só: o da elegância de Tostão, do toque vesgo de Mário Sergio, do sorriso no rosto de Ronaldinho Gaúcho e da sambadinha após o gol do Júnior. Esse jogo bonito, muitas vezes irresponsável, nos consagrou como o melhor futebol de todos os tempos. Jogando assim a Seleção Brasileira é a maior vencedora e não se fala mais nisso.
Caso haja indagação, o argumento de formato triunfante derruba qualquer outro. Se por um lado é arriscado, é o vencedor. O modo do brasileiro ver, jogar e entender futebol é exclusivo. Por mais que uma minoria rejeite, não há como negar que esse caminho é o que iremos seguir por toda a eternidade.
A raça e o futebol aguerrido estão para o jogador brasileiro assim como as artes cênicas estão para o Dado Dolabella. Por isso eu sou um ferrenho critico do conceito da Brahma para a Copa do Mundo 2010.
Ok, vamos evitar o extremismo: também não sou a favor de um comercial de Copa do Mundo com mulheres sambando na praia e o velho clichê. Mas falar que brasileiros querem guerreiros em campo beira o ridículo. Um povo que chama qualquer jogador que veste a número 5 nas costas de brucutu, que vaiou e culpou Dunga por uma eliminação de Copa do Mundo e que jamais reconheceu Gilberto Silva como um dos principais jogadores do título de 2002 não quer, como dizem no VT, um “guerreiro”.
O brasileiro abomina guerreiros se ele for brasileiro. Se ele for um jogador sul americano e jogar no seu time, tudo bem. Mas brasileiro, para brasileiro, tem que ser um cara que entre, faça gols e ganhe o jogo. Se perder, não vai ter uma busca pela volta por cima. Vai rolar uma campanha pela queda do técnico, do Ricardo Teixeira, do Presidente da República!
Nós fomos educados – e vencedores – dessa maneira. Vamos culpar uma convulsão do atacante, uma meia frouxa do lateral, qualquer coisa, menos que há uma seleção melhor que a nossa e faltou, da parte dos brasileiros, um esforço a mais que não é nossa característica.
Vamos deixar a raça, a garra, o futebol força para quem entende, sabe como jogar desse modo e tem, principalmente, uma torcida que gosta disso. É claro que estou falando de seleções como Argentina e Uruguai. São estilos que prezam pela catimba, provocação, luta até o final e blá blá blá.
Tanto que cerveja argentina Quilmes sacou isso há cerca de oito anos. O conceito da bebida é justamente esse, de um futebol que nunca se entrega, que é muitas vezes – aí por conta dos publicitários – prejudicada pela falta de sorte, de extrema dedicação e símbolo representativo máximo do seu povo.
Uma linguagem que cabe perfeitamente com a realidade daquele povo e país. Porém, apenas duas vezes campeão do mundo.
Que a Argentina fique com sua raça e seus guerreiros.
A taça - sorrindo - será nossa.

¹ Texto absurdamente arrogante e, só um pouco, mentiroso. Quem lê sabe que prefiro o estilo Grêmio de fazer futebol. Mas é preciso dar valor aos vencedores.
² DVD de Hermanoteu da Terra de Godah: vou sorteá-los amanhã via Twitter. Siga-me e fique ligado.
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Comentários:
Pois digo que seriam muito mais do que as que são hoje.
PS: Bendito seja Dunga por mostrar ao brasileiro o que é o verdadeiro futebol.
A LDU tem raça e não futebol arte.
Não adianta saber dançar com a bola, dar dribles mirabolantes se de repente a bola para de chegar no ataque e todo mundo desiste do jogo.
Imagine a qualidade de nossos jogadores associada à Raça e vontade de vencer.
É, futebol arte mais com vontade renderia muito mais, só que a maioria dos jogadores do clubes brasileiros jogam querendo irem pro exterior, sem dar valor ao seu atual time.
Tenho reclamado!
Pensa em um híbrido. Algo que flutue entre o sorriso e a Raça.
Por todo Brasil, cada estado tem um time que se vangloria da Raça. Não num sentido etimológico, mas num sentido que só que joga e jogou bola sabe o que é. Que sejam tão bravos quanto nós, nunca mais.
Flamengo, Corithians, Vitória, Santa Cruz são torcidas que prezam este sentimento. Que talvez seja a chamada dos guerreiros. Um Júnior que samba, é o mesmo júnior que brigou contra o Cobreloa. Um Zico que dribla, é o mesmo que não tem medo das travas da chuteira. Um Renato Gaúcho, que dribla, é o mesmo que arranca as caneladas e nos dá a vaga na final. Um Adriano que encobre, é o mesmo que a torcida se vangloria de que podem chutar, que ele vai permanecer de pé.
Acho que não gostamos de socos de Dinho, fúrias de Danrlei, soladas de De Leon, e por aí vai...
Nas ultimas duas décadas o futebol se tornou um esporte muito reconhecido, que envolve muitas pessoas, e ganhou uma importância maior ainda do que se tinha antes. Com a evolução dos esquemas táticos, acho que esse futebol leve, bonito e bem jogado (do qual não sou fã, vanglorio mais o jogador brucutu e truculento
) perdeu espaço, e aí um futebol mais "objetivo" ganhou espaço, visto a conquista de 1994 (comandada pelo DUNGA COPEIRO) e em 2002 uma seleção comandada pelo DEUS Felipão.E é com esse futebol objetivo, sem firulas nem coisinhas fehrahjoga10 que eu acho que o Brasil vai ganhar a Copa de 2010.
Obs: Sou gremista, por isso essa simpatia com um estilo de futebol mais "objetivo", que eu cresci vendo meu Grêmio jogar e ganhar titulos assim
FORZA JUVE
"Onde há mais de uma cabeça haverá mais de uma ideia"
O show é importante, faz parte do espetáculo "Futebol", mas o que importa para qualquer torcida é ver seu time ganhar e ser campeão, estilo do jogo ou da jogada é um complemento.
Parabens pela iniciativa.
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