Você lembra de Weggis? Essa simpática e pacata cidade localizada no Cantão Lucerna, sul da Suiça, não chega a ter 4mil habiantes. O município estende-se por uma área de 25,29 km2, de densidade populacional de 158 hab/km2. Língua oficial: alemão.
Weggis – pronuncia-se Véquis – ganhou notoriedade em 2006, quando hospedou a Seleção Brasileira durante sua preparação para a Copa do Mundo. E foi uma festa.
Os treinos recebiam mais de mil espectadores. Escolas de samba animavam os torcedores, mulheres choravam pelos jogadores e cada voltinha no campo era seguido por um aceno ao torcedor. Parreira e Zagallo não conseguiram fazer um único treino tático que não tivesse a atenção de milhares de pessoas e câmera de TV.
O vexame veio alguns dias depois na Copa. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, admitiu que a preparação em Weggis foi um erro. Faltou seriedade e frieza maior para a seleção. Infelizmente, esse próprio Teixeira que decidiu o local após milhões oferecidos pelo governo Suiço.
Para aquela Copa nos preparamos no circo, não num campo de treinamento. E deu no que deu.

Há poucos dias do jogo mais importante do ano o Brasil se prepara em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Jornalista alentam para o clima de badalação e festa exagerado desse jogo. Isso lembra, além de Weggis, um cara chamado Muriacy Júnior. Quem é Muriacy Junior? Não importa, ele é o cara que disse o seguinte quando o Brasil foi eliminado para a Argentina nos Jogos Olímpicos de Pequim:
“O Brasil perdeu sabe porque? Por que tocou pagode no ônibus. Eu proibiria qualquer jogador de entrar com um pandeiro na concentração. O viado que vai para um jogo contra a Argentina tocando pagode nunca mais vai ganhar.”
Ah, eu concordo. Ir pagodeando antes de enfrentar a Argentina nunca é bom negocio. E Teresopolis, pelo que estamos vendo, virou uma grande roda de samba.
Por meio de uma das coisas maios ridículas da atual TV brasileira – a transmissão ao vivo dos treinos – podemos observar detalhes que causam calafrios: programas de humor em volta dos jogadores, marias chuteiras e, finalmente, patrocinadores.
Estes estão fodendo o jogo.
Vivo, Ambev e Gillete, com o aval da CBF, distribuíram entradas vips para funcionários e clientes preferenciais. Esses beneficiados têm entrada garantida nos camarote que ficam a poucos metros do campo. Claro, com garçom, buffet e camisetas personalizadas.
Imagine para um jogador de futebol treinar sendo observado por um gerente de loja da Vivo. Ou ouvir as orientações da comissão técnica e enquanto, pertinho, um executivo da Ambev come um canapé. Como um jogador entra no clima de Brasil e Argentina assim? Como, Teixeira?
Dunga já admitiu uma certa rusga com essa preparação em Teresopolis. Trata-se de uma propriedade privada. Se quisesse, A CBF fecharia os portões e resolveria esse problema. Mas, como de costume, persiste no erro.
Enquanto isso, a Argentina se isola em Rosário. Sem jornais, sem torcida e sem festa. O único contato com o mundo lá fora é através das janelas de imprensa e as fotos dos sorridentes Kaka, Robinho e Adriano coladas nas paredes do vestiário.
Motivação ganha jogo. E eles sabem disso.
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Comentários:
E como dizem na ESPN, se treino secreto ganhasse jogo, campeonato gaucho sempre terminava empatado.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mas ainda sou teu fã Fred...
Abraços
Futebol é futebol, time que joga bola vence.
Se o time é bom, e tem organização, pode chegar cantando funk que joga bem e vence. O time da CBF de 2006 era bom, porém sem comando e com jogadores desmotivados.
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