Muitos tem me perguntado:
E aí, bagual. Vai secar o Brasil e torcer para os vizinhos?
O motivo desse questionamento é minha eterna defesa e admiração pelo futebol platino. O futebol força e anti-firulas individualistas. O futebol de meias sujas, cotoveladas e cuspes em jogadores apelidados de foca. O futebol, enfim, de macho, em que goleiro não comemora defesa e o fair play é coisa de moça.
Brio. Coisa que o futebol brasileiro não tem e o argentino possui de sobra.

Porém, mesmo indo contra essa ideologia, sábado eu sou Brasil. Torcer para um time argentino só mesmo quando ele joga contra um brasileiro pela Taça Libertadores. Para a seleção deles, jamais (vide esse vídeo que fiz após a eliminação hermana na Copa do Mundo 2006).
E no embalo deste que promete ser um baita jogo vamos relembrar dois confrontos históricos entre Brasil e Argentina. Um para sorrir. O outro para dizer que foi roubado.
Naquela Copa América do Peru o Brasil fez uma primeira fase, no máximo, razoável. Classificado em segundo (vitórias sobre Costa Rica e Chile, derrota para o Paraguai), o Brasil não tomou conhecimento e atropelou o México nas quartas de final. No jogo seguinte, sufoco. A vaga veio só nos pênaltis, depois de um empate de um gol com o Uruguai.
A final, no estádio Nacional de Lima, foi recheada de dramaticidade. A Argentina saiu na frente com Kily Gonzalez. O Brasil empatou com uma cabeçada do zagueiro Luizão, no finzinho do primeiro tempo. Quando tudo parecia encaminhado para os pênaltis, Delgado, aos 42 minutos da etapa complementar, colocou a Argentina mais uma vez na frente.
Um desastre pesava nos ombos dos brasileiros. A Argentina trocava passes e provocava. Provocava muito. Tevez e D'Alessandro passavam o pé sobre a bola, davam toques de calcanhar e caçavam briga. Tudo, definitivamente, parecia perdido.
Parecia. Trinta segundos antes do fechar das cortinas, Adriano, após ganhar uma divida no alto, bateu no canto. Jogo empatado e uma nova decisão em pênaltis. Deuzolivre!
Adriano, Edu, Diego e Juan fizeram para o Brasil. D'Alessandro e Heinze erraram para a Argentina. Aliás, o último pênalti, o convertido por Juan, é espetacular. Os jogadores brasileiros no meio do campo chamam os argentinos e mandavam eles ver a cobrança e o título ir para os braços do Brasil.
E eles viram.
Aqui é o seguinte.
Maradona partiu pelo meio. O Alemão ficou com medo de fazer a falta e tomar o cartão amarelo. O massagista deles forneceu uma água batizada para o Branco e o Valdo, que quase morreram no final do jogo. Caniggia fez eliminou o Brasil. Foi minha primeira Copa do Mundo. A Argentina foi para a final. Mas não venceu.
E não merece vídeo. Uma foto tá de bom tamanho.

Neste sábado Brasil x Argentina entram em campo com a mesma evidente intenção: vencer. A diferença é que o Brasil, se vencer, garante vaga para a Copa do Mundo. A Argentina, se perder, fica com um pé na repescagem – e na cova. Para a Argentina é vida ou morte. É jogo que eles gostam, de superação. E em Rosário, cidade mística para o futebol argentino.
O Brasil tem o momento e um time melhor do seu lado. Os últimos jogos mostram uma seleção estruturada e segura. O problema é aquela velha máxima: quantos mais você vence, mais perto você está de perder.
Um dia seremos derrotados. Mas que não seja sábado. Que não seja para eles.

¹ Dica: O sempre espetacular Tributo ao Carrinho.
² Blog: Fat Monkey vem aí...
³ Sugestão: artigos coletados sobre weblogs no Brasil.
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Comentários:
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Perdão, eu quis dizer Heinze :-P
Valeu!
Fred Fagundes
com esses textos que remetem o que é verdadeiramente o futebol.
e sabadão 2 a 0 nos hermanos!
Vão pra Oceania denovo....
Vlw
Abç
E eles dizem que nenhuma outra seleção ganhou tantos títulos quanto o Brasil nos últimos 20 anos:
* Copa do Mundo: 3 vezes
* Copa América: 5 vezes
* Copa das Confederações: 3 vezes
Os argentinos podem jogar futebol "de macho". Só que ultimamente só apanham do Brasil
Que os bons exemplos de Serginho Chulapa, Romário, Edmundo, Renato Gaúcho e Dinho permaneçam!
Agora, não existe carrinho mais bonito que os praticados pelos Irlandeses, Roy Keane é(ou era) a prova viva.
Futebol arte é frescura e nem sempre ganha jogo.
O negócio é raça, coisa que é muito criticada quando falado nos times do sul do Brasil (e coisa que tá faltando no grêmio fora de casa =/), mas é admirado por muitos times que queriam ter um décimo desta vontade.
Nunca vi tantas moças cairem ao mesmo tempo. Se chegar perto, eles caem.
Dunga, tu transformou a seleção do Brasil em uma seleção de verdade, como a tua campeã de 94. Minhas saudações ao Blog e ao mestre Dunga
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