Devido problemas técnicos e de força maior – vocês entenderão – o resumo do segundo dia do Festival Mundial de Publicidade de Gramado vem acompanhado do encerramento. O evento reuniu, de acordo com a organização, cerca de 7 mil estudantes de mais de oito estados diferentes. Contudo, os corredores do Serra Park amanheceram vazios na quinta-feira.
Os baladeiros, ainda insanos com o primeiro dia em Gramado, só apareceram no festival depois das 14h. Uma pena, pois perderam duas conferencias que abordaram o tema da inovação e vanguarda criativa em pesquisa, planejamento e ações. Rony Rodrigues, da BOX 1824, mostrou como é desenvolvido o trabalho de pesquisa e estratégia em sua agência especializada em novas tendências. Ele deixou claro que métodos tradicionais perdem espaço para analiar de redes sociais em games ao citar cases de clientes como Nike, Globosat, Nokia e Fiat.
Já com casa cheia, Walter Longo precisou de pouco mais de 1 hora para exemplificar, comentar e discutir o verdadeiro mercado de vanguarda. Comparando o atual momento com a revolução industrial, Longo citou a alteração de percepção do ser humano. Destaque para o que o profissional chamou de os cinco nãos. Veja os mais interessantes:
1. “Tamanho não é documento”. Planejamento criativo é essencial.
2. “Cliente não tem sempre a razão”. O cliente nem sempre sabe o que quer por não saber o que querer.
3. “Seu negocio não é o que você está pensando”. Preocupe-se mais com sua concorrência.
Finalizando, Longo surpreendeu o público citando, com base no conceito nexialismo, que o futuro não será dos especialistas. “o nexialista é aquele que enxerga a todos, que não sabe as respostas de todas as perguntas mas é capaz de buscá-las”.

Logo depois Alex Mineiro mostrou porque precisa ser mais utilizado. Participou de dois gols deixando Souza em ótima situação. Maxi Lopez provou que é o melhor jogador do Grêmio. E Joilson que vai fazer falta na Taça Libertadores.
Esse foi o problema de força maior.

Sexta-feira era o dia da palestra mais esperada do festival. Barbara Oceanlight, uma das cabeças pensantes da campanha presidencial de Barack Obama falou via Skype direto do seu quarto da Florida. E quando eu falo quarto é sério. A mulher parecia ter acordado algumas horas antes e estar fazendo um favor ao falar com aquele bando de latinos. Faltou só um Buenos dias.
Antes dela tivemos apresentações de renomadas agências: João Livi (Talent); Fernando Campos (Santa Clara); Flávio Cesarotti (Fisher América) e Moacyr Netto (DM9DDB ). Todos bateram na mesma tecla: o romantismo e importância de trabalhar com redes sociais. Mas poucos acrescentaram. No mais, exibiram cases que já vimos em blogs como Sim Viral e Brainstorm 9. O mais incrível, ou triste, é a repetição nessas palestras. Se você viu uma, viu todas. Anote as 4 declarações a seguir. Se elas não forem citadas por um palestrante dito especialista em redes sociais, me acorde.
“É importante você ter sua marca numa rede social. Mas ela precisa ser relevante ao cliente. Não faça uma comunidade no Orkut, Facebook ou Twitter se for apenas para estar lá.”
Ok... Mas como ser relevante? Alguém arrisca dizer?
“O interessante do blog corporativo é a instantaneidade. Você conhece a opinião do seu cliente e responde diretamente”.ando o diretor de marketing ou o assessor de imprensa não tem tempo para escrever no blog? E como convencer o seu cliente medroso que teme reclamações nos comentários?
“O Twitter é um serviço de microblogging que suporta mensagens de 140 caracteres. Ele é ótimo”
Ótimo pra que? Aliás, alguém tem uma explicação melhor para Twitter além da manjada microblogging?
”Nós não trabalhamos com post patrocinados. Fazemos ações com poder de viralização. Essa aqui, por exemplo, foi publicada espontaneamente por blogs como Jacaré Banguela, Chongas, Kibeloco...”
Sei.
Chegava da hora de Barbara. Sua palestra foi resumida no planejamento do conceito Change. “O povo sabia que aquela era a hora de mudar. O conceito não foi adaptado. Ele foi criado pelo povo para o povo. Ouvimos nossos eleitores como nunca havia acontecido nos Estados Unidos.” Quando questionada sobre a campanha virtual de Obama, a americana resumiu que não trabalhou integralmente essa área. Mas elogiou o trabalho dos colegas. E todo mundo se perguntou o que ela estava fazendo ali.

Conclusão do 17º Festival Mundial de Publicidade de Gramado: leve decepção. Quando o tema “Vanguarda” foi escolhido esperava-se amostras da real fase da publicidade brasileira em tempos de crise. Principalmente tratando-se da maior fatia de público: estudantes de estados interioranos.
Nossa realidade de mercado é diferente dos palestrantes. Quando Olivetto tem a pachorra de dizer “é hora de trabalharmos com criatividade sem dispor de grande verba” e, instantes depois, apresenta o case de um cliente que comprou placas no autódromo de Interlagos, patrocinou o troféu do GP, fez um VT em homenagem à Oscar Nyemaier (autor do troféu) e veiculou no intervalo do Jornal Nacional dá vontade de levantar e tomar um vinho, comer polenta, sei lá.
Não vimos palestrantes desse planeta. Profissionais conhecedores do mercado daquela platéia que viajou - muito - e pagou - caro - para aprender. Que, mesmo com pouca verba, construam campanhas solidas e de retorno. Que sabem o que é não ter verba para fazer um filme com captura e são obrigados a render-se à cartela. Resumindo, publicitários que fazem uma limonada com meio limão.
Faltou visão. Faltou honestidade. Em certos momentos me senti no Festival de Cinema. E o filme era de ficção.

¹ Fail: A dita "Wi-Fi Zone" não funcionou durante o evento. Ouvi muitas reclamações.
² Oficinas: Ótimas. Mas podia ser melhor organizada. Teve gente que nem se inscreveu e ainda assim participou.
³ Fotos: Marina Barato.
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Esse sim valeu o dinheiro que gastamos.
De resto, foi tudo ficção mesmo.
Assino embaixo.
Pode?
Vocês reclamam que ele perdeu um monte de grenal, mas também olha o time do Inter, é muito melhor que o do Grêmio.
procurei tanto... e a unica resposta q me deram foi: oficina?! acho q não.
fala serio!!!
>(


