Há um bom tempo, inspirado no melhor blog do mundo, criei um post chamado “filmes que formaram meu caráter”. Inesperadamente, esse assunto gerou uma enorme repercussão, me obrigando a transformá-lo em série fixa e até parte do antigo layout.
O melhor do “filmes que formaram meu caráter” é que os filmes, na sua grande maioria, são clássicos da Sessão da Tarde. Filmes que invariavelmente nos obrigavam a matar uma tarde de escola. Não são vencedores de prêmio ou cultuados, são apenas filmes que marcaram a infância dos nascidos na metade da década de 80.
Como todo bom filme, há uma cena clássica (as vezes até mais de uma). E como todo bom ser humano (quem escreveu isso?), eu tenho uma preferida.
Anote aí: existem filmes que vale a pena você ter em casa. Poucos conseguem mesclar o charme de uma produção independente com o bom gosto necessário para inclusão de determinada trilha sonora. E Almost Famous (2000) alcança o nível máximo dessa combinação.

O filme, escrito por Cameron Crowe, foi elaborado usando memórias do próprio Crowe quando escrevia para a Rolling Stone, aos 15 anos de idade, e acompanhou parte da turnê da banda Led Zeppelin. Por isso a enorme identificação de quem já sonhou em pegar a estrada com os amigos ouvindo Rock and Roll e sem se preocupar com o destinho.
Almost Famous traz um retrato claro e íntimo das pessoas que fazem e admiram a música. Trata a relação ídolo x fãs com maturidade, discutindo a importância mútua dos dois lados no alcance do sucesso. A cena chave dessa trama é ao som de Tiny Dancer, umas das poucas do Elton John que consegue ser romântica sem causar náuseas.
O guitarrista Russel Hammon (interpretado por Billy Crudup – o Dr. Manhattan de Watchman depressão. Após não ir para o hotel após o show e ter curtido todas numa festa na casa de fãs, Hammon é encontrado pela banda. No ônibus carinhosamente chamado de “Dóris”, é clara a decepção de todos os membros da banda com o guitarrista.
É aí que, como num passe de mágica, uma das pérolas de Humberto Gessinger faz, enfim, algum significado.
“O Rock And Roll é como preservativo. Descartável, mas pode salvar sua vida”.
Philip Seymour Hoffman é uma excelente surpresa. Ele interpreta Lester Bangs, incorruptível crítico de rock da época. Ele e William Miller (o alterego de Cameron Crowe) fazem um dos mais brilhantes diálogos do longa.
Lester Bangs: Ei, eu te conheço. Você não tem estilo.
William Miller: Eu sei. Mesmo quando pensei que tivesse eu sabia que não tinha.
LB: Porque nós somos sem-estilo. Mulheres sempre serão um problema para caras como nós, mas grandes das obras de arte retratam esse problema. As pessoas bonitas não tem caráter. A arte delas não perdura. Eles conquistam garotas, mas nós somos mais espertos.
WM: É, já vi que sim...
LB: A arte retrata a culpa, o desejo e o amor disfarçado de sexo e o sexo disfarçado de amor.
(...)
LB: A única moeda nesse mundo falido é a que se partilha com outra pessoa, quando não se tem estilo. Se quer ser amigo deles, seja honesto e inclemente.
Honesto e impiedoso.
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Comentários:
muito bom!
Sempre ouvi falar dele, mas sempre que ia a locadora não me lembrava de alugá-lo. Memória de homem e locadora são duas coisas que se repelem.
Nessas férias de início de ano assisti bastante Intercine, e passou o Quase Famosos.
Assim que acabou o filme, pulei pro computador e baixei as seis músicas (acho que são só seis, né? me corrijam se estiver errado) do Stillwater.
Se você ainda não assistiu, mentecapto, assita!
Adooro!
A relação do William com a Penny Lane também é muito legal. A forma que ele a vê e a forma que a relação dela com o Russel (que era Hammond não?) se desenrola. Filme demais.
A trilha sonora também é matadora. A própria banda Stillwater tem música fenomenais. Eu recomendo Love come and Goes. Música com pinta de clássico.
Ótima lembrança.
Ah, e finalmente um comentário sobre os Engenheiros (mesmo que minúsculo), uma das melhores bandas do Brasil, e olha só, gaúcha
A cena em que o menino perde a virgindade dentro do confessionário de uma igreja é antológica (na minha humilde opnião).
Beleza, Cara??
Olha só...
A cena na casa do fãs ocorre após uma briga das bandas e q ela "termina" por causa da camisa desfocada...
Excelente Post...
Excelente Blog...
Grande Abraço...
P.S.: Sou de Juina-MT =)
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