Um minuto


Ao contrário do que dizem por aí, tudo é por acaso. Não temos o menor controle das ações e atos que nos envolvem. Seja uma batida de carro ou tropeção na calçada, não importa, essas coisas simplesmente acontecem.

O intrigante não é sucessão de surpresas, mas sim a sua ordem. O que determina - ou faz determinar - uma atitude aparentemente sem precedentes parece um eterno mistério. Uns chamam de, argh, destino, mas não consigo chamar de, argh, destino algo tão espontâneo. Hoje foi assim. A coisa toda se passou em 60 mágicos segundos. Por sorte.

Sorte, sim.

É engraçado como a vida teima em nos pregar peças. Eu poderia ter chegado 20 segundo mais cedo no trabalho. Mas eu perdi esse tempo quando, da porta de casa, lembrei da janela do quarto aberta. O mesmo aconteceria se, ao invés de tênis, tivesse calçado sapatos.

No trânsito procurei um CD. Tive que parar o carro tamanho era a bagunça no porta luvas. Rádio de manhã é interessante,eu sei, poderia ter optado por isso. O sinal tá amarelo, acelera, passei e ouvi apenas uma buzina de reclamação. Ganhei tempo. Preferi estacionar o carro hoje, o manobrista estava fazendo o cadastro de um funcionário novo.

Desci do carro e, merda, o rádio ficou ligado. Perdi alguns segundos, não devia. Corro para recuperar o prazo e viro a esquina do prédio. O elevador está para fechar quando estico o braço e interrompo o fechamento das portas. Lá, somente uma pessoa. Ela, como se me esperasse.

Conversamos durante um minuto. Tempo exato do térreo até o 17º andar, somando aí as paradas nos andares de passagem. Ela atendia um cliente naquele piso, o meu era três acima. Há muito tempo não a via, aquilo foi revigorante. Nunca uma segunda-feira teve, para mim, cara de sexta.

Despedimos-nos com um singelo beijo no rosto e abraço tímido. Ela seguia pelo corredor enquanto eu, atônito, torcia por um último olhar seu. Olhar esse que não veio. E as portas do elevador se fecharam quase que lentamente.

Já no meu computador, durante 4 horas, nada mais povoava minha mente a não ser aquele fato. Durante todo esse tempo eu refleti sobre o que tinha conversando nesse minuto, se tinha dito alguma besteira ou se feito alguma piadinha, boa ou ruim. Não cheguei a nenhuma conclusão. Apenas soube que, sem crer em destino, o acaso estava do meu lado.

E, enfim, sorri.

O que me fez estar aqui chama-se destino. Essa ordem natural estabelecida pelo Universo, entendo eu, tratou de não me pregar tantas peças. Faço minha vida e curso meu caminho. Tudo isso sem grandes frustrações, desilusões ou arrependimentos. Prefiro não programar. Sigo meu destino, sempre foi assim.

Esse elevador, por exemplo. A porta aberta não se trata de um absurdo dos acontecimentos existenciais, mas sim, é algo que estava traçado. Não importaria caso eu demorasse mais ou menos para terminar essa maquiagem ou então tivesse escolhido o vestido preto que combina com o sapato Prada, eu poderia vir vestida até de palhaça e o elevador estaria a minha espera. Isso, senhores, é o destino.

Assim como ele ressurgir na minha frente. Nossa. Tantos meses. Mal sabia eu que o encontraria nesse prédio. E pensar que eu quase recusei esse emprego de atendimento. Ora, o que eu estou falando, não se trata do meu emprego. É a minha vida, talvez nossa. Em algum momento, em algum lugar, alguém programou esse encontro.

Me faz pensar o que ele acha isso. Mesmo ele dizendo uma piada que não é boa nem ruim, continuo refletindo. Depois de tanto tempo, tantas idas e vindas, quem diria que nos encontraríamos num elevador. Se não fosse hoje, com certeza seria amanhã. Quero acreditar nisso.

Preciso descer, é o meu andar. Um beijo simples e encabulado no rosto está de bom tamanho. Preciso me segurar para não olhar sobre os ombros, aposto que ele espera isso. Eu esperaria. Mas acho que isso o destino guarda para depois. Um outro dia, um outro local e mais que um minuto de conversa.

Merecemos mais tempo juntos. Mereço um final mais feliz. Por isso, sonho. E espero. Nosso dia chegará. Eu sei. Pois nada é por acaso.

Afinal, hoje, o destino sorriu para mim.

¹ Problemas: Como muitos já perceberam, o QMaT agora faz parte do Oblog. Estamos hospedados no Virgula, famoso portal brasileiro. Contudo, passamos por uma interminável fase de testes.

Por enquanto o Virgula não tem demonstrado que agüenta o tamanho da jéba. Por isso, os blogs hospedados no Oblog ficaram fora do ar pelas últimas 48h. Segundo os técnicos do portal, os problemas estão quase completamente resolvidos. Portanto, em nome do Oblog, peço desculpas aos leitores que ficaram sem seus blogs preferidos nos últimos dois dias.

² Esclarecimento: Para que cada sonho possa ser realizado, é preciso muito trabalho, coragem e contar com as pessoas certas. Com o Papo Criativo tem sido essa a receita de sucesso, porque sem a ajuda de vocês não poderíamos ter chegado até aqui.

Infelizmente por um motivo excepcional, a Ana Maria "Bru" não poderá estar em Cuiabá (MT) nesse fim de semana para ministrar o curso de Planejamento Criativo, pois foi solicitada pela diretoria de sua agência para uma reunião de emergência no exterior com um de seus clientes. O Papo Criativo conta com o apoio e a compreensão de todos os 81 alunos matriculados no curso, pois sabemos dos esforços empregados para que cada um pudesse fazer a sua inscrição.

O responsável pelo Papo Criativo, o redator Léo Stefan e a palestrante Ana Maria "Bru", pedem desculpas pelo transtorno e esperam ansiosos pela turma no próximo mês. Na próxima semana o Papo Criativo estará divulgando oficialmente os dias exatos para a realização do curso. (por Léo Stefan)

³ Dica: O Biso é o cara.


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Marcelo Bloc · http://blogdobloc.blogueisso.com

E eu que achava que era só o BlogueIsso! que dava uns tombos… #Vidadeblogueiro!


PermalinkPermalink 17.02.09 @ 09:28



Comentário de: Tássia Neumann

Textos sempre muito bons, pra variar, né Fred?
Adoro =)


PermalinkPermalink 17.02.09 @ 12:37



Comentário de: Eder

Como sempre, texto para lá de bom…
Ótima perspectiva…

parabéns…


PermalinkPermalink 17.02.09 @ 15:44



Comentário de: Jardel · http://www.myspace.com/vassalosrock

n entendi, eh uma história? um fato ocorrido? uma cronica?


sou burro?


PermalinkPermalink 17.02.09 @ 16:04



Comentário de: Rafael M.

E ai Fred, vc é bipolar? tem mais de uma personalidade? <img src="/blogs/rsc/smilies/graybigrazz.gif" alt=":P" /> Pensei que tinha virado biba no meio do texto, quase larguei ele de mão, só entendi no final.
Belo post, como sempre

Abraços;


PermalinkPermalink 17.02.09 @ 18:55



Comentário de: Visionário

Fred, estava achando estranho esses apagões. Está explicado. O texto é formidável. Duas histórias, uma vida. Realmente, parece que está tudo escrito, direitinho. Tem acontecer, como está designado. Nem mais, nem menos, um segundo sequer…


PermalinkPermalink 17.02.09 @ 20:52



Comentário de: Vinícius · http://www.crazydshow.blogspot.com

eu não acreditava nessas coisas. totalmente cético. "nada além do que posso ver". mas, nessa última segunda chuvosa, estava no restaurante, acabei de almoçar e fiquei esperando a chuva dar uma aliviada pra poder voltar pro trabalho. quando achei conveniente, saí. bem em frente ao restaurante, tem uma igreja com um enorme pátio. no meio desse pátio, a chuva volta. pensei "não é nada". a medida que andava, a chuva engrossava. cheguei no trabalho mais molhado do que gostaria. resultado: uma gripe, na semana em que vou pra praia passar o carnaval, sendo que não pude ir com meus amigos nos dois últimos anos por problemas acontecidos pouco antes. sabem o que é isso? destino. e seja lá quem controle essa merda, tem um certo de ódio por mim, ou um senso de humor muito negro.


PermalinkPermalink 18.02.09 @ 10:22



Comentário de: Kel · http://tpmulheres.net

Como sempre: Impressionante! Sensacional!!!


fiquei arrepiada *.*


PermalinkPermalink 18.02.09 @ 17:31



Comentário de: Eric Martini · http://www.usadofacil.com.br

E aí Fred? Recebeu meu e-mail? Manda teu banner pra cá que a gente publica. Ou você já acha melhor não ter a parceria? Vc que decide, amigo. Numa boa. Blz? Abraço.


PermalinkPermalink 19.02.09 @ 09:54



Comentário de: Diego

Cara, gostei do texto. Mas se bem intendi, vc se contradisse. Vc começa o texto dizendo que tudo é por acaso e termina dizendo que nada é por acaso… Talvez eu tenha entendido mal…


Abraço


PermalinkPermalink 19.02.09 @ 11:31



Comentário de: Diego

*entendi*


PermalinkPermalink 19.02.09 @ 11:32



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Fred Fagundes
11 comentários

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