Guerrilha, na linguagem publicitária, classifica-se como:
Tipo de publicidade não convencional no qual o principal estratagema é a extrema mobilidade dos anunciantes. Se por um lado os anunciantes muitas vezes carecem de equipamento e grandes pacotes de mídia adequados, por outro contam com a ajuda de populações que os defendem.
Guerrilha é surpreender. Colocar sua marca onde ninguém colocou de forma inteligente e perspicaz. Saber usar as ferramentas e marcar seu território.
O seeding, a infinita criação de sites de compartilhamento de mídia e a popularização do famigerado viral, termo que de certo modo designa o sucesso da guerrilha, contribuíram para o aperfeiçoamento da tática. Mas até hoje não se tem uma resposta concreta para: quem inventou o marketing de guerrilha?
Teorias existem várias. Cada pseudo-intelectual (leia-se blogueiro metido a besta) tem a sua. Inclusive eu. Ela pode até não ser a mais correta, mas com certeza é a mais romântica.
Em 30 de janeiro de 1969, nos telhados da Apple Studios, os Beatles surgiram sem aviso prévio e fizeram aquela que seria a última apresentação do quarteto em público. E talvez a mais bem sucedida guerrilha de todos os tempos.

A idéia de subir até o rooftop da gravadora e realizar uma apresentação perde-se na história. Em entrevista à revista Rolling Stones em 77, Lennon afirmou que Brian Epstein - lendário empresário do Beatles morto em 1967 vítima de uma overdode de calmantes – costumava ironizar: "o dia que vocês quiserem realmente aparecer, cantem no meio do asfalto e de graça".
Tal comentário de Epstein teria sido lembrado por Ringo Star na manhã daquele dia, quando os Beatles (mais Yoko Ono) se reuniram no estúdio para definir as canções do álbum Let It Be. O baterista sugeriu que aquela era a oportunidade de ganhar mídia espontânea e gratuita, fazendo uma aparição surpresa em pleno centro de Londes.
Outra tese, e bem mais defendida pelos céticos e chatos críticos musicais, é que tudo estava planejado há semanas pela Apple. Com a intenção de lançar o disco e provar em público que os Beatles estavam em sintonia, a gravadora já havia preparado aquele show e – inclusive – avisado dezenas de veículos de comunicação alguns minutos antes.
Armado ou arranjando de última hora, essa guerrilha acabou virando filme. Intitulado Live, o curta mostra passo a passo desde a chegada dos Beatles à gravadora, passando por entrevistas com incrédulo fãs na calçada até a polícia mandar o grupo parar de tocar tamanho era o tumulto causado.

A apresentação não dispensa comentários. É notório o constrangimento dos Beatles durante as músicas. Aliás, George Harrison já havia demonstrado desgaste comentando meses antes que deixaria o grupo. John Lennon concordou, dizendo que ele poderia ser substituído por Eric Clapton. Mas Paul Mccartney foi efusivo ao afirmar que "não existiria Beatles com outra formação".
Além disso, havia o fator Yoko Ono. E que fator. Ela participou ativamente das gravações de Let It Be, dando pitacos sobre as músicas. A apurrinhação foi intensa. E as brigas entre o grupo era quase rotina.
Esse último show teve como grande ponto positivo a aparição de Billy Preston, o considerado quinto-beatle. Tecladista, Billy introduziu em Let It Be uma sonoridade mais original e moderna para época, atitude condizente para a banda que introduziu a cítara no Rock e fez desse instrumento uma marca registrada do psicodelismo.
Foi uma despedida do tamanho dos Beatles? Certamente não. Mas o som precário, o clima ruim e as paredes sujas talvez tenham conseguido passar a nós, fãs, o que os quatro estavam sentido há anos. Cansaço, distância e desentrosamento. John, Paul, Ringo e George se viam como quatro estranhos.
Não havia mais diversão no palco. Eram os últimos acordes do maior grupo de todos os tempos.
Os Beatles estavam acabando.
Let It Be foi lançando em 8 de maio de 1970, paralelamente com o filme Live. O filme ganhou o Oscar de melhor trilha sonora original. A canção que leva o nome do álbum chegou ao topo da Billboard em 13 de junho, onde permaneceu quatro semanas.
E nem rolou post pago.
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Fred Fagundes
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Comentários:
Concordo plenamente, e já está votado. E a propósito, está em primeiro.
… prefiro os Stones.
só eu que acho que a culpa de tudo é da vaca da Yoko?
tudo é culpa da Yoko, desde o fim dos beatles até o 11 de setembro.
fred, nice!
Muito legal o post, os Beatles são foda.
Como leigo, achava que essas ideias e ações de mkt de guerrilha exisitiam a mais tempo.
Abraços,
Gabriel Lucas
Olha, se Yoko não foi a principal culpada, teve um peso decisivo.
Fred, acabei de votar.
Abraços,
Que blog bom, bicho! ![]()
Rapaz, dizem as lendas que houve gente primeiro do que os Beatles nessa coisa de tocar em cima do prédio. Um deles foi nacional: o "rei" Roberto Carlos: http://www.youtube.com/watch?v=wdW2Eo7xY5w
Mas eu ainda prefiro o dos Beatles ![]()
Foi tudo culpa da Yoko. FATO! ¬¬
Fred, nesse você se superou. Parabéns!
E já votei! Viva QMaT. o/
Pode não ter sido a primeira ação, mas influenciou uma série de bandas a fazer o mesmo depois…
Mais um voto pro QMaT!
Oi, seu blog é muito bom, por isso você foi um dos escolhidos pro prêmio Dardos. Vai no meu perfil e vê lá como funciona. ![]()
sempre que ouço "Don't let me down" a primeira imagem que me vem é exatamente a deles no telhado da gravadora…
simplesmente sensacional…
Grande garoto, sempre com textos incríveis! =D
Sim, já votei em tudo que é lugar que vc imaginar para seu site =D
Fred, sabe onde consigo esse Live?
Como o nome é muito generico, achar no google ta meio dificil…
Jay Conrad Levinson, o nome do primeiro autor e marketeiro a escrever e se utilizar das técnicas de guerrilha!
Vlz!
Jay Conrad Levinson foi o primeiro marketeiro a se utilizar das técnicas de guerrilha e o primeiro autor a escrever sobre o assunto.
muito bom o texto. mas até onde sei o quinto beatle seria o george martin.


