Peguei o auto do bagual na cara dura. Desci a lomba e parei na baia da nega veia. Chegando lá, tive que fugir de um cusco orelhano. Corri pela cancha do pátio, mas e só cheguei lá a laço e espora. Quando vi, tava atrás da casamata, onde havia uma frigider cheia de cacetinho. Não entendi, catei minha funda e fiz e sai fedendo feito taco. Mas, bá, que vareio.
Tradução:
Peguei o carro do meu pai na cara de pau. Desci pela rua em parei na casa da minha mulher. Chegando lá, tive que fugir de um cachorro abandonado. Corri pela quadra do pátio e só cheguei lá com muito esforço. Quando vi, tava atrás do banco de suplentes, onde havia uma geladeira cheia de pães. Não entendi, peguei meu estilingue e sai correndo. Mas, nossa, que decepção.
No início dos anos 80, quando a dupla Kleiton e Kledir despontou no cenário musical, um crítico do Rio de Janeiro escreveu:
"Kleiton e Kledir é uma dupla de ingleses que canto numa língua que lembra o português".
E é bem isso. O Rio Grande do Sul carrega vocábulos e expressões interessantíssimas. É um dicionário quase a parte ao da língua portuguesa. Além da colonização alemã, a posição geográfica do Rio Grande do Sul influenciou na popularização de algumas palavras em espanhol. Ou até mesmo no bom e velho portuñol.
A história conta que, em conflito constante com os "castelhanos" (argentinos e uruguaios de ascendência castelhana) e com os portugueses (então colonizadores do Brasil), os gaúchos continuavam ignorando os limites políticos entre os territórios, mas criavam seu próprio isolamento cultural.
Na tentativa de não se identificarem nem com os portugueses (dominadores) e, posteriormente, brasileiros, nem com os espanhóis (invasores), os rio-grandenses criaram um modo particular de vestir, falar e agir, que pouco se diferenciava das características típicas dos gaúchos (lê-se 'gáutxos' em espanhol) dos pampas cisplatino e platino. Os hábitos do churrasco, do chimarrão, da indumentária e quase toda a tradição permaneceram muito semelhantes após todo o período de ebulição, mas a língua foi diferenciando-se.
Numa tentativa de mostrar para os "castelhanos" que falava português e para os "imperialistas" que falava espanhol, adicionando-se muitas expressões indígenas e algumas africanas, o gaúcho criou uma linguagem híbrida, compreendida por todas as partes envolvidas no período. Marcado pela grande ligação afetiva do gaúcho por seus animais, a maioria das expressões que se referem a animais, também se referem às pessoas.
O sotaque é outra grande marca do gaúcho. Algumas meninas acham uma graça, por sinal. Mas abrem-se parênteses para falar do sotaque gaúcho. O modo de falar do Porto Alegre é totalmente diferente do gaúcho que vem do interior do estado.
A porto-alegrense fala arrastado, usa muito o "tri", "bah", "capaz", entre outros. Esse modo tem suas vantagens, pois é um sotaque – quando falado com calma – harmônico e agradável. A forma com o "r" é dito pelo porto-alegrense soa bem diferente do "r" do caipira, motivo de eterna piada.
Já o gauchão véio do interior, bah, esse não se vai com estas frescuras. É cheio de trejeitos, vocabulário pessoalíssimo e não visa a adequar-se ao português culto. Dependendo da cidade, carrega o "r" caipires e acha o "tri" coisa de porto-alegrense fresco.
Uma peça publicitária que exemplifica, além do bairrismo óbvio, a paixão do gaúcho pelo seu jeito pitoresco de falar é essa criada pela Almap e produzida pela Zeppelin para a cerveja Polar.
Mazáh!
Pois o gaúcho faz questão de dizer que é gaúcho. Certo que sim. ![]()
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¹ Muito bom dicionário de gauchês.
² Agradecimento especial à gaúcha Renata Pimentel que auxiliou no post. Ela que é finalista do Globes Awards. Torceremos.
Fred Fagundes
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Comentários:
Bah Fred, fenomenal essa epopéia gaudéria aqui no QMAT. Só queria frisar depois deste post algo facilmente constatável aqui pelas bandas do sul :
POLAR >>>>>>>>>>>>>>>> Todas as outras cervejas.
E não é ser bairrista. É melhor mesmo !
DICA… !!
dica para o dono do blog…
faz um POST de ditos gaúchescos como:
MAIS ORTODOXO QUE PASTILHA VALDA.
BRANCO QUE NEM VELA DE IGREJA.
MAIS FELIZ QUE GORDO DE CAMISA NOVA.
e assim vai… pra alegra esse pessoal que não se conforma com NOSSO AMOR POR NOSSA TERRA!
Mas bah! Tri legal essa tua exaltação a nossa pátria de bombachas! E realmente, existem diferença gritantes dentro do mesmo estado… É só ir de Poa até Passo fundo/Santa Rosa e de lá pra Uruguaiana/Livramento… e depois dar uma parada em Pelotas/Rio Grande. Coisas que só nosso Brasil pode proporcionar.
Abração!
Polar, essa cerveja eh a melhor delas.
melhor que Bohemia, Brahma Extra certo.
So nao eh melhor q a Bohemia Weiss…
Sou de Pelotas, e estou sempre viajando pelo Estado, e em cada cidade em um modo de falar diferente.
esse final de semana vou para Porto Alegre, é um dialeto totalmente diferente.
Grande Abraço.
Tipo, tudo bem que você é gaúcho, e tem orgulho…Mas 3 posys seguidos sobre isso é phoda! Muda o tema! Cade a série das melhores coisas???
Legal essa diferença no vocabulário. Agora que aprendi um pouco de gauchês quem sabe eu vou passar um tempo ai no sul…rs
Bah Polar é tri boa guri
És a melhor cerveja que eu já tomei até hoje
E olha que eu sou paulista
Se tu nunca experimentou devias viajar pra lá e provar
Eu voltearei pra Porto Alegre só pra beber Polar de novo *–*
Bah, esse post é tri legal! Hhahahaha
Ótimo, como sempre!
Beijos
Hauahuaha, mto boa a propaganda da polar, com certeza a melhor cerveja.
Não dá pra esquecer tb da colonização italiana, além da alemã, no RS.
Mto bom o blog, sempre com ótimos textos.
Mais outra excelente postagem! Agora tenta explicar pra estes idiotas que "uma semana de postagens sobre…" possui sete dias…
e vô me deitá, que tá frio de renguear cusco!
Tem um pessoal que mete pau nos posts só pra serem notados, para aparecer, é incrível. Sou cuiabano e tô curtindo os posts, afinal, Rio Grande do Sul é Brasil, e eu sou brasileiro
- Êta povinho chato cara hehehe
É normal virem encher o saco. O melhor que podemos fazer é ignorar essa gente.
Bah, a Polar é ótima!!! Não tem comparação!!! E já tomei Heineken, Quilmes, Escudo, Cristal, Norteña e as mais famosas brasileiras. A única que chega perto da Polar é a Budweiser.
Estou adorando essa semana de posts sobre o Rio Grande. Muito bons, espero vê-los aqui ano que vem.
Grande abraço pra ti! =*
Rezo a prece inaugural
do payador das missões
que amanheceu nos fogões
sobre um couro de bagual
enquanto ouvia um sorçal
floreando um hino de guerra,
na melodia que encerra
a origem dos instrumentos
e o tupã - senhor dos ventos,
benzia os cantos da terra!
De onde venho? - pra onde vou?
- o que não sabe - adivinha!
venho do riba da linha,
lá - onde a pátria se gerou.
O rio Uruguai berrou
e fez que a terra se abrisse
e dali - o guasca surgisse
sobre o lombo do cavalo,
volteando a história de um pialo
pra que o gaúcho existisse!
Morri - mas ressuscitei,
das cinzas da minha fé,
o sangue de São Sepé
me fez santo - eu me fiz rei:
gaucho me transformei
num barbaresco improviso
e - ali no chão impreciso,
de parceria com o vento,
sou hoje - o prolongamento,
do chão sagrado onde piso!
Jayme Caetano Braun
Ae Fre muito bom o post, cara queria te dar a idéia de fazer um post sobre as para-olimpiadas, no qual o país se saiu muito bem!
Fica aí a dica! Abraço!
Bah, curti a ideia das expressões gaúchas:
- MAIS CHATO QUE ALPARGATA DE GORDO;
- MAIS GROSSO QUE DOIS PORCO ABRAÇADO;
- MAIS FACEIRO QUE GURI DE LANCHEIRA NOVA;
HAUHAUAHUHAUA muito engraçado
É verdade, no feed ta aparecendo interroga??es…
Pra quem quer aprender sobre a história do Rio Grande, vale a pena escutar a Payada do Jaime Caetano Braun, Neste link: http://agoraerock.forumeiros.com/musica-f12/jayme-caetano-braun-payador-t209.htm
Tem o CD completo e a música "Payada" pra escutar on line…
Gostei muito do posto. Eu fico imaginando no que iria dar um pate-papo de um gaudério da fronteira com um pernambucano lá do interior, das "brenhas mesmo". Acredito que não se entenderiam, verbalmente falando…
Vai em frente Fred. Tá tri legalll de buenaço…
polar????… so pode ser brincadeira!!!!
realmente Polar aqui (interior sp) só naqueles butecos mais vagabundos!!! se alguem me ver tomando Polar aqui perco a pouca moral q tenho!! heeh
ps: ehhh saudades das minhas amigas gaúchas (gostosissimas)
Mas barbaridade! ;o)
Mas uma Norteña, Pilsen e afins tem o seu valor sim…
Apesar que ganhar da Polar, é bem dificil. Pra galera que curte um bom rock´n´roll, sempre gostou do Opinião, em Porto Alegre… Unico problema é que vendiam uma ceva com gosto de repolho que não vale a pena citar. Eu mesmo falava que aquele lugar viraria um paraíso se vendessem Polar. Dito e feito! Agora, só Polar no Opinas!!!
Abração!
Não confunda "gauchês" com "portoalegrês".
Baia (casa) não é gauchês, mas portoalegrês.
Os gaúchos do interior não se referem a casa como "baia". Somente os porto-alegrenses.
Da mesma forma, a palavra "catei", no sentido da frase do texto acima é utilizada pelos porto-alegrenses, e não pelos gaúchos em geral, principalmente do interior do estado.
Por fim, a frase final correta seria "Que variação". Vareio, no gauchês, significa uma disparidade muito grande entre 2 coisas.
Por exemplo: o Inter venceu o gre-nal por 5 a 2. Foi um vareio, uma goleada.
Apenas para complementar a mensagem acima, é importante sabermos que o pessoal de outros estados não tem uma noção exata do gaúcho.
Principalmente na televisão, os artistas tentam esterotipar o gaúcho com o sotaque do portoalegrense, que é extremamente puxado, meio cantado. O gaúcho do interior, ao contrário, tem uma fala mais seca.
Exemplo:
Portoalegrense cumprimenta: I aean…
Gaúcho do interio: I aí!
Olá, estou realizando uma pesquisa. Você é de Porto Alegre? Este blog é indivudual ou coletivo? abraços


