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O Rei do Pop chega aos 50


Michael Jackson completa hoje 50 anos. E, convenhamos. Não era desse modo decadente e horripilante que gostariamos de ver o dono de uma das maiores carreiras da história do entretenimento comemorar seu o cinquentenário.

O segundo mais jovem da família Jackson construiu não só um legado, mas um império de clássicos, referências e significados para o termo pop. Aliás, ninguém foi mais pop que Michael Jackson. Ninguém cantou, dançou, emocionou e chocou mais que Michael Jackson. Ninguém em 15 anos foi mais artista que Michael Jackson.

Repito: Elvis Presley, John Lennon e Michael Jackson. Na ordem. Ninguém supera.

Uma das grades contribuições de Michael Jackson para a música é a revolução no videoclipe. Vídeos de 14 minutos, contrato com grandes diretores de cinema , abuso de computação gráfica e enredo altamente subversivo promoveu o que era pop para hoje ser considerado cult.

Listar apenas cinco melhores clipes de Michael Jackson não é a tarefa das mais simples. Mas necessária.

Don't Stop 'Til You Get Enough - 1979

Single do épico álbum Off The Wall, esse clipe tem como grande característica a gravação no chroma key. Dirigido por Nick Saxton, Don't Stop 'Til You Get Enough marca o início do uso do smoking de Michael nos vídeos.

Bad - 1987

Com a assinatura de Martin Scorsese, Bad era o primeiro clipe de Michael após o fenômeno Thriller. O público respondeu bem e fez de Bad um grande sucesso. O álbum vendeu 36 milhões de cópias em todo o mundo e permaneceu durante algum tempo como o segundo mais vendido da história.

Rock With You - 1979

Mais uma grande sucesso do álbum Off The Wall. O vídeo tem um ar futurista, com lasers e muita fumaça. Mesmo gravado em estúdio e sem grande investimento, tornou-se um dos clipes mais celebrados do rei do pop.

Billie Jean - 1983

Para muitos é o melhor vídeo de Michael Jackson. O impacto que Billie Jean teve na música é imensurável. Os direitos do clipe foram, durante anos, motivos de briga entre a MTV e a CBS. Segundo um amigo meu, é clipe mais exibido pela MTV.

Thriller - 1982

Michael Jackson e sua equipe viraram história ao inovar com Thriller. O diretor John Landis estabeleceu novos horizontes para a concepção dos clipes. O vídeo tem 14 minutos de duração e foi gravado em película ao custo de 600 mil dólares, número elevado para os padrões da época.

Não tratem este homem como uma pessoa normal. Michael Jackson não é deste planeta.

E isso responde muita coisa.

¹ Andando na lua.

² Muito boa a cronologia feita pelo blog Meu Papagaio.

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Na ponte com efeito


O excelentíssimo Pedro Biso Haznos me procurou esta semana. Afoito, disse ter em mãos um novo/provável mistério da Internet. Pois tratava-se de um vídeo, no mínimo, curioso. As imagens mostram um rapaz se contorcendo no alto da Ponte Estaiada, o mais novo cartão postal de São Paulo.

(Clique aqui e veja as cenas em high quality clicando na opção logo abaixo o número de acessos).

O grande barato disso (ou não) é que vários aproveitadores surgiram. Um exemplo é o bobagento Raphael Mendes. Aquele senhor teve a pachorra de se esconder atrás da própria mentira. Assim, enganou, inclusive, o Pedro e o cover do Macgyver (Edu Hoffmann).

Seguindo meu ideal repleto de boas intenções, resolvi expor algo mais valioso que o significado do universo, a solução para a paz na palestina e a pergunta para a resposta 42.

Eis.

Uma fonte fidedigna de felpuda afirmou que estas novidades vão se extender até você, leitor. Logo, fique atento e confira outras informações tão pertinentes quanto estas aqui.

¹ Esse foi obviamente um Publieditorial. Mas que era eu, ah, era!

² Créditos - Fotografia: Rafael Carvalho. Assistentes de palco: Renata Mendes e Kátia Pacheco.

³ Adicionei uma irritante "caixa de confirmação" nos comentários. O motivo foi uma impiedosa invasão de spams. Obrigado pela paciência. :)

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Turma da Mônica Jovem


Crianças, eu li. E confesso que não foi simples. Imagine. Eu cresci lendo gibis da Turma da Mônica, eram pilhas e pilhas de exemplares numa caixa no canto do quarto. Desde "Almanacões", passando por edições especiais sobre Lost, Jurassic Park e Quake até uma limitada patrocinada pela Coca-Cola. Hoje, eu li. Está bem aqui na minha frente: Turma da Mônica Jovem.

Esqueça a antiga turma. Os vestidinhos coloridos, as bolas de gude, o campinho do bairro do limoeiro, os passeios no parque, os muros pichados e carrinhos de rolimã. Agora a Mônica tem um blog, o Cebolinha tem um site chamado cebola.com.br, a Magali come menos e o Cascão, pasmén, toma banho.

Novos tempos.

Essa é a capa da edição especial lançada ainda antes da revista nº1. Ela conta com detalhes essa nova vida da turma e as desconhecidas características de cada personagem. Como diz na capa, a Turma da Mônica Jovem é feita no estilo mangá - forma como os japoneses chamam as estórias em quadrinhos. Ou seja, daqui para frente se acostume com exemplares em preto e branco.

Ao contrário do formato original de mangá, a criação de Maurício de Souza é lida no sentido ocidental: da esquerda para a direita. As diferenças param por aí. Os traços desse novo gibi lembram muito os quadrinhos japoneses. Além disso, o tom ironico e sexual de algumas piadas aparecem durante boa parte da publicação.

Detalhes esses observados já no primeiro roteiro dessa nova fase. O exemplar nº1 é, como não podia ser diferente, uma introdução ao "mundo mangá" vivido agora pela turma. A estréia é também um tapa na cara do leitor. Ela joga na mesa: as coisas mudaram. E muito. Sem piedade, o enredo te leva a acreditar que os anos passaram e a Mônica não é mais uma menininha.

E consegue.

Maurício de Souza fez o favor de deixar bastante claro que Mônica é uma típica adolescente. Reclama do pai super protetor, de quem entra no quarto sem bater na porta e do assédio dos meninos. Uma coisa que não mudou foi a presença central e liderança da dentuça. Graças ao livro descoberto por Mônica a turma é salva e descobre as quatro dimensões mágicas.

Mas, antes disso, preciso mostrar dois momentos curiosíssimos. O primeiro ocorre justamente na estréia do Cascão no mangá. O pai do fedorento reclama da demora do garoto no banheiro. Cascão sai e toca a mão do velho, que, assustado, repara ter ficado com uma gosma (!) que estava nos dedos do filho. Felizmente, Cascão diz que é apenas gel para cabelos.

A outra passagem é uma nova amostra do apelo sexual que a Turma da Mônica Jovem deve ter. Após perder o equilíbrio, Cebolinha (que agora quer ser chamado apenas de Cebola) cai sobre Mônica. Mais do que isso, ele cai com as mão nas coxas da garota. Mais ainda do que isso, ele seca os peitos da dona do Sansão na cara dura.

Questionado sobre tal atitude, Cebola comenta que estava olhando os "dentes". E que eles cresceram.

Ahan.

Alguns bons personagens de apoio surgem logo nessa primeira edição. É o caso do Franjinha. O pequeno gênio trabalho num museu e também teve seu apelido alterado para algo mais maneiro: Fran.

Já a desenhista Marina, paixão de Franjinha quando eles eram crianças, aparece em somente dois quadrinhos. O suficiente para a felicidade dos embasbacados Cebolinha e Cascão.

Lembra do Louco? Foi-se a teoria de que ele era um amigo imaginário do Cebolinha. O Louco agora é chamado de Professor Louco. Ele dá aulas para a turma na Escola do Limoeiro. E continua doidinho.

Maria - irmã do Cebolinha - e o Mingau - gato da Magali - também aparecem na história, mas sem destaque. O que maior importância tem nessa primeira edição é um antigo vilão: o Capitão Feio. Ele é o responsável pela libertação da Rainha Yuka, a maligna que vai dominar o mundo caso a turma não retorne com os quatro objetos místicos escondidos num perigoso reino.

É aboslutamente clara a preocupação de Maurício de Souza em criar uma lingüagem jovem para a turma. Palavras abreviadas, termos da moda e símbolos pop pipocam nessa edição nº1. Não creio que estamos diante de um fenômenos editorial. Mas arrisco dizer que A Turma da Mônica Jovem já entra para a história pela sua ousadia.

O curioso é que a turma da Mônica já foi grande. Esta estória foi destaque num gibi da Magali de 2007.

Pois é. Nossas crianças cresceram. Paciência.

¹ Recebi uma simpática citação no Papo de Bar. Valeu, bizonhento.

² Gostou? Que tal votar no BBB? Clique aqui e ajude o QMaT. :)

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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The Boxer


Sinceramente, Paul Simon é um injustiçado. Por tudo que fez pela música ao lado de Garfunkel e, principalmente, pela sua importância no folk americano, tal poderia ser um pouco mais respeitado. Paul escreveu grandes músicas, como Mrs. Robinson, The Sound Of Silence e Bridge Over Troubled Water. Mas, queiram ou não, sua obra prima chama-se The Boxer.

Com uma marcante introdução criada pelo gênio Fred Carter Jr., The Boxer foi considerada a 105° maior música de todos os tempos segundo a revista Rolling Stones. Mais do que isso, The Boxer é inspiradora, forte e absolutamente comovente.

A gravação original foi finalizada somente após 100 horas de estúdio. Procurando o máximo da perfeição, a dupla gravou em oito locais diferentes, incluindo Nashville, St. Paul's Church (New York) e na Columbia Studios. Já a batida característica que rola durante o refrão lie-la-li foi criação do baterista Hal Blaine.

A letra de The Boxer descreve a vida difícil de um jovem morador de Nova York. O verso final traz à tona uma terceira pessoa. No caso, um lutador (boxer). O personagem central da música comenta sobre indivíduo e, num gesto de identificação, narra o fato do boxeador não conseguir abandonar aquilo que pode ser considerado seu maior mal: a própria vida.

Durante muito tempo correu o boato de que The Boxer era uma música sobre a vida de Bob Dylan. Paul Simon negou a informação. Segundo o autor, esta é uma canção autobiográfica. "The Boxer foi escrita durante uma época em que eu estava sendo injustamente criticado", ponderou Simon.

The Boxer foi regravada por Emmylou Harris, The Samples, Across The Border, Chet Atkins, Joan Baez e pelo próprio Bob Dylan. Em 29 de setembro de 2001, numa edição especial do Saturday Night Live, Paul Simon tocou The Boxer após o pedido do então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani.

O vídeo abaixo é uma gravação feita no Central Park nos anos 80.

I am just a poor boy and my storys seldom told
Ive squandered my resistance for a pocketful of mumbles, such are promises
All lies and jest, still the man hears what he wants to hear
And disregards the rest, hmmmm

When I left my home and my family, I was no more than a boy
In the company of strangers
In the quiet of the railway station, runnin scared
Laying low, seeking out the poorer quarters, where the ragged people go

Looking for the places only they would know

Li la li…

Asking only workmans wages, I come lookin for a job, but I get no offers
Just a comeon from the whores on 7th avenue
I do declare, there were times when I was so lonesome
I took some comfort there

Now the years are rolling by me, they are rockin even me
I am older than I once was, and younger than Ill be, thats not unusual
No it isnt strange, after changes upon changes, we are more or less the same

After changes we are more or less the same

Li la li…

And Im laying out my winter clothes, wishing I was gone, goin home
Where the new york city winters arent bleedin me, leadin me to go home

In the clearing stands a boxer, and a fighter by his trade
And he carries the reminders of every glove that laid him down or cut him
til he cried out in his anger and his shame
I am leaving, I am leaving, but the fighter still remains
Yes he still remains

Li la li…

Saiu. Após meses de negociação, reuniões e até algumas ameaças de sequestro, está no ar o blog Vôo 3800. O autor de tal peripécia é o publicitário, músico e pai Muriacy Júnior. Responsável pela difusão da calça boca de sino em Mato Grosso, Júnior pretende com o blog conquistar seu primeiro milhão antes dos 30.

Conheça, compartilhe e pergunte o porquê desse nome escroto.

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Os melhores filmes ruins


Todo mundo tem o seu filme "ruim" preferido. E quando eu classifico o filme de ruim entre aspas quero dizer que ele é "bom". Ou seja, o bom entre aspas quer dizer que ele só é bom pra você e meia dúzia de malucos. Pegou?

Esses filmes são, na sua maioria, estilo Sessão da Tarde e Cinema e Casa. Uma seleção que cresce a cada ano. Afinal, atire a primeira pedra quem não gosta de pelo menos um filme cheio de clichês, atores canastrões e massacrado pelo editorias de cinema. É um mercado crítico underground assaz interessante.

E, nessa linha, acredito que ninguém supera Stallone Cobra (1986). Baseado no livro de Paula Gosling e escrito pelo próprio Sylvester Stallone, Cobra é um clássico do formato deixe-seu-cérebro-lá-fora-e-divirta-se.

Stallone é Marion Cobra, um policial durão e sem papas na língua. Especializado em missões impossíveis para pessoas comuns, Cobra é escalado para proteger a testemunha-chave de um processo. Lembrando que ele contém a incrível habilidade de matar 20 bandidos, explodir cinco carros e destruir dois prédios sem perder o palito de dentes.

Repito: precisamos de policiais como Marion Cobretti: "Você é a doença, eu sou a cura".

Invasion USA (1984). No clássico marcado por uma forte dose de pessimismo e violência, o eterno vilão Richard Lynch é um terrorista russo que resolve, literalmente, invadir os Estados Unidos. O problema é que nesse país mora nada menos que Chuck Norris.

Chuck é visivelmente frio e sádico, que não hesita a enfiar uma faca na mão de um vilão durante um
"interrogatório" e prefere explodir os inimigos em pedacinhos ao invés de levá-los à Justiça. E assim ele faz com uma quadrilha de mercenários.

O cartaz do filme é um show à parte. Acima da foto de Chuck, algo como:

"Os Estados Unidos não estavam preparados para uma guerra. Mas ele estava".

Eis um filme que faz tempo que não curto uma reprise. Woody Harrelson e Wesley Snipes fizeram a primeira parceria no famigerado White Men Can't Jump (1992). Odiado pela crítica, Homens Brancos Não Sabem Enterrar virou alguma coisa próxima do cult para o público de vinte e pouco anos. E não é por menos. O filme é horrível e legal ao mesmo tempo.

A dupla se une para dar golpes nas quadras de Los Angeles. É mais ou menos assim: Snipes aposta dinheiro numa partida de basquete com outra dupla e diz que eles podem escolher o seu parceiro. No cantinho da quadra, fingindo estar perdido, está Harrelson. Sem pensar duas vezes, os desafiados escolhem aquele bobalhão. Assim, ficam sabendo da pior maneira que aquele branquelo joga muito.

Não é o filme que vai mudar sua vida, mas garante boas risadas.

Filme do Stallone nunca é demais. Dessa vez ele apareceu como um solitário caminhoneiro em busca da guarda do filho. Para isso, ele deve superar o rancor do garoto e o poder do ex-sogro interpretado por Robert Loggia. Como fazer isso? Vencendo o campeonato mundial de queda de braço, oras! Tem maneira mais simples?

Over The Top (1987) traz o velho modo Stallone de fazer cinema. Lincoln Hawk se dá mal o filme inteiro. Mas, no final, quando vira seu boné, vence e ganha, além de um filho, um caminhão Volvo novinho.

Falcão - O Campeão dos Campeões tem cara de Temperatura Máxima. É o tipo de filme que fica muito estranho caso assistido legendado.

Falem o que quiser, mas David Cronenberg é gênio. São poucos os diretores que criam histórias que, de tão bizarras, se tornam atraentes. E Scanners - Sua Mente Pode Destruir (1981) foi a obra que elevou o status de Cronenberg para diretor cult.

O filme é bem violento: muitas cabeças explodindo, feridas pustulentas saltando, corpos em combustão e muitos tiros. Quase tudo on-screen. Ou seja, hoje esses efeitos estão datados e podem não impressionar tanto. É recomendado para três tipos de pessoas: aqueles que gostam de bons filmes de terror, aqueles que gostam de bons filmes de ficção científica e aqueles que gostam dos dois. [+]

Saca essa sinopse:

"Danny Madigan (Austin O'Brien) é um garoto que é fã incondicional do personagem Jack Slater (Arnold Schwarzenegger). Ele ganha um ingresso de cinema mágico, que faz com que Danny entre no novo filme de Slater e passe por aventuras num mundo maluco, com desenhos animados, violência e até mesmo Catherine Tramell (personagem de Sharon Stone em "Instinto selvagem"). Porém, há um problema: o mesmo ingresso faz com que os vilões do filme saiam para o mundo real. Slater vem atrás deles, passa por vários apuros e acaba encontrando o ator que o interpreta, Arnold Schwarzenegger."

Eu sai do cinema com a certeza que esse filme seria considerado o melhor do ano. Pobre mente inocente. Last Action Hero (1993) é considerado um dos piores filmes de Arnold Schwarzenegger. Foi execrado, sacaneado e humilhado. Resultou num grande fracasso de bilheteria.

É uma excelente sátira dos filmes de ação. Destaque para o trecho na locadora, onde aparece o Stallone na capa do Exterminador do Futuro.

Chupa, Rubens Ewald Filho.

¹ Oportunismo pouco é bobagem: Bronze Brasil 2008.

² Manifesto sobre os blogs de humor.

³ Conheça o BroguiBlogs. A melhor ferramenta para quem sempre quis ter um blog. :)

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Beijing Beijing, xau xau


Que o Brasil é o país com o maior número de técnicos de futebol (180 milhões, de acordo com os últimos dados do IBGE) todo mundo sabe. E se tem uma profissão que nunca terá unanimidade em suas decisões é a de técnico da seleção. Retranqueiro, irresponsável, teimoso, medroso, fraco, burro… São alguns dos mais carinhosos adjetivos que um treinador em má fase costuma receber.

O nosso Dunga, por exemplo. Ah, Dunga. O Brasil dá, mais uma vez, o adeus ao sonho do ouro olímpico. E tudo indica que o capitão do tetra vai dançar tal como Vanderlei Luxemburgo em Sidney 2000. Beijing Beijing, xau xau.

Mas qual foi o problema? Dessa vez, talvez só dessa vez, o torcedor não pode reclamar dos jogadores selecionados. Um ou dois ficaram fora da lista, mas o Brasil está na China com o que, teoricamente, tem de melhor. Dunga relativamente convocou bem. E olha que isso não costuma acontecer muito.

Teve cada coisinha que já vestiu a camisa da seleção…

Em 2001 Emerson Leão apostou numa seleção caseira e convocou vários jogadores que atuavam no Brasil. Resultado: apanhou de França, Austrália e perdeu o emprego. O meio de campo daquele time era precioso: Rochembach, a eterna promessa do Internacional; Carlos Miguel, um ex-jogador do Grêmio e de futebol; Ramon, bom meio de campo do Vasco, mas um atleta de clube e Leomar. Sim, o Leomar.

O Leomar fazia uma temporada muito boa pelo Sport e tinha moral com Leão, ex-treinador do Leão. Chegou e recebeu a braçadeira de dono do time. Sabe quanto jogadores ganharam o posto de capitão logo na estréia? Nem eu. Mas foram pouquíssimos.

Além do nobre Leomar, que nunca teve outra chance com a camisa da seleção, tínhamos no grupo: Irênio (Portuguesa), Robert (Santos) e Magno Alves (Fluminense). Brabo.

Sabe qual era a o ataque do primeiro jogo do Brasil válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2002? Jardel e Élber. Dois centroavantes de ofício plantados na área enquanto um incansável Rivaldo corria para um lado e para o outro. E, até a Copa de 2002, depender somente do Rivaldo não era uma boa estratégia.

Não que Jardel e Élber sejam jogadores ruins. Mas essa dupla ofensiva não podia dar certo. E nem deu. No banco dois atacantes de velocidade esquentavam o banco: Edilson e Ronaldinho Gaúcho.

Final de jogo: Colômbia 0 x 0 Brasil. E Élber e Jardel nunca mais jogaram juntos.

Responda rápido e sem pesquisar no Google: quem era o lateral direito reserva na Copa do Mundo de 1998? Difícil, né? Pois foi o Zé Carlos. Ex-jogador de São Paulo, Grêmio e Ponte Preta, Zé jogou aquela partida histórica contra a Holanda. Aliás, "jogou" é bondade.

A atuação de Zé Carlos foi pitoresca. Ele não atacou, não defendeu, não armou e não mostrou motivos para estar naquele grupo de 23 jogadores. Foi escalado contra a Holanda devido uma suspensão do títular Cafu. Passou boa parte do jogo correndo sem sair do lugar e saber que fazer com a bola. Fez o brasileiro sentir saudades do Cafu. Isso resume tudo.

Hoje Zé Carlos ganha a vida como um feliz e bem sucedido empresário de jogadores.

Quem diria, até o glorioso Luis Felipe Scolari já teve seus dias ruins. E vários. Enquanto a nação suplicava a convocação de Romário, Felipão preferiu Esquerdinha, ex-jogador do São Caetano. Além disso, chamou em 2002 uma dupla absolutamete bizarra: Edilson e Vampeta.

Qual era a função de Edilson e Vampeta naquela Copa do Mundo? Contar piadas na concentração, só se for. Por mais teimoso que Felipão seja, não havia lugar para eles no time. Reza a lenda que eles estavam na Ásia somente para descontrair o grupo mesmo. Bom, como deu certo, ponto para a comissão técnica.

E eu só lembrei que o Vampeta havia sido convocado devido as cambalhotas na rampa do planalto.

Abel Braga e Zé Sergi em 1878, Valdir Peres em 1982, Josimar e Elzo em 1986, Paulo Sérgio e Ronaldão em 1994… Isso para ficarmos só com os que foram à Copas.

Mais alguém? Me ajude nos comentários. E comece a apostar em quem será o novo técnico da seleção.

¹ Em breve teremos blogueiro novo na praça.

² Alguém já iniciou a campanha "Fica Dunga"? Pois fica na China!

³ Peço desculpas pela demora na atualização do QMaT. Enfim, as coisas voltaram ao normal. :)

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Brown, Jackson e Prince


Ando sem tempo até para ver os jogos do Grêmio. Para evitar ameaças de morte e comentários do tipo "atualiza a porra desse blog", vou repetir a fórmula do post anterior.

O ano: 1987. James Brown chama Michael Jackson, no auge de sua forma, para dar uma palhinha no palco. Espetáculo. Logo depois surge, nas costas de um segurança, o talentoso Prince. Completamente chapado, ele dá uma enganada com a guitarra e destrói o cenário.

História pura.

Merece um post maior? Merece. Mas é o que temos para o momento.

Amanhã tudo se ajeita. Espero eu.

¹ Dica psicografada do Mexas.

² A torcida gremista aclama: "Me Perdoa, Celso Roth!"

³ Ainda não acabaram os Jogos Olímpicos e Michael Phelps já tem uma Serra Pelada no pescoço.

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Sweet George


Há músicas. E há Isn't It A Pity.

Todo homem precisa ouvir algo do George Harrison pelo menos uma vez por semana.

Duas, duas vezes.

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Dossiê Rocky Balboa


O ator Jackie Chan disse: "a primeira vez que vi Rocky foi no cinema. Ao final do filme, voltei correndo para casa disposto a treinar até ser o melhor. Devo muito da minha carreira para aquela história de vida e perseverança".

Perseverança, esse é o grande apelo do filme Rocky - Um Lutador (1976). Ao contrário do que muita gente pensa, Sylvester Stallone não escreveu o roteiro baseado na vida do pugilista Rocky Marciano, mas sim após ver a fatídica luta entre Chuck Wepner e Muhammad Ali em 1975, quando Wepner resistiu aos golpes de Ali até o último assalto.

O filme foi aclamado pela crítica da época. Até hoje, ao lado de Touro Indomável (1980), é considerado o melhor roteiro sobre boxe já escrito. Na sequencia vieram outros quatro sucessos comerciais, mas nenhum tão marcante quanto o primeiro.

Já em 2006, mais de 15 anos após o pior filme da série, Stallone decidiu tirar o moletom cinza do armário e voltar aos ringues. Rocky Balboa (2006) foi uma digna e memorável conclusão para uma inesquecível história. Além disso, o filme é repleto de homenagens e mensagem de motivação e otimismo. Vamos aos fatos.

Em Rocky Balboa, após trecho de uma luta de Mason Dixon, são exibidas imagens da cidade Filadélfia. A música que toca ao fundo é a mesma cantada por um grupo de moradores de rua em Rocky - Um Lutador.

As cenas de Rocky na feira é externa. Elas foram gravadas na rua, com trabalhadores comuns. Em alguns momentos é possível ver o espanto de alguns clientes com a visita inesperada.

Um homem é visto lendo a Bíblia na primeira passagem dentro do restaurante do Rocky. Trata-se de Spider Rico, personagem do ator Pedro Lovell que participa também do filme de 1976. É ele que luta com Rocky logo na primeira cena daquele filme.

O roteiro que Rocky e Paulie fazem no aniversário da morte de Adrian é o seguinte: J&M Tropical Fish, pet shop onde Rocky ia somente para ver aquela que seria sua futura esposa; a casa número 1818, onde Rocky morava; terreno onde havia uma pista de gelo, local do primeiro encontro do casal.

Nem todo mundo reparou, mas o ator que interpreta o filho de Rocky, Robert Balboa Jr. (Milo Ventimigla), e Stallone possuem um problema físico em comum: a boca torta.

O Lucky Seven Tavern, onde Rocky encontra Marie, fica exatamente no lugar da antiga academia que Mickey (Burgess Meredith) trabalhava.

"Só porque tiraram sua estátua?", é pergunta de Paulie quando fica sabendo que Rocky deseja voltar a lutar. A tal estátua foi doada por Stallone em 1982 como um agradecimento à cidade da Filadélfia. Alguns curadores não consideravam a estátua a altura do acervo do Museu de Arte da Filadélfia, então mandaram retirar a obra. Logo após a estréia do sexto filme, em 2006, ela voltou ao seu lugar.

O quadro que está na parede do restaurante é a cena final de Rocky 3 - O Desafio Supremo (1983). A tela reproduz os socos de Rocky e Apollo Creed.

As capas de revistas como Newsweek, Life, Sports Today e Sports Illustrated observadas por Steps (James Francis) exibem, na maioria, partes do terceiro filme.

Acho primorosa a cena do diálogo entre Rocky e seu filho após o anúncio da luta. Rocky Jr. diz para o pai que ele não precisa lutar. Assim, ouve uma lição que vale para muitos:

"Você cresceu maravilhoso. Eu dizia para sua mãe que você seria a melhor pessoa do mundo. Quando chegou a hora de virar homem e ganhar o mundo, você foi. Mas em algum lugar, você mudou. Deixou de ser você. Você deixou se convecer que não é bom.

E quando a coisa apertou, começou a procurar algo para culpar. Como uma grande sombra. Vou dizer algo que você já sabe: o mundo não é feito de arco-íris. É um lugar ruim e duro. E não importa o quão forte seja, vai colocá-lo de joelhos e vai deixá-lo lá. Ninguém vai bater mais forte que a vida.

Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha.

Se tem valor, busque o que é digno de você. Tem que estar disposto a apanhar, não levar dedo na cara, dizendo que não é o que deseja por causa de ninguém. Covardes fazem isso, você não é assim, é melhor que isso.

Sempre vou amar você, não importa o que acontecer. É meu filho e é meu sangue. É a melhor coisa da minha vida. Mas se não acreditar em si mesmo, não terá uma vida."

Segundo o túmulo presente em Rocky Balboa, a morte da personagem Adrian ocorreu em 11 de janeiro de 2002. A causa foi câncer.

A sempre empolgante cena do treino nos leva mais uma vez ao filme de 1975: copo com três ovos crus e socos no frigorífico.

Aliás, ainda no treino, não podia faltar a antológica trilha Gonna Fly Now, de Bill Conti. Além dessa, outra música ficou muito famosa: Eye of the Tiger, do Survivor. Em 1983, The Temptations gravou sua hilária versão coreografada.

A música que Rocky entra no ginásio é High Hopes de Frank Sinatra. Canção essa muito cantada pelo Rat Pack durante a candidatura de John F. Kennedy.

A cena final é curiosa. Os cortes e a fotografia fogem do padrão do filme, dando a sensação ao espectador de ser uma luta de verdade. As cenas foram registradas antes da luta entre Bernard Hopkins e Jermaine Taylor, em 3 de dezembro de 2005.

Conheça também os dossiês De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.

¹ Dica: Desaforo.

² Tá no ar! O Judão nas Olimpíadas surge com só o que realmente interessa sobre os jogos.

³ Cast Zone. Tema: "Os grandes shows de nossas vidas. Ou não". E com participação deste blogueiro :)

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Os melhores riffs de guitarra de todos os tempos


Segundo a MTV, riff de guitarra é sequência de notas e/ou acordes que serve como base e determina o formato sonoro das canções. As vezes é usado como ponto de identificação da música. Já o solo, esse sim bem mais popular, é o momento onde o músico apresenta-se destacando seu instrumento. Solo vem do italiano, sozinho.

Pois bem, embalados pela centenas de listas que pipocam diariamente na blogosfera, eu e Dorly Neto (músico e blogueiro nas horas vagas) decidimos criar polêmica com um tema históricamente difícil de ser tratado: os melhores na música. Isso jamais foi simples. Mas, como disse certa vez, que graça teriam as listas se não fosse para serem discutidas?

Antes, duas considerações: a sequencia de músicas é aleatória. E outra: não sou músico. Desafino até tocando campainha. O critério de escolha foi o mesmo usado no CR: a sem vergonha da minha opinião. Para completar, reproduzo um trecho do post de Felipe Neto: "Seja na caixa de comentários ou no seu blog, façam seus próprios ranks, não guiem-se pelos outros".

Rock And Roll, modafoca.

Black Sabbath - Heaven and Hell
Disco: Heaven and Hell
Ano: 1979

Surge na época do tão aclamado New Wave Of British Heavy Metal. Hino dos fãs de Black Sabbath.



AC/DC - Thunderstruck

Disco: The Razors Edge
Ano: 1990

Um dos mais violentos e emocionantes riffs da música. Autoria do gênio Angus Young's.


Led Zeppelin - Heartbreaker

Disco: Led Zeppelin II

Ano: 1969

Memorável momento de Jimmy Page. Segundo a revista Guitar World, o 16º maior riff de todos os tempos.


Beatles - Helter Skelter
Disco: White Album
Ano: 1968

Para muitos é o primeiro heavy metal. Ringo Starr, no final da canção, grita raivosamente: "I've got blisters on my fingers!" (estou com bolhas nos meus dedos). É como se esta frase fosse o empurrãozinho final para que outras bandas começassem a criar um som mais pesado.


Rainbow - Kill the King

Disco: On Stage
Ano:
1977

Ritchie Blackmore consegue colocar todo seu virtuosismo em apenas uma música. Em Kill the King você pode sentir todos os elementos essenciais em um rock de verdade: feeling, agressividade e criatividade.


Jimi Hendrix - Voodoo Chile

Disco: Electric Ladyland
Ano: 1968

A guitarra inimitável de Jimi Hendrix numa harmonia fantástica. Som perfeitamente desafinado e alinhado com tudo o que envolvia o final dos anos 60. Até hoje é figurinha carimbada em comerciais e filmes sobre aquela década.


Mötley Crüe - Wild Side

Album: Girls, Girls, Girls
Ano: 1987

Sexo, drogas e rock'n'roll. Essa fórmula alcançou seu clímax na década de 80 com o crescimento do Hard Rock e do Glam Metal. Umas das bandas mais influentes da época são os garotos de Los Angeles, o Mötley Crüe. Nas letras, destaque para as noitadas, excesso de drogas e muitas mulheres.


Deep Purple - Lazy
Disco: Machine Head
Ano: 1972

Juntamente com Ian Paice, Ian Gillan, Roger Glover e Jon Lord, Ritchie Blackmore criou o precioso Machine Head de 1972. Destaque para a música Lazy, com sua batida jazz.


Ain't Talkin Bout Love - Van Halen

Disco: Live

Ano: 1978

Um dos melhores riffs de Eddie Van Halen. Repleto de agressividade e com uma melodia facilmente contagiante.


Eric Clapton - Layla

Disco: Layla and Other Assorted Love Songs
Ano:1970

Além de uma história fantástica, Layla é sem dúvida uma das obras primas de Eric Clapton. Merece estar em todas as listas.

Publique-se, cumpra-se e registre-se. É a nossa lista.

Por favor, discordem.

¹ Conheça mais o trabalho do Dorly visitando o Capetalismo.

² O Ian Black prometeu um eclipse. Eu não duvidaria do Ian Black.

³ Queremos saber: quanto custa um título de campeão brasileiro de futebol?

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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A Olimpíada ou as As Olimpíadas?


Há poucos dias do início da maior celebração do esporte mudial, somos viemente bombardeados por uma enxurrada de informações, curiosidades e fatos corridos na sede da maioria das competições, Pequim. Se por um lado os Jogos Olímpicos cumprem seu papel derrubando qualquer estereótipo capcioso que tínhamos sobre o oriente, por outro somos obrigados a ouvir as mesmas ladainhas de oportunistas e autoridades.

Qual o conceito de "espírito olímpico"? Se existe um, trata-se de participar. Ser leal. Ser justo. Vivenciar a honra e orgulho de representar a nação frente ao mundo. O verdadeiro atleta olímpico vai aos Jogos pela participação. Claro, evidente que todos querem o ouro, o título de melhor. Mas participar de uma celebração dessas, desfilar na abertura, passar 20 dias na Vila Olímpica, conhecer outros atletas, trocas experiências, tudo isso faz parte da mística que envolve os Jogos.

Wlamir Marques, ex-jogador da seleção brasileira de basquete, tem uma história interessante sobre sua participação nos Jogos Olímpicos. No Jogos de 1964, no Japão, Wlamir foi o responsável por carregar a bandeira brasileira durante o desfile das delegações na cerimônia de abertura.

No ensaio, Wlamir observou que atletas de outras nações curvavam suas bandeiras ao passarem por autoridades japonesas. Em dúvida, questionou o chefe da delegação nacional, tenente-coronel Paulo Meireles, se devia fazer o mesmo. A resposta que o jogador recebeu foi primorosa:

- "A bandeira brasileirão não se curva à ninguém".

Assim, contrariando todos os outros atletas e o protocolo, Wlamir foi o único atleta a cruzar todo o estádio com a bandeira o tempo todo em riste.

A minha função, espero eu, é não deixar você se enganar. Principalmente o jovem quem vai acompanhar os Jogos Olímpicos pela primeira vez. Passada a euforia do Pan do Rio de Janeiro, onde o Brasil conquistou 161 medalhas, sendo 54 de ouro, chegou a hora de encararmos a primeira divisão do esporte. De igual para igual, claro, com o sentimento indispensável de competição. Porém, com o amargo peso de país de terceiro mundo.

Nossos atletas do atletismo, por exemplo. Aguardam ainda hoje uma profissionalização prometida em 1952, quando o grande Ademar Ferreira da Silva ganhou a medalha de ouro e criou a volta olímpica. Meio século passado, não temos um plano de incentivo ao esporte que possa fazer frente a países menores como Cuba e Jamaica.

Com isso, grande parte dos atletas divide o tempo entre trabalho e treinos, sendo claramente prejudicada. Curiosamente, ou não, um dos poucos brasileiros profissionais nessa modalidade é a nossa maior esperança de medalha no atletismo. Jadel Gregorio há quatro anos treina e mora na Inglaterra. Tem acompanhamento físico, técnico e psicológico. Assim, pulou 17,90m, quebrando o recorde sul-americano que pertencia a João do Pulo desde 1975.

Jadel é uma exceção. Grande parte de outros brasileiros vão às pistas, piscinas e tatames sabendo que não têm chances. Homens e mulheres que batalham diariamente na vida e no esporte. Felizes. Satisfeitos. Estão nos Jogos Olímpicos, representam o Brasil. Sabem que não vão ganhar. Mas, e daí? Querem conhecer, aprender, quem sabe, surpreeender.

Sem incetivo, sem condições de treinamento, sem o mínimo de apoio, o Brasil tem 469 integrantes com índice olímpico. Porém, a velha máxima se faz outra vez: "quantidade não é qualidade".

Desse número recorde de atletas brasileiros numa única edição de Jogos Olímpicos, somente 12 têm reais chances de ganhar uma medalha. A previsão é da PWHC, uma das maiores empresas prestadoras de serviços do mundo, especializada em consultoria e auditoria.

O estudo é baseado em desempenho anteriores nos Jogos Olímpicos de 1988 para cá, em índices de desenvolvimento de cada país, suas populações, produtividade, crescimento econômico e incentivo ao esporte. E é essa última parte que "nos quebra".

Se o sr. Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, se vangloria tanto do alto número de atletas brasileiros, respondemos com outro dado. Somente 12% das escolas brasileiras possuem quadra poliesportiva. Um número ridículo. Afinal, se na escola, local onde a criança costuma ter seu primeiro contato com o esporte, não há onde praticar, como formaremos esportistas no futuro?

A grande mania do brasileiro: pensar no hoje. O amanhã é problema do próximo ministro ou presidente. Se há uma saída, uma possibilidade do panorama esportivo no Brasil mudar, os responsáveis são justamente os atletas amadores. Brasileiros que não vão correr somente em busca de uma quase impossível medalha. A partir de quinta-feira, eles vão correr atrás de dignidade.

Vou vibrar com uma medalha de ouro no futebol. Vou vibrar com uma medalha no vôlei. Mas, tenho certeza, ficarei ainda mais feliz com um inacreditável quinto lugar no boxe ou uma apresentação digna no 400m. Só dessa forma, só sendo notícia para que esses atletas sejam lembrados e respeitados. Assim, mudarem a história do esporte desse país.

Boa sorte aos que merecem.

¹ O termo Olimpíada foi criado para destacar a corrida na Grécia Antiga. Já o termo no plural, Olimpíadas, é como ficou conhecido o evento que reúne várias disputas simultâneas, com vários esportes. Resumindo, o "correto" é o mais usado pelos meios de comunicação: as Olimpíadas.

² Na dúvida, use Jogos Olímpicos.

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Fácil leitura


Pesquisas recentes apontam que o brasileiro lê em média menos de cinco livros por ano. Desses, quatro obras são indicadas pela escola e apenas uma é escolhida de forma espontânea. O universo da pesquisa divulgada pelo Instituto Pró-Livro foi de 172,7 milhões de pessoas, das quais 95,6 milhões foram consideradas leitoras. Contudo, mais da metade são estudantes que lêem obrigatoriamente as obras indicadas pela escola.

A leitura não pode ser vista como obrigação, mas sim como um hábito. Durante a faculdade trabalhei num projeto de incentivo à leitura entre universitários. É muito difícil alguém pegar gosto pelo livros depois da adolescência, mas alguns casos são de sucesso. Nesse processo de iniciação, claro, devemos evitar os grandes e mais complexos clássicos. A melhor forma de perder esse medo dos livros é explorando melhor um gênero que costuma agradar a maioria: humor.

Há vários e ótimos livros de humor. Leituras simples, leves e agradáveis. Talvez, sua porta de entrada para o mundo dos livros. Eis algumas sugestões:

Título: O Melhor Livro Sobre o Nada
Autor: Jerry Seinfeld
Editora: Frente/2001
Páginas: 160

Preço: R$ 20

Reproduz algumas historinhas e piadas que Seinfeld contava quando era um stand-up comedian. Politicamente incorreto, Seinfeld ironiza todas as minorias, inclusive os judeus. Ele é um gênio, e parte da genialidade está no postulado básico de saber rir de si mesmo.

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Título: Crônica da Selvageria Ocidental

Autor: David Coimbra
Editora: Zero Hora/2002
Páginas: 116
Preço: R$ 20

Ótima coletânea de 26 contos de David Coimbra publicados no jornal Zero Hora que desvendam saborosamente as paixões, os desejos, as traições e as vinganças de personagens que, não raras vezes, foram criados à imagem e semelhança de nós próprios. Editado durante a Copa do Mundo de 2002.

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Título: Comédias Para se Ler na Escola
Autor: Luis Fernando Veríssimo
Editora: Objetiva/2001
Páginas: 192
Preço: R$19,80

Segundo e um dos mais bem criticados livros da série Ver!ssimo, que relançou toda a obra do autor. A coletânea de crônicas escolhidas por Ana Maria Machado traz o universo das histórias e personagens do mestre Luis Fernando Veríssimo. Leitura agradabilíssima e de fácil digestão.

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Título: Fora de Órbita

Autor: Woody Allen
Editora: Agir/2007
Páginas: 224
Preço: R$27,90

Último livro do ator, escritor e cineasta Woody Allen. Allen apresenta, com seu talento, bom humor e criatividade característicos, uma primorosa coletânea que, segundo o autor, responde as questões mais profundas da existência humana e também tem o tamanho certo para calçar uma mesa.

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Título: Tudo e Mais uma Surpresa
Autor: Ray Romano
Editora: Frente/2001
Páginas: 185
Preço: R$19

Ray Romano, roteirista e protagonista de "Everybody Loves Raymond", retrata de forma bem-humorada o cotidiano de sua família. Carrega um modelo de escrita que lembra muito o usado em blogs. Uma grata surpresa.


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Título: O Guia do Mochileiro das Galáxias
Autor: Douglas Adams
Editora: Sextante/2005
Páginas: 192
Preço: R$20

Um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas instituições atuais. Comece com esse e conheça o resto da série. Mas nem pense em ver o filme.

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Título: Brasileiros Pocotó: Reflexões Sobre a Mediocridade que Assola o Brasil

Autor: Luciano Pires
Editora: Panda/2004
Páginas: 151
Preço: R$26,90

Brasileiros Pocotó, com suas 151 páginas em linguagem simples e direta, cartoons bem humorados e temas atuais é uma reflexão bem humorada não somente sobre política, educação, economia, comportamento e principalmente, sobre a inocência (ou ignorância) do povo brasileiro ao aceitar o que lê, ouve ou assiste em horário nobre.

Leia. E, principalmente, divirta-se.

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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Xinga, Alicate!


Na semana onde comemoramos o primeiro título sul-americano de um clube gaúcho, voltei a refletir sobre a arte de ser zagueiro. O requisito básico, pode ter certeza, é ser feio. Observe os grandes zagueiros. Eram todos feios, muito feios. Atílio Genaro Ancheta talvez seja uma excessão, mas o que dizer de Hugo De Léon? De León é o símbolo máximos dos defensores. Barbudo, desengonçado, grosso e violento. Isso que é zagueiro. Não sabe nem ler o De Léon, até hoje.

Sabe quem também jogou muito na zaga? O Alicate. Não manja o Alicate, né? Pois eu vou dizer quem foi Alicate. Alicate foi o maior jogador que já passou pelos campos de várzea do Brasil. Carioca, foi injustiçado e nunca aceito nos times fluminenses. Um jogador que certamente seria ídolo no Rio Grande do Sul, região onde, no seu campeonato estadual, do pescoço para baixo tudo é canela. Jogo de homem é o futebol de lá, de homem.

Alicate tinha as pernas tortas, por isso a alcunha. Sempre preferiu o Rivarolla, achava o Gamarra muito metrosexual. Alicate não sorria. Nunca. Tinha um chute forte tratado como arma mortífera do nosso time. Quando a coisa estava feia, Alicate se mandava para o ataque. Ficava de costas para o gol como se fosse fazer o pivô, mas não tocava a bola. Apenas virava o corpo e soltava uma chicotada. "Ziiiiiiiiiu" fazia a esfera, colocando adversário, goleiro, juiz, tudo pra dentro do gol.

Alicate era zagueiro.

Num sábado qualquer, após nova vitória sobre o Uirapuru, realizávamos nosso tradicional ritual de comemoração no boteco da Beti. Tudo parecia normal até o relógio acusar a meia noite. Surge no respeitoso estabelecimento uma jovem. Mas não engane-se, não é uma jovem qualquer. É um jovem, baixa e de seios grandes. E você sabe como são as jovens baixas e de seio grandes: nefastas.

O que mais surpreendeu foi a atitude da jovem, baixa e de seios grandes. Os olhos dela miravam Alicate. Ela o desejava loucamente. Volta e meia ela olhava, sorria, olhava de novo, bebia e, no final, sempre sorria. Alicate viu. Eu vi. O Daniel Soares viu. Aquela era a noite do zagueiro.

Lembando que Alicate, pé frio em relacionamentos, nunca se deu bem com as mulheres. Normalmente era o Buricá, nosso meia esquerda, que tinha as melhores chances. Em campo nos colocava na cara do gol, fora dele matinha um excelente aproveitamento dentro da área. Alicate, não. Tanto que tal situação criou expectativa no time, pois viviamos uma novidade.

O zagueiro, no melhor estilo zagueiro, não quis perder a chance. Pensou como um matador. Um centroavante. Foi em direção à moça sem tropeçar e distribuindo cotoveladas em quem estivesse no seu caminho. Não houve tempo para cantadas, drinks ou coisas do tipo. Pegou-a pelo braço e disse:

- "Hoje tu és minha".

Poucos minutos depois os dois já caminhavam, de mãos dadas, até a saída. A atmosfera do ambiente acusava o início de uma longa noite. No bar, festejávamos a vitória do time e brindávamos pela felicidade de Alicate. No carro, o zagueiro via que a festa estava apenas começando. No quarto de um motel vagabundo de BR, ela se fez.

Logo ao entrarem, a jovem, baixa e de seios grandes, tal como uma jovem, baixa e de seios grandes, atacou Alicate. Ele, meio assustado, não se fez de lateral direito (laterais direitos são péssimo com mulheres) e foi entrando no ritmo. Rapidamente já se via despido na cama com a nefasta jovem, baixa, de seios grandes e, agora, finalmente despidos.

Enquanto os dois já copulavam numa velocidade e intensidade frenética, Alicate foi absolutamente surpreendido. Num breve momento de insanidade sexual, inspirada pelo momentos e contrariando todas as leis do amor, da física, da robótica, da astronáutica, da matemática, da retórica e da gramática, a jovem, baixa e de seios grandes despidos disse:

- "Me xinga!"

E disse de novo. Silabicamente e em caixa alta:

- "ME XIN-GA!"

Alicate não sabia o que fazer. Não esperava aquela situação, não tinha ouvido falar de mulheres que gostavam de ser xingadas. Quem gostava de ser xingado? Como xingar alguém assim, do nada? Poxa, ele gostava dela. E não entendia dessas coisas. Era um cara tradicional, nem de preliminares ou camisinhas de hortelã curtia.

Quando a jovem, baixa e de seios grandes e despidos já perdia a paciência e gritava aos socos "me xinga, me xinga, me xinga", Alicate, com a serenidade de um auxiliar técnico e inocência de um quarto árbitro, enfim, xingou:

- "Sua gorda!"

A respiração diminuiu. O nheco-nheco da cama parou. Agora, os únicos gemidos eram do filme vagabundo que passava na TV. A jovem, baixa e de seios grandes e despidos levantou-se, vestiu-se e, antes de chamar um taxi, simplesmente disse:

- "Seu zagueiro".

Eis o problema de Alicate. Ele era zagueiro. Nunca será um amante. Nunca será um, tipo, meia esquerda.

Nunca será.

¹ Essa crônica foi postada originalmente no Xpock. Após uma breve tangerinada, é a vez de aparecer no QMaT.

² Agradeço meu camarada Luiz pela camiseta enviada. Valeu, bizonhento.

³ Uma luz para os blogueiros sedentários.

Fred Fagundes

Fred Fagundes
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