Aconteceu no Grêmio e Portuguesa, o útimo jogo da rodada deste final de semana do Campeonato Brasileiro. Aos 48 minutos do segundo tempo, numa partida definida, o árbitro Marcelo de Lima Henrique marcou falta do zagueiro paulista Hálisson em Soares. O homem de preto caminhou em passos curtos com o cartão amarelo até o local da infração, já o zagueiro deu as costas e volto para a área. Não devia.
Marcelo de Lima apitou uma vez. Apitou duas. E o Hálisson nem tchum. Apitou três. E o zagueiro, com a cabeça quente depois de tomar a virada num jogo em que seu time dominou os 90 minutos, seguiu caminhando até sua posição. Aí o árbitro despirocou de vez. Correu de forma surpreendente, tirou o cartão vermelho do bolso, olhou feio para o atleta e o expulsou. Expulsou com força. Quase, mas quase mesmo, esfregando o cartão e o apito na cara do jogador.
Agora, vem cá. Não é um exagero?
Não é de hoje que observamos uma prepotência imensurável na arbitragem brasileira. Criou-se sobre esse cidadão um status de excelência e absoluta autoridade reforçado pelas punições absurdas do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Um jogador de futebol pode ser punido de 2 jogos até 120 dias longe dos gramados. O árbitro, não. No máximo uma rodada na geladeira sem apitar.
Dar todo esse poder ao árbitro de futebol é um grande erro. Isso não só inibe o jogador como também dá brechas para o apitador fazer o que bem entende. Os campos brasileiros estão repletos não somente de péssimo ábritros, mas também de figuras arrogantes. Observe como a antipatia do torcedor com a arbitragem, em outrora folclórica, passou a ser algo pessoal.

Sim, as transmissões de TV e as dezenas de ângulos contribuem para que os equívocos sejam comprovados. Porém, são com essas mesmas imagens que o STJD registra a simulação, a falta violenta ou a atitude antidesportiva que pune o atleta. Ou seja, a tecnologia não é usada, com a mesma frequência, para discutir a atuação do árbitro.
Hoje, o tempo que o árbitro fica dando uma "punição verbal" - como dizem os comentaristas - é altamente perdido. Ele tem dois cartões para justamente não precisar falar. Procure ver o esporro que o Carlos Eugênio Simon deu no Valdívia no jogo de domingo contra o São Paulo. Desnecessário. Tempo de bola parada. E quem perde é o torcedor.
Existem técnicos que não sabem qual time escalar sábado, pois três jogadores vão a julgamento quinta-feira por uma expulsão mês passado. O Roger Flores, por exemplo. Aquele que foi jogar no Oriente Médio, ex-Grêmio. Caso volte para jogar em clube do Brasil daqui, sei lá, três anos, o Roger vai ter que ficar cinco jogos de fora. Isso porque escondeu um radinho de pilha atirado no gramado do estádio Olímpico no Grenal.
Sabe, coisas tão idiotas, tão ridículas. Ao invés de se preocuparem com a qualificação da arbitragem e, quem sabe, profissionalizar a classe - sim, árbitro não é profissão. O Simon, por exemplo, é jornalista. E o Márcio Rezende de Freitas tem uma imobiliária -, o STJD e a Comissão Nacional de Arbitragem procuram essa picuinhas, essa atitudes deploráveis, pequenas.
Um árbitro está sujeito a erro, sim. Mas são raríssimos os que assumem. Não vai mudar nada, é verdade. Mas pedir desculpas é uma atitude nobre. O problema é que sempre surge uma desculpa do tipo "havia um outro jogador na frente que atrapalhou a visão do árbitro". E o que ele aprende na escolinha de arbitragem, cáspita? Será que na grade não existe uma disciplina ou módulo "posicionamento".
Nossos árbitros são péssimos, burros e arrogantes. E isso é péssimo. Um erro pode mudar a sequencia de todo um campeonato (vide Márcio Rezende de Freitas em 2005). E muitas vezes esses erros bobos são causados pela falta de preparo, estudo, qualificação. Falta de vergonha na cara, de humildade em admitir que não está bem e precisa estudar.
Outra coisa: comentarista de arbitragem. O Arnaldo Cesar Coelho foi até um bom árbitro e merece desconto por aguentar o Galvão Bueno tanto tempo. Agora, José Roberto Wright é sacanagem. Além de garfar o Atlético MG na Libertadores de 1981, Wright chegou a entrar com um, vejam vocês, microfone escondido no uniforme.
Na época, jogadores de Flamengo e Vasco admitiram que Wright exagerou nas broncas só para "aparecer".
A arrogância no apito não é de hoje. Percebe-se.
Aliás, hoje, quando o jogo é importante, a maior dúvida da torcida não é o ataque ou o esquema tático. É quem apita. O árbitro está tomando toda a atenção do espetáculo. Não pode.
Ou mudam isso, ou vamos providenciar de uma vez por todas a ida dos nossos árbitros, também, para o Catar.
Fred Fagundes
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Comentários:
primeiro! yeah!
é, arbitro de futebol as vezes faz umas idiotices sem tamanho… mas essa do microfone nem achei tão absurdo, até achei legal. claro, pelo que parece ele mudou um pouco a postura dentro de campo por conta disso, erradíssimo, mas a idéia em si parece boa. devia ter comunicado aos times antes, até ao STJD. mas, a idéia em si não é ruim..
Concordo com boa parte do texto.
Concordo mesmo.. Concordo com os árbitros serem ruins e despreparados, alguns arrogantes, tudo mais…
O STJD só faz cagada. Futebol é esporte pra HOMEM e punir alguém por um lance perigoso é coisa de VIADO. Afinal, futebol veio do Rugby e pontapé, soco, é coisa de jogo. Expulsa na hora e pronto.
Mas, se eu fosse o juiz do jogo da Lusa eu expulsaria, sim.
Amarelo pela falta, e outro por desrespeito. Vermelho.
Bom texto. De fato, a arbitragem no Brasil é sofrível. Muita gente pouco competente, despreparada, e que acabou alçada ao status de protagonista num palco em que deveria ser, no máximo, um mero coadjuvante.
Também concordo que o STJD tem critérios bastante discutíveis de punição, pecando muitas vezes pelo exagero. Mas não peca pela falta. Realmente, os árbitros tem passado muito impunes, mas as tais "atitudes anti-esportivas" dos jogadores tem sido severamente punidas, e com razão, e minha opinião.
Discordo totalmente com o Thiago, que escreveu acima que o futebol "veio do Rugby e pontapé, soco, é coisa de jogo". Pelo contrário, se quiser dar pontapé e soco, melhor seria praticar alguma modalidade de luta. Jogar duro é uma coisa, ser desleal é outra.
E existe a questão dos jogadores. Aqui existem dois vícios dos mais ridículos: a encenação, em que qualquer quedinha ou esbarrão é motivo pra um escândalo equivalente a um atropelamento; e a reclamação, que tanto vemos representada por um enxame de jogadores em cima do juiz em qualquer lance, seja questionando, ou cobrando, ou só enchendo o saco mesmo. Daí que todo jogador brasileiro se lasca quando vai pra Europa, pois o jogo é duro e rola solto, sem muita marcação desnecessária de faltas, e tomando amarelo toda hora, quando encena ou abre a boca pra reclamar.
Assim, ainda temos que conviver com árbitros fuleiros, jogadores mal-acostumados, e nosso futebol ainda semi-profissional, praticamente. E olha que nem foi necessário mencionar as administrações.
Abração, cara!
Faz algum tempo já que a arrogância dos árbitros está evidente no futebol brasileiro. Também concordo que os árbitros devem ser punidos por seus erros, assim como os jogadores são. Mas particularmente no jogo Grêmio x Portuguesa, que eu fui, o zagueiro do time paulista tinha que ser expulso. Foi no mínimo uma falta de respeito com o árbitro, que não pode perder a autoridade dentro das quatro linhas. Ele fez falta clara para cartão, estava parado na frente do juiz, era só receber o cartão e continuar. Mas ele não concordou e resolveu ignorar o árbitro. Imagina se em um jogo a maioria dos jogadores resolvem fazer isso? Não daria certo.
É isso aí! Grande abraço!
Concordo com a sua posição quanto ao exagero dos árbitros em algumas partidas, como a bronca que o Valdivia levou.
Mas quanto ao vermelho que o jogador da Lusa levou eu sou totalmente a favor, o juiz tem que ser respeitado, pois ele é a autoridade naquele momento!
É isso!
Esse comentaristazinho de arbitragem da Globo, naquela garfada do Atlético foi ridículo, isso pq sou flamenguista…
Esqueceu de dizer que naquela garfada, ele viajou no mesmo avião do Flamengo… só vendo o vídeo mesmo…
Certo que os árbritos estão errando demais, mas também as atitudes dos jogadores também são pra lá de arrogantes.
Esse caso mesmo, do jogador que deu as costas, simplesmente acho que foi ridículo por parte do jogador, que depois de receber o cartão foi pra cima pedir desculpas, bla, bla.
Mereceu!!
A arrogâcia da banderinha Ana Paula no jogo do Botafogo, foi gritante e até hoje ela diz que acertou.É uma merda mesmo.
O futebol no Brasil ainda é muito amador. Foi lembrado nos outros comentários que além dos árbitros serem prepotentes, os jogadores são indisciplinados. Ou eles acham que o árbitro vai mudar sua decisão se os 11 jogadores do clube forem para cima dele? Porra, os caras são profissionais, não podem ficar brigando com o árbitro como se estivessem brigando com o árbitro do Winning Eleven. Discussão desse tipo só em pelada ou campeonato amador.
Por isso sou a favor dos estádios instalarem câmeras e um circuito de tv para auxiliar os árbitros, para poderem voltar a jogada, e cada técnico ter o direito de pedir revisão do jogo por, sei lá, uma vez por tempo, em lances decisivos (um impedimento que foi gol).
em vez de "revisão do jogo", digo "revisão do lance".
Belo texto, e podemos resumir em uma única frase sua:
"Nossos árbitros são péssimos, burros e arrogantes."
Sem mais.
Dorly Neto.
Uma merda esse texto… Fuja das polêmicas. Não é o seu forte!!!
Respeito sua opinião. Mas sou a favor da postura rígida do árbitro. Se depender dos jogadores, não haveria futebol. O jogo seria a base de cobranças de faltas e briga.
Árbitros não são burros como dizem. Ninguém leva em consideração a análise que o árbitro interpretou.
Vejamos por exemplo, há o fato de em um jogo, o árbitro marca uma falta normal e solta um cartão amarelo, enquanto numa entrada mais dura ele passa em branco. Considerem que o jogador que fez a falta normal estava o jogo inteiro parando as jogadas com falta, ofendendo os jogadores adversários com palavrões, xingando o próprio árbitro etc. Isso é uma bola de neve, no entanto os ditos "críticos" (coitados…
descem o c*c*te no árbitro de que favoreceu o outro time. Enquanto o jogador que fez a falta forte e não foi punido vinha fazendo uma partida exemplar como atleta, respeitando os adversários etc.
Antes de ir se expressando caro blogueiro, analise bem o você deseja passar de mensagem. Pois, creio que não só eu, ficamos lamentando este texto que você publicou.
Realmente, os árbitros estão cada vez mais arrogantes e já estão se adaptando para esconder-se atrás das câmeras de TV.
O problema em colocar árbitros na geladeira por mais tempo (como acontece com os jogadores) e que tirando fulano, vai apitar sicrano que é pior ainda! Isso tudo vem em de encontro ao que você disse sobre despreparo, mas isso serve ao propósito de Armando Marques, Ricardo Teixeira e seus asseclas, que reinam soberanos no país do futebol.
Só discordo de você quanto ao Arnaldo. Nem ele, nem Wright, nem o talzinho do "Carimba" (Godoy) merecem refresco.
Principalmente esse último, que chegou a dizer num programa de TV que:
"Foi falta. Eu vi! Mas se eu apito, ia decepar o futebol do golaço que foi.
Agora fico na espera por esse post da "frutagem" no futebol!
Abraço!
Eu como Botafoguense nem vou falar nada, o qeu já vi de árbitro errando contr ao Botafogo…
O Campeonato Carioca de 2007 foi ARRANCADO das mãos do Botafogo e colocado no colo do flamengo…
Discordo completamente da sua análise sobre o lance do jogo jogo entre Grêmio e Portuguesa. Não houve exagero, arrogância ou abuso de poder no gesto do árbrito, mas sim uma grande falta de respeito e um péssimo exemplo do jogador da Portuguesa. O zagueiro mostrou uma atitude deplorável: deboche e indiferença diante da lei, descreditando e humilhando o juiz, pondo em risco sua autoridade. Foi punido a altura.
Pois é, tem jogador que merece uma boa apitada no ouvido!
Belo texto Fred.
Pô Fred… o pior é que você é gremista. CERTAMENTE você não viu o jogo. A Portuguesa NUNCA dominou os 90 minutos. O gol deles só saiu por uma cagada inédita do Léo (ok… teve uma cabeçada do Inominável ex-lateral nosso que o Victor fez milagre). De resto eles não fizeram absolutamente nada.
Abraço e DÁ-LHE GRÊMIO!!!
Concordo com quase tudo, menos com a parte que diz que o Wright garfou o Atlético em 81. Eles estavam fazendo cera, catimbando o jogo todo. É claro que quem só assistiu a edição que está disponível no youtube vai ter essa mesma idéia.
Até parece que a seleFla de 81 precisava de alguma ajuda da arbitragem. Pergunte ao todo poderoso Liverpool.
Pior que em 2005, o Márcio Rezende tambem garfou o Santos em 1995.
pois eh… nao sei porque ter capitao no time.. se ele nao pode falat nada com o juiz.. que acaba sendo expoulso… o juiz ta se tornando uma figura intocavel… ridiculo o que anda acontecendo… lamentavel
Texto digno de um especialista. Não entendo nada de futebol, mas adoro ler textos, assistir aos mesas redondas da vida e ouvir comentários de gente que entende. Desse ponto de vista, o futebol é muitíssimo interessante para mim.
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Se eu tivesse um foco, eu faria um blog. E se eu chegasse aos 25 comentários, como contém esse post neste exato momento, seria um homem feliz.
Fantástico texto, acertou em todos os pontos.
Parabéns!!
Olha só, na minha opinião o que deveria acontecer é o seguinte: os três árbitros ficam em uma cabine isolada acusticamente, com um monitor de TV na frente (sem som, para não serem influenciados) e a infração será marcada de acordo com o que os três acharem que aconteceu no lance… simples, vamos usar a tecnologia a nosso favor…


