Guerra 16:9


Nenhum outro cinema consegue vender sua ideologia com tanta eficácia quanto o americano. Nos anos 80, dezenas de produções mostraram ao mundo o perfil do americano sublime superior ao do soviético cinzento. E o pior: foram filmes que formaram meu caráter. Metaforicamente, claro.

Rocky Balboa derruba Ivan Drago no quarto filme da série. Uma cena normal, não fosse a seguinte: dezenas de comunistas carregam um americano no colo. E ele vibra, orgulhoso, com a bandeira de seu país. Balboa ainda discursa com sua boca torta:

"Hoje, eram dois caras se matando nesse ringue. Mas é bem melhor do que vinte milhões. Eu não gostava de vocês quando entrei aqui, nem vocês de mim. Mas passei a gostar, vocês também. Então, quero dizer que, se eu posso mudar, vocês podem mudar, todo mundo pode mudar".

O uso de substâncias ilícitas por parte dos atletas soviéticos também é retratado. Assim como a falta de identificação com a pátria, quando Ivan diz que luta por ele, não pela URSS.

No final, um premiere russo se rende ao americano e o aplaude de pé. Só no cinema.

Mais uma vez, Stallone. John Rambo tem que deixar o mosteiro budista, onde está em busca de paz celestial após matar três Maracanãs de 1950 lotados, para libertar seu mentor (Coronel Samuel Trautman). De quem? Dos soviéticos.

O mais interessante é que o sequestro de Trautman ocorre durante a ocupação do Afeganistão. Para o resgate do coronel, Rambo tem a ajuda de um simpático guerrilheiro chamado "Osama".

Coincidência ou não, são duas horas de russos e modelos de AK-47 indo pelos ares. O filme ainda termina com a mensagem: "Dedicado ao sofrido povo do Afeganistão".

Mal sabiam eles que o sofrimento estava apenas começando…

Eu não podia deixar esse passar: Invasion Usa, de 1984. No clássico, marcado por uma forte dose de pessimismo e violência, o eterno vilão Richard Lynch é um terrorista russo que resolve, literalmente, invadir os Estados Unidos. O problema é que nesse país mora nada menos que Chuck Norris.

Chuck é visivelmente frio e sádico, que não hesita a enfiar uma faca na mão de um vilão durante um "interrogatório" e prefere explodir os inimigos em pedacinhos ao invés de levá-los à Justiça. E assim ele faz com o russo e a quadrilha de mercenários.

O cartaz do filme é um show à parte. Acima da foto de Chuck, algo como:

"Os Estados Unidos não estavam preparados para uma guerra. Mas ele estava".

A paranóia militarista da época, incentivada pelo então presidente americano Ronald Reagan, influenciou o cinema a criar vilões com perfil soviético. Nos anos 90, a indústria, ainda animada com o sucesso desse gênero, foi na onda. Porém, a língua do homem mau mudou para o espanhol, com uma grande série de vilões latinos. Em especial traficantes cubanos ou colombianos.

Já no cinema dos anos 2000, árabes aparece como o mal do mundo. Imagem essa vendida, mais uma vez, com maestria pelo cinema norte-americano em O Suspeito, por exemplo.

A questão central é saber diferenciar a ficção da realidade, principalmente nesses casos. Nada manipula melhor do que a imagem bem editada. Um filme pode ter impacto maior que 10 livros. Shakespeare dizia - e fazia - o seguinte: "tocando o coração da pessoas, elas vão acreditar em você".

Logo, não acredite em Chuck Norris.

¹ Ocorre no dia 7 de junho, em São Paulo (SP), o Encontro de Blogueiros Publicitários. Increva-se já.

² Fernando Kerkhoff me apresentou o "Quer Café?".

³ Além dos de Operação França e SWAT, alguém lembra de um vilão francês?

Fred Fagundes



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Comentários:


Comentário de: Jairo · http://www.rapidinhas.com.br


Bons textos e muita criatividade abraço e sucesso…


PermalinkPermalink 19.05.08 @ 09:13



Comentário de: Alex

o que falar então de Top Gun?? Falcão Negro em Perigo e sua frase de "ninguém será deixado para trás"?


PermalinkPermalink 19.05.08 @ 13:09



Comentário de: nathy · http://onthetvshow.org

meu namorado é cover do stallone ashduiahdiuahdia
acho lindo! hasudhaiud

beijo querido!


PermalinkPermalink 19.05.08 @ 13:23



Comentário de: Daniel Cajal · http://www.milkie.cmo.br

God bless America!
Esses dias eu estava jogando video game, o jogo era Street Fighter2, e no meio da oitava cerveja, comecei a refletir sobre a imagem que os Japoneses tem sobre o resto do mundo atraves dos personagens do jogo, isso rende um artigo cientifico!


PermalinkPermalink 19.05.08 @ 14:12



Comentário de: Fernando · http://www.quercafe.com/

kraa…


esse cartaz do filme do velho chuck deve ter sido o melhor do paint da época … uma edição incrível de imagem heinnn…


stallone tbm formou o meu carácter, com um pouco de magaiver ( macgyver )… eu nao via o chuck com esses olhos de hj, esse temor que a geral passa, só depois dos blogs satirizarem ele mesmo…


PermalinkPermalink 20.05.08 @ 01:50



Comentário de: Stephan

Bom, não é "o" vilão, mas tem o Merovingian, no Matrix 2 e 3…


PermalinkPermalink 21.05.08 @ 14:01



Comentário de: Victor Mazzei · http://www.nadaver.com

ufa, ainda bem que vc não falou mal do Apollo Doutrinador… Esse sim é o lutador patriota!


PermalinkPermalink 21.05.08 @ 16:48



Comentário de: henrique · http://tangerina

eu acho o chuck norris o melhor astro de açao de todos os tempos o cara sempre ta por cima em seus filmesele e sempre estilo durao ele sempre mta sem do e nem piedade e sem falar as lutas o cara bte pra porra sem duvidas nunca vai aver outro astro como CHUCK NORRIS………


PermalinkPermalink 16.07.08 @ 12:44



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Fred Fagundes
8 comentários