13, 14, 15


Coincidências ocorrem o tempo todo. Sou cético em relação a isso. Acho que essas coisas apenas acontecem, distante de ser algo sobrenatural. Principalmente as coincidências inevitáveis sem nenhum significado especial. Mas uma descoberta recente chamou minha atenção.

Nos dias 13, 14 e 15 de maio morreram Chet Baker, Frank Sinatra e Sammy Davis Jr, respectivamente. Três dos maiores gênios que a música deu ao mundo e, coincidentemente, meus músicos preferidos. E essa preferência tem motivo:

Quando bebê, eu era colocado para dormir ao som de It's Always You, As Times Goes By e One More for the Road, canções magistralmente interpretadas pelos músicos citados.

Meu pai ainda se orgulha disso. E, cá entre nós, eu também.

Chet Baker simplesmente me fez gostar de Jazz. Criador do "west coast jazz", ritmo lançado e popularizado por Miles Davis, foi também importante para a criação da Bossa Nova - apesar de alguns fanáticos ainda acharem que a bossa que influenciou o jazz.

Nos deixou cedo, em 13 de maio 1988. Nos anos 70 e 80 gravou seus melhroes discos, como Brazil Brazil Brazil e Blues for a reason. Baker cravou uma incrível marca de 150 discos gravados. Entre eles, clássicos como My Funny Valentine, My Buddy e Let's Get Lost.

Francis Albert Sinatra. Ou the blue eyes. Se preferir, the voice. O maior cantor de música popular da história morreu em 14 de maio de 1998. Pode-se dizer que esse homem faz parte da história dos Estados Unidos. Foi pivô do relacionamento entre John Kennedy e Marilyn Monroe e desafiou Elvis Presley - para depois render-se ao Rei.

Sinatra era como um anjo que desceu ao inferno. No cinema ou na música, não importa, sempre será o maior. E único que consegue ser charmoso segurando um cigarro entre os dedos médio e anular vestindo um terno roxo.

"Sou a favor de tudo que ajuda a atravessar a noite - seja uma oração, tranquilizante ou uma garrafa de Jack Daniels." - Frank Sinatra.

Ao lado de Dean Martin, era a veia cômica do Rat Pack. Não apenas um intérprete diferenciado, ele era ator, dançarino e apresentador. Aliás, foi o primeiro negro a estrelar seu próprio programa de TV.

Sammy Davis Jr. dominava o palco. Suas apresentações são lendárias. Certa vez Martin Scorsese disse: "Sammy não precisa de sua voz. Mesmo se fosse mudo, ele continuaria sendo o show". Vítima de cancêr, morreu em 15 de maio de 1990.

Foi um homem que venceu o preconceito e soube fazer piada com suas incapacidades. Grande humorista. A prova está nesse video, onde Sammy imita diversos músicos da época, como Fred Astaire, Nat 'King' Cole e Tony Bennett.

Três dias, três gênios.

O mundo teria mais graça se a música voltasse a tocar.

Fred Fagundes



Posts similares:
Frank Sinatra with The Red Norvo Quintet (1959)
Ladrões de fogo
I want to be a part of it, Manaus, Manaus...

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: katikuta · http://www.imagevisiondesign.com

Lindo texto, XuXu… realmente em meio a tanto "ruído" que hj em dia chamam de música, talentos como esses é que ainda fazem a diferenca… simplesmente imortais em sua arte! :-****


PermalinkPermalink 15.05.08 @ 18:58



Comentário de: Daniel Cajal · http://www.milkie.cmo.br

Verdade, a música não é mais a mesma…
Esses dias um amigo meu me convidou para ir em um encontro de motoqueiros em Floripa, prontamente eu aceitei. Tinha um cara tocando blues la, mas não teve divulgação, eu com 26 anos era o cara mais novo do recinto. Voltando ao cara do blues, ele cantava em inglês sem sotaque e não usava palheta, isso me chamou a atenção. Perguntei o nome dele a uma senhora que ficava gritando do meu lado "spinning wheel, toca spinning wheel!", o nome do cara era Nuno Midelis. Eu não conhecia até então. Pesquisei sobre ele, ele é angolano naturalizado Brasileiro e mora a uma cara em Florianópolis.
Isso reacendeu minhas esperanças de encontrar (mesmo que seja por acaso) musica boa em lugares inusitados.


PermalinkPermalink 15.05.08 @ 22:29



Comentário de: Daniel Cajal · http://www.milkie.cmo.br

Ps: eu não ando de moto.


PermalinkPermalink 15.05.08 @ 22:29



Comentário de: Dorly Neto · http://www.capetalismo.org

Parabéns mesmo pelo post, não sabia dessas semelhanças.


E também digo o mesmo, o mundo estaria bem melhor se a música voltasse a tocar, principalmente tocar o coração das pessoas.


PermalinkPermalink 16.05.08 @ 02:44



Comentário de: Wagner · http://www.blablaismo.com

Ah as coincidências acontecem o tempo todo. Já pensou se todas fossem obra do "sobrenatural"? Ia ser horrível, pois tiraria todo a graça das coincidências, sejam elas boas ou não.


E Chet Baker é foda mesmo.


PermalinkPermalink 16.05.08 @ 17:53



Comentário de: gilberto

acho que você se engana colega…
se por um lado o west coast jazz é inegavelmente uma referência para os primeiros músicos da bossa nova, assim como compositores impressionistas (debussy, etc.) com a popularização da bossa nova nos EUA, o jazz se rende à influências da bossa nova também.
pelo menos, segundo o que sempre pesquisei


PermalinkPermalink 28.05.08 @ 20:19



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.
Fred Fagundes
6 comentários