Uma questão de fidelidade


Não é uma questão de cor.

Não é uma questão de time.

Não é uma questão de torcer.

Mas é uma questão de último desejo.

Sem movimentos, perspectivas de vida e esperança de futuro. Sem prazeres, planos futuros e metas. Sem reações, pressa pelo amanhã e qualquer tipo de ânsia por conquistas. Apenas querendo sobreviver. Mantendo-se aos olhares tristes e melancólicos da família.

Qual seria seu primeiro último desejo?

Ir ao estádio de futebol.

Namoradas e amigas vão. O futebol, não. Ele sempre está lá. Seu time, mesmo quando não respeita seu conceito, está todos os anos em campo. Para você e os outros milhares se emocionarem.

Isso é fidelidade.

Clique na imagem.

Não tente entender. Pois eu não vou tentar explicar.

Fred Fagundes
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Jogo dos 7 erros 001





Fred Fagundes
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A doce imperfeição feminina


Todo adolescente sofreu com as péssimas escolhas das mulheres. Afinal, você sempre foi o melhor de todas as opções. Mas, por um motivo que vai contra tudo o que ela já disse, aquela admiração, simpatia e compreensão tornavam-se gancho para uma dolorosa amizade que em nenhum momento abria esperanças para uma tarde de quinta-feira de sexo casual.

Todo mundo sabe o valor de uma tarde de quinta-feira pautada pelo sexo casual.

Essas dúvidas têm influência decisiva na transformação do caráter do individuo. Afinal, se sendo um cara atencioso, simpático, educado e cuidadoso ele não conseguiu nada, talvez seja hora de dar preferência a quem é estragado. Não digo que isso seja o ponto crucial para criar uma nova personalidade para o cara. Mas para editar seus gostos, possivelmente.

Nós, homens, temos uma adorável atração por mulheres imperfeitas. Primeiramente porque as perfeitas são artificiais, falsas, recicladas demais. Queremos mulheres realistas, que não achem que o mundo é uma série da Warner, bebem cerveja e que dizem “foda-se”. Eu tive uma amiga que era assim. Todo dia que eu a buscava no trabalho ela entrava no carro reclamando de tudo e de todos. Eu achava o máximo isso.

Mas, ok, vamos estabelecer regras. A imperfeição não pode superar o tolerável. Quando revelamos que consideramos isso sexy, estamos tratando de um ar ranzinza, um modo blasé de ver o mundo, o espírito saudosista e até mesmo o tradicional pessimismo. Esse jeitinho irritante tem todo seu charme. Principalmente quando você, no auge da persuasão masculina, canaliza aquela raiva em algo mais relevante...

Essa admiração pela imperfeição feminina que alguns homens possuem tem como origem aquelas decepções do passado. Pode parecer até arrogante apontar problemas ou falhas no perfil de uma mulher, mas, na maioria das vezes, são características admitidas. Elas se acham anti-sociais, chatas e diferentes da maioria.

Mas é tão bom encontrar alguém diferente da maioria.

Isso, hoje, faz todo sentido. As meninas de 13, 14 e 15 anos estavam certas. Eu estava errado. Eu era muito certinho.

E nada é mais bonito na mulher do que a sua imperfeição.

Fred Fagundes
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Tentando explicar o Barcelona


Todo clube de futebol tem uma personalidade, uma características que o diferencia frente aos adversários. São ícones impagáveis aos torcedores e repetidamente citados na hora de relembrar atos heróicos e notáveis. Imortal, fiel e time do povo são alguns exemplos de rótulos identificados ao clube e, em alguns casos, muito bem trabalhados pelos departamentos de marketing.

Essa série de características que simbolizam os times trata-se do resultado de anos de historia. Estamos falando de um conceito impregnado sobre a camiseta. São fatores de identificação gerados naturalmente e mantidos graças à fidelidade do consumidor. No caso, o torcedor. Ele, certamente mais do que os jogadores brasileiros, defende e exige que esses símbolos sejam mantidos e, se possível, fortalecidos ao passar dos anos.

Mas nem em todo clube somente o torcedor respeita esse, digamos, planejamento estratégico. Há um caso recente de trabalho de marca e historia que vem colhendo infinitos frutos.

Claro que é o Barcelona.

Atualmente, não basta analisar a estrutura tática e técnica do Barcelona. Precisamos ir além. É evidente que o time tem os três melhores jogadores do mundo. Não só de esforço e bons homens vive um time de futebol. Mas o Barcelona, esse grupo de jogadores do Barcelona, respeita a frase estampada no anel central do Camp Nou (mais que um clube). O Barcelona é formado por um grupo de jogadores que espelham a historia e marca do clube.

Dos 11 titulares do time campeão europeu no ultimo final de semana, sete são formados na categoria de base do Barcelona. São jovens que cresceram ouvindo a historia dos times de Zamora e Cruyff, da resistência na Guerra Civil, do orgulho catalão frente a Madrid e, especialmente, da disciplina tática e ética que precisa ter um jogador de futebol daquela cidade.

A impressão que temos quando assistimos um jogo do Barcelona é de uma entrega fora do normal. A formação de jogadores ainda nas categorias de base, mais do que física, tática e técnica, preza pela identificação do mesmo com a camisa. O jogador do Barcelona parece que nasce para correr incansavelmente. O futebol ofensivo e vistoso do clube catalão é a essência do futebol colaborativo.

Soma-se tudo isso a coragem de apostar nesse trabalho de base. O treinador Pep Guardiola, quando assumiu, dispensou medalhões como Ronaldinho e Etoo para apostar em Pedro e Villa. Parecia uma loucura, mas esse era o momento de acreditar no trabalho gradativo de formação de atletas identificados com o conceito Barcelona. Hoje, no Barcelona B, está sendo formado o futuro técnico do time principal: Luis Henrique, ex-atacante do clube que jogou as Copas de 94, 98 e 2002.

O fato é que o Barcelona consegue fazer um futebol a moda antiga também fora de campo. É uma renovação de atletas e forma de administrar um time. Assim como tínhamos o Santos dos anos 60 e o Internacional dos anos 70 no Brasil, quando os clubes acharam um modo de concretizar um sonho de como jogar futebol, o Barcelona faz isso em tempos muito mais competitivos.

O Barcelona segue um planejamento centenário. Respeita sua historia, suas cores e seu conceito.

Por isso que ganha.

Fred Fagundes
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Fade out


Pessoas morrem no corredor do Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. A estrutura é escassa. Não há maca, não medico especializado, não há, pasmem, bisturi. O único fator que possibilita uma sobrevida na estrutura é a boa vontade de uma meia dúzia de profissionais. A saúde de Cuiabá respira por aparelhos. E a cidade vive um cenário de puro abandono.

Existem culpados. É facílimo relembrar o horário político de Wilson Santos, onde o então candidato ao governador passava de carro em frente ao PS e dizia ter executado a “maior obra de todos os tempos”. Wilson Santos foi um péssimo político, péssimo administrador e, assim, péssimo prefeito. A culpa é dele, sim. Mas a culpa é maior ainda de quem é vitima desse péssimo Pronto Socorro: possíveis eleitores de WS.

Vamos esquecer o passado. Vamos procurar uma solução. Chico Galindo, atual prefeito. O salvador. Voz mansa. Reuniões e mais reuniões. Troca de possibilidades, informações e visitas ao Pronto Socorro. Foi assim que ele teve a brilhante ideia: vamos passar o comando do PS ao governo do estado. “Problema deles”, deve ter pensado. É uma boa idéia. O Governo pega o Pronto Socorro e nossa secretaria de saúde dá um jeito nisso.

Mas, quem é mesmo o secretario de saúde de Mato Grosso? É Pedro Henry. O homem acusado de fazer parte de um dos maiores casos de corrupção do governo Lula, o Escândalo do Mensalão. O homem acusado de fazer parte da venda superfaturada de ambulâncias em 2006. Observem o paradoxo – pra não dizer absurdo: o secretario da saúde de Mato Grosso é acusado de fazer parte da Máfia dos Sanguessugas.

Ah, ainda tem o José Riva. Excelentíssimo presidente da Assembléia Legislativa. Contudo, o homem que nunca deve ter subido num 605 lotado às 18h30 estava em Portugal com a família conhecendo o VLT, moderno sistema de transportes para a capital. Voltou a Cuiabá com uma grande experiência. Viagem, evidente, bancada com o dinheiro público. Dinheiro que arcou com todas as despesas - até da porção de punhetas.

A grande duvida que paira sobre a população é: porque o dinheiro não é investido no hospital? Pois há dinheiro. Só que destinado para propaganda. Eu não quero ver um VT de 20 a 30 mil reais na televisão mostrando os benefícios do Programa Multiação. Eu não quero campanhas oportunistas de como Cuiabá vai ficar depois da Copa do Mundo. É contra a honra e dignidade do homem não ter um Pronto Socorro para seu atendimento.

Cuiabá está nas últimas. Não vejo movimento, não vejo recuperação, não vejo esperança. Apenas uma luz no fim do túnel. Com pilhas fracas.

Vão desligar o aparelho. Fade out.

Fred Fagundes
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