No último Carnaval, fugimos do calor e do tumulto dos blocos cariocas e fomos parar em outra muvuca: a da rua Florida, em uma Buenos Aires repleta de brasileiros. Apesar da crise.

A ideia de trocar o samba pelo tango surgiu depois que um amigo elogiou (e muito) a cidade. Em 2008, foi ele quem passou o Carnaval em terras portenhas. Depois daquele papo, a nossa vontade de viajar foi imediata, porém, sem poder tirar férias juntos, o passeio ficou mesmo para o feriadão de fevereiro.
Antes de tudo isso, mão-de-obra barata que somos, qualquer gasto extra é bem planejado. Graças à falta de grana, parcelamos a viagem em junho, com o dólar a R$ 1,70. Mal sabíamos a "marolinha" que viria pela frente e que quase acabou com a tão sonhada primeira vez dela no Free Shop. A cada cheque compensado, íamos reunindo um acervo de informações sobre Buenos Aires. Valia de tudo: blogs, revistas, sites e até um e-mail da nossa endocrinologista, na véspera da viagem, com muitas dicas culturais e a liberação para o pecado da gula. :p
Vamos ao que interessa
O mesmo amigo também serviu de fonte para a gente. Entre uma dica e outra, comentou sobre o Locos Por El Fútbol, "um bar temático, que lembra o Outback", só que, como o nome já diz, tudo – tudo mesmo – se refere ao futebol. Desde a divisão do cardápio, o uniforme das garçonetes (camareiras para os argentinos) e até os banheiros, que lembram vestiários.

Localizado no bairro da Recoleta, o bar trata o esporte como ele realmente merece. De uma hora pra outra, o Locos por El Fútbol ficou lotado de torcedores para assistir o clássico Independiente x Racing, pelo Clausura 2009. As cortinas se fecharam, a luz se apagou e a atenção de todos voltou-se para os vários telões e televisores: era o espetáculo começando. Sente só o clima.
Pra comer, arrisquei o Piadina Romagnola de pollo. Tecla SAP: frango, tomate seco, mussarela e alface, tudo em um pão folha.

Ela foi no tradicional hamburguesa com papas fritas. Total da conta: 66,00 pesos (em terras hermanas o nosso desvalorizado real ainda vale alguma coisa. Convertendo, pagamos R$ 42,00).

De barriga cheia, saímos para dar uma volta no bairro. Só no dia seguinte fui saber que, enquanto rolava o clássico argentino, o Flamengo dava mais um de seus – já tradicionais – vexames em pleno Maracanã: Resende 3 a 1. É, talvez eu não seja mais tão louco assim…

Recoleta
No bairro, muita coisa boa gira em torno do Cemitério da Recoleta. Aliás, até o cemitério é atração turística. Lá, descansa Evita Perón, a mais visitada. O que acontece é algo comparado ao Père Lachaise, em Paris, onde estão enterradas diversas personalidades, como Jim Morrison e Édith Piaf, só para ficar no mundo da música.
Não preciso nem dizer que ela me fez passar bem longe dos mausoléus e das lápides. Mas, tudo bem. Passeamos na Plaza Francia, onde aos sábados e domingos acontece uma feira de artesanatos, e no Buenos Aires Design, um shopping de arquitetura e decoração. Lá, no terraço, está o Hard Rock Café, além de outros restaurantes, numa área conhecida como Paseo del Pilar.
Na Recoleta, também estão o Museu de Arte Decorativa, o Museu Nacional de Bellas Artes, a Biblioteca Nacional e o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba).
Numa viagem tão rápida – cinco dias voam –, fica difícil dar atenção merecida a alguns lugares. A Recoleta, com várias atrações culturais e gastronômicas, é um deles. Mas o hermoso bairro ainda vai ser assunto para outros posts.
Quando viajar, passa lá:
Locos Por El Fútbol
Rua Vicente Lopez, 2098 (Village Recoleta)
Recoleta
Buenos Aires
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Atalho pra o formulário
Excelente idéia a de vocês do Prato para Dois passar o carnaval em Buenos Aires. Mataram vários coelhos de uma só paulada: curtiram uma temperatura adequada ao ser humano (e não para dromedários, como no Rio), passaram o carnaval sem sentir cheiro de urina e ainda comeram do bom e do melhor.
De quebra, ainda escaparam de ver (como eu vi) o Flamengo pagar mais um mico, algo que já está realmente se tornando tradicional.
Parabéns aos dois!
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