29 Dezembro 2009
Os sonhos do Papo Econômico para 2010

Todo final de ano eu escrevo num papel tudo o que eu fiz de bom, de ruim, o que eu errei, o que acertei, o que eu preciso mudar no ano que se inicia e quais os objetivos e sonhos que desejo realizar. Sou daquelas pessoas que A-D-O-R-A-M fazer listinhas de desejos para o ano-novo, sabe? (Aliás, eu amo listas de qualquer espécie... hehe).
Fiquei muito feliz em ser convidada pelo Beto Veiga para participar dessa blogagem coletiva com os nossos desejos para 2010.
Eu tenho um punhado de sonhos a realizar nesse novo ano. Mas tem algumas coisas que eu gostaria de ver acontecerem, notícias que gostaria muito que se tornassem posts aqui do Papo Econômico. Lá vão:
> Espero que em 2010 o governo páre de mandar a gente comprar carro para estimular a economia e supostamente “contribuir com o desenvolvimento” do País enquanto não pensa na situação enfrentada por muitas famílias que entram nesses financiamentos intermináveis. Enquanto os juros cobrados dissolvem sua qualidade de vida e o potencial de se investir na educação dos filhos.
> Em 2010, eu queria muito que as pessoas começassem a pensar um pouquinho mais em seu próprio futuro. Que principalmente os jovens entendessem que não dá para gastar TUDO o que recebem de salário nos gastos ali, daquele mês, sem poupar nada. Que vale a pena se privar um pouquinho do consumo, da balada e dos gastos com um carro hoje para conquistar coisas bem maiores amanhã. Que um dia ele vai precisar parar de trabalhar e, se não começar agora a investir para isso, poderá enfrentar a velhice com muito sofrimento.
> Queria muito, muito mesmo que se parasse de anunciar redução de IPI aqui, isenção de qualquer outro imposto acolá, como se fosse a ação mais bondosa do mundo, mas que na verdade beneficia meia dúzia de empresários escolhidos a dedo - enquanto os investimentos estruturais, que sairiam MUITO mais baratos para os cofres públicos e beneficiariam a todos (inclusive e principalmente aos pobres), são simplesmente ignorados.
> Se não fosse pedir muito, queria que não fosse normal fazer empréstimos multimilionários a companhias para “salvá-las da crise”, cobrando juros simbólicos de tão baixos enquanto os bancos cobram de nós, assalariados, 180% de juros ao ano no cheque especial, mantêm o spread em níveis recordes, mesmo com a queda da táxa básica de juros, e todo mundo fingir que não está vendo, ninguém fazer nada. Afinal, mexer com banco é mexer com peixe grande...
> Queria que a classe média hipócrita brasileira parasse de falar mal das políticas sociais, “xingando-as” de assistencialismo, o velho discurso do “dar o peixe em vez de ensinar a pescar” e olhasse mais para os moradores de um nordeste que não tem água, nem para fazer vingar qualquer semente plantada, e que vê nas poucas dezenas de reais mensais do Bolsa Família ou o quer que seja a única chance de não morrer de fome.
> Desejo que o próximo prêmio Nobel da Paz fosse para alguém que se esforçasse minimamente para reduzir os impactos do aquecimento global, mesmo que isso significasse abrir mão um pouco da receita de seu país – o qual cresceu, se desenvolveu e enricou até hoje sem precisar se preocupar com o meio ambiente em nenhum momento na história.
Mas o que eu queria mesmo, mesmo, era um 2010 rico para todo mundo. E não é o rico de “muito dinheiro no bolso” daquela música que toca em todos os reveillons da minha família desde que me entendo por gente.
Não o rico da falácia e pilantragem, de passar a perna nos outros com o jeitinho brasileiro, ou das promessas mirabolantes de enriquecimento rápido e fácil. Não o rico do celular de última geração que toca funk no volume máximo dentro do ônibus. O rico de verdade. Daquele que sabe dar valor as coisas realmente valiosas. O rico de espírito. Que sabe que a riqueza está na felicidade de uma vida tranquila, com menos preocupações.
E isso não virá com a Mega-Sena da virada. Virá com a renúncia de alguns luxos do hoje. Virá com uma mudança de postura, em 2010, em relação à forma como lidar com o próprio dinheiro. Com o consumo consciente. Com uma leitura mais crítica das ações e discursos dos nossos governantes. Com o voto mais inteligente nas próximas eleições.
Um 2010 muito rico para todos nós. Feliz ANO NOVO!
* * *
Quer ler os outros posts da blogagem coletiva relacionada às previsões e desejos da blogosfera para o ano de 2010? Eis:
Almanaque do Bem (Fabio Camatari) – “Previsões do bem” para 2010
Gestão Feminina (Re Alves e Laryssa Martins) – O que queremos para 2010
Administrando.biz (Claudinei Costa) – Os Meus Objetivos para 2010
Blog Saia do Lugar (Millor Machado) – 2010: O ano em que a gestão vai para as nuvens
Dinheirama (Conrado Navarro, Ricardo Pereira e Bruno Biscaia) – Mais humildade e planejamento em 2010 – Previsões econômicas para 2010
– Comportamentos e atitudes que gostaria de ver em 2010
Receita do Sucesso (Pedro Cardoso) – O que eu quero em 2010: tecnologia
Sobre Administração (Gustavo Periard) – Desejo de grandes mudanças para 2010
MacMinds (Gino Olivato) – iTablet: Uma tecnologia para viver em 2010!
Sucesso News (Vinícius Mont Serrat) – Bola de cristal 2010 – 5 previões certeiras para o ano novo
Admit (Estevão Soares) – Previsões para 2010 – Conheça o seu futuro
Escorpião no Bolso (Aécio Santos) – Previsões 2010 do Escorpião no Bolso
Produzindo.net (Talita James) – Algumas promessas para o Ano Novo
Quero Ficar Rico (César França) – Quero Continuar Ficando Rico – Previsões para 2010 (Parte I)
Quero Ficar Rico (Rafael Seabra) – Quero Continuar Ficando Rico – Previsões para 2010 (Parte II)
Chapa Branca (Hélio Teixeira) – Desejos e “previsões” para 2010