25 Fevereiro 2009
A poupança não rende quase nada?
Prometi conversar um pouquinho sobre alguns tipos de investimentos. Ou melhor, algumas modalidades que você pode escolher para guardar e fazer seu dinheiro render.
Penso que um dos maiores motivos para as pessoas acharem tão difícil fazer poupança talvez seja que elas NÃO SABEM o que é a poupança. Então, vamos entender.
No mercado financeiro, os investimentos que podem gerar muito lucro são, em geral, os que envolvem mais riscos: risco de perder dinheiro, de perder o lucro, de o dinheiro não render, ou do rendimento ser negativo (ou seja, seu dinheiro diminuir em vez de aumentar)… Enquanto isso, os investimentos que têm menor rendimento, são mais confiáveis, têm os menores riscos. Com algumas exceções, a regra é mais ou menos essa.
Por que estou falando isso? A poupança é conhecida com uns dos investimentos menos rentáveis, por ser bastante conservador. Mas ele é garantia certa de que seu dinheiro continuará ali, aconteça o que acontecer. Mesmo se o banco falir,
você tem uma garantia de receber até R$ 60 mil de uma espécie de seguro chamada "Fundo Garantidor de Crédito". Por mais que eu ache que se você tem R$ 60 mil já deveria ter procurado outro tipo de investimento, caso tenha optado por ficar mesmo na boa e velha poupança, seu dinheiro estará garantido.
Tem muita gente que reclama que a poupança não rende quase nada, né? Não é verdade. Pelo menos eu não concordo. Talvez se você colocar R$ 100 lá e deixar por 2 anos, não vai quase sentir diferença no rendimento. Mas experimente colocar R$ 100 por mês, durante os 2 anos. O rendimento da poupança terá representado uma boa parcela daquela grana que o saldo final apresenta.
Bom, vamos ao rendimento, então:
A poupança rende, obrigatoriamente, todos os meses, 0,5% mais TR (Taxa Referencial). A TR pode variar, e até ficar negativa. Mas, caso em algum mês
a TR fique negativa, o governo mantém a TR em zero, para que a poupança nunca renda menos que 0,5%. É certeza. Mas isso é difícil acontecer. Em média, a poupança rende 0,65% ou 0,7% ao mês.
O rendimento é feito sempre na data de aniversário da sua aplicação. Ou seja, se você aplicou R$ 100 no dia 1º de fevereiro, no dia 1º de março o rendimento vai cair na sua conta e ser acrescentado ao seu saldo. Logo, todos os dias 1º, de todos os meses, aqueles R$ 100 reais somados aos rendimentos anteriores vão render. Digamos que no dia 15 de fevereiro você colocou mais R$ 50. No dia 1º de março, apenas os R$ 100 serão considerados para render. Os R$ 50 só terão rendimento no dia 15 de março. Fácil de entender, né?
Tudo isso significa que a única forma de seu dinheiro não receber nada de rendimento é se você retirá-lo da poupança antes que ele complete 30 dias aplicado. Mas se isso acontecer, saiba que você vai tirar seu dinheiro completo, tudo o que você aplicou, sem qualquer acréscimo, sim, mas também sem qualquer desconto.
No ano passado (2008), o rendimento anual da poupança ficou em 7,9%. Só que a inflação ficou em 5,91%. Ou seja, na verdade, meu pobre dinheirinho que estou juntando para o casamento rendeu apenas 1,89% porque precisamos descontar a inflação para sabermos qual foi o rendimento real, qual será meu poder de compra quando quiser sacar aquele dinheiro.
1,89% não é um número muito animador, concordo. Mas pense assim: se nosso dinheiro tivesse ficado em baixo do colchão esse tempo todo, além de não ter rendido NADA, ainda teria diminuído! Sim, é como se tivesse ficado 5,91% menor, porque o índice da inflação (no caso, é o IPCA - Índice de Preço ao Consumidor Amplo, que calcula o aumento de preço dos produtos), cresceu e teríamos de usar mais dinheiro para comprar as mesmas coisas. Logo, o dinheiro guardado fora da poupança teria perdido valor.
E lembre, qualquer aplicação que renda PELO MENOS um pouco mais que o índice da inflação já vale a pena como investimento ![]()
Sabe por que a poupança é tão popular?
Porque ela é simples. Você vai ver quando falarmos de outros tipos de investimentos, todos eles têm desconto de Imposto de Renda, taxa de administração, IOF e vários outros detalhes. A poupança não tem nada disso. É só você abrir uma conta, começar a guardar o dinheiro lá, fazendo os depósitos em qualquer caixa eletrônico do seu banco e pronto. Só checar o saldo uma vêz por mês para acompanhar.
Ah, uma informação a mais: de todo o dinheiro que o banco recebe como aplicação da poupança, ele é obrigado a destinar 65% para apoiar o financiamento imobiliário. Ou seja, a poupança tem até um apelinho "social", porque faz com que os bancos tenham sempre crédito para aqueles que precisam comprar uma casa e financiar o pagamento. Por mais que seja altamente recomendável juntar o dinheiro e pagar o imóvel à vista, nem todo mundo consegue e o financiamento é o caminho que a maioria escolhe.
Ou seja, enquanto houver pessoas aplicando na poupança, os bancos não terão desculpa para dizer que não têm crédito para o financiamento imobiliário, mesmo com a crise.
OBS: Não se preocupe, o banco não "rouba o sei dinheiro" para emprestar para as pessoas. Ele capta as aplicações gerais da poupança. Mas quando você quiser sacar sua grana, ela estará lá, completa e ainda um pouquinho maior.
Minha humilde opinião é que a poupança vale a pena, sim!. Desde que sua aplicação não seja um valor tão elevado e que você esteja querendo guardar e fazer o dinheiro render por um prazo mais reduzido. Uns dois anos no máximo. Para maiores quantidades e prazos mais longos, há alternativas melhores e mais rentáveis. Vamos conversar sobre elas em breve.