20.11.07

A coisa mais comum que se ouve depois de um confronto entre polícia e torcedores de futebol é o chavão "imagens lamentáveis". Caso da briga da última sexta-feira depois do jogo Coritiba x Marília, pela penúltima rodada da Série B.
Caso é que não há muito mais o que se fazer além de lamentar, mesmo. Ou se lamenta, ou não se vai ao estádio.
O problema do conflito entre as partes não é simplesmente da torcida vândala e provocativa ou da polícia violenta. Porque as imagens mostram que é óbvio que houve violência policial. Como é óbvio que só houve aquela reação por conta de alguma ação detonadora. Policiais não saem feridos à toa.
A solução desse problema passa necessariamente pelo fortalecimento de instituições que poderiam controlar a gratuidade das ações policiais, como a corregedoria da polícia ou o Ministério Público.
Mas isso, é claro, ainda está muito distante da realidade brasileira. Somos, afinal, o povo que suporta a maior carga tributária do mundo. Mas vamos levando, porque é da nossa natureza. Assim como vamos levando a violência policial e o caos aéreo, por exemplo.
Então o que temos que fazer depois daquela mini-barbárie é somente lamentar.
Inútil caçar bruxas nessas horas. A maioria dos torcedores, mesmo de cabeça quente, não tem interesse em confrontar um policial montado num cavalo e munido de cacetete e fuzil. E também os policiais, especialmente os que não compõem tropas de choque, não têm vontade de enfrentar uma turba enfurecida de 40 mil pessoas.
Mas é responsabilidade da polícia reprimir o vandalismo e manifestações violentas. E não se pode esperar que façam isso na base da conversa e do tapinha nas costas.
Certa vez, quando repórter de polícia, questionei um coronel da PM a respeito de imagens iguais às do pós-jogo de sexta, que mostravam policiais chegando a um local e distribuindo cacetadas em qualquer um que viam.
A resposta dele foi: "O cidadão de bem, nessas horas, precisa ir na direção oposta do confronto. O policial não entra no meio de uma briga para perguntar o que cada um está fazendo ali".
Sigamos na direção oposta, então.
Pandorga pode ser uma pipa, uma música descompassada, uma mulher incrivelmente obesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga é o blog de Ricardo Sabbag, jornalista curitibano, sagitariano (com ascendente na Casa do Chapéu), amante das coisas boas e belas do mundo literário, cinematográfico, político, tecnológico, sensorial e artístico em que vivemos.