23.07.08
Agente 86 (Get Smart, dir. Peter Segal)
Steve Carell presta uma bela homenagem a Don Adams, o Maxwell Smart original. E isso não é pouco, meus amigos. O filme consegue ser uma bela lembrança do quanto a série de Mel Brooks era realmente boa, especialmente se você a assistia no sofá, de pijamas, comendo bolacha de chocolate recheada e tomando nescau frio. O roteiro, apesar de apostar numa trama fraquinha, não tem medo de reeditar a Guerra Fria, o que evidentemente é mais interessante do que se a C.O.N.T.R.O.L.E. enfrentasse terroristas muçulmanos ou algo assim. A Agente 99 não era tão babaca quanto a personagem de Anne Hathaway, mas à peida com isso, porque ela está uma gracinha no filme. Depois de Carell, o melhor de Agente 86 são as incontáveis referências – tanto à série original quanto a outros clássicos do gênero, como Dr. Fantástico. Vale o ingresso. Mas, e aí, alguém sabe o nome do Chefe?
Hancock (dir. Peter Berg)
Li por aí que o pior desse filme era o Will Smith. Não é verdade. Will Smith até que faz o filme ser mais suportável do que deveria. O personagem do super-herói politicamente incorreto é até que bem engraçado no começo do filme. Só piora quando ele descobre quem é, sua missão de salvar a humanidade etc. O que faz de Hancock um filme inapelavelmente ruim é, em primeiro lugar, o roteiro (de Vincent Ngo e Vince Gilligan, ambos vindos da TV), e, em segundo, a direção de Peter Berg (ator de longa carreira na TV e diretor anunciado da refilmagem de Duna (!)). Hancock é primário e confuso. Foi a única vez na vida (exceto em filmes como O Homem Elefante ou Norbit, óbvio) que reparei na maquiagem dos atores. Em suma, o que é ruim supera o que há de bom.
Wall-E (dir. Andrew Stanton)
Redundante dizer que qualquer animação da Pixar é excelente. Wall-E não é diferente. Meu objetivo particular, após assistir um novo filme animado, é atualizar meu ranking pessoal das melhores animações pós-Toy Story. E aí devo dizer que Wall-E é maravilhoso, mas não entra no panteão dos melhores-melhores, formado por Procurando Nemo, Shrek 2, Shrek, O Espanta-Tubarões, Os Sem-Floresta, Monstros S/A, Formiguinhaz, Carros... Bem, a lista é grande, e completamente pessoal. Esses são os filmes que me fizeram chorar de rir e criaram uma experiência de entretenimento realmente única. Então se você disser que, para você, Wall-E é o melhor de todos, não terei problemas com isso. O desafio me parece manter a espantosa qualidade desses filmes a cada novo projeto. Aliás – essa teoria não é minha –, a impressão é de que toda a qualidade que resta em Hollywood está concentrada nos filmes de animação. Não sei até que ponto eles conseguirão manter isso (Shrek 3 é um sinal evidente de decadência). Mas se existe algma coisa realmente original no cinema americano de hoje são os filmes animados.
Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War, dir. Mike Nichols)
O roteirista Aaron Sorkin é o criador da (excelente) série de TV The West Wing, aquela do dia-a-dia na Casa Branca em que o presidente era o Martin Sheen. Jogos do Poder não é sua primeira incursão no cinema, embora pareça uma chance que Sorkin teve de desenvolver algumas idéias com uma profundidade que a TV não permitiria. Bem, devo dizer que esse é um problema do filme, se você compará-lo a qualquer episódio de qualquer temporada de The West Wing. O que não chega a prejudicá-lo. Para quem, como eu, gosta de filmes sobre bastidores da política (ia escrever “cinema político”, mas Deus nos livre do que essa expressão poderia significar), ainda é um prato cheio. Os diálogos são muito bons e Philip Seymour Hoffman está, para variar, incrível. Esse cara é muito bom ator, impressionante mesmo. O filme ainda tem a qualidade de falar sobre um tema bastante polêmico na história política recente americana – o armamento da Al-Qaeda pelos EUA durante o conflito do Afeganistão contra a então URSS – sem cair numa babaquice do tipo “colocar o dedo na ferida”. A coisa é o que é e ponto.
E, em breve, claro, algumas mal-traçadas sobre o BÁTIMA.
Chefe O'Hara: Como puta paga, porra!?
10.12.07
E o Jornalista de Merda voltou à ativa. É mesmo um criminoso este Pugla, privando a gente por tanto tempo dos relatos de suas presepadas ao lado do (in)fiel escudeiro Abud. E agora o JdM, de visual remodelado, conta em seu template com uma foto joiada da dupla dinâmica (Cês são dois viado, isso sim!) dando um salto em plena Marechal Floriano! A duplinha traquinas tomou Curitiba de assalto...
Pugla reapareceu fazendo um acompanhamento em tempo real da sessão Como Era Gostoso o meu Cinema, do Canal Brasil, que COLOCA NO AR (salve, Dalborgha!) aqueles filminhos pra rapaziada se esbaldar, cheios de donzelas dos anos 70 e 80 saradinhas e com muito pouca pudicícia. Certo o Pugla. O cinema brasileiro precisa mesmo do reconhecimento das massas.
Eu, de minha parte, faço cá meu registro deste Grande Momento do Cinema Brasileiro inspirado por ter visto ontem, em mais um repeteco do Canal Brasil, o clássico Rio Babilônia, obra-prima de Neville D'Almeida. Rio Babilônia, vocês sabem, é o filme em que o Nelson Piquet come a Cristiane Torloni. E tenho dito.

Um dos melhores momentos desta pérola do Cinema Nacional é uma das primeiras seqüências do filme, em que o Dr. Liberato (último papel em vida do saudoso Jardel Filho) chega ao puteiro cafetinado pela Norma Bengell acompanhado do Nelson Piquet.
Na verdade, o Dr. Liberato aparece na zona com o simples intuito de encontrar matadores de aluguel para combinar um "acidente de percurso" na vida da jornalista marrom vivida pela Cristiane Torloni. Nelson Piquet, de sua parte, fica ouvindo da Norma Bengell quem são os freqüentadores de sua casa de tolerância: personalidades como o COMENDADOR (também crítico literário) e o DEPUTADO, vivido pelo atual secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Brasil, Sérgio Mamberti.

Ainda neste momento, Piquet não mostra suas partes mais PICANTES ao expectador; tão-somente acompanha o trenzinho da alegria formado pelo Dr. Liberato, o Comendador e o Deputado, além dos matadores de aluguel, e puxado pela Norma Bengell. A coisa toda termina com um leilão das garotas-de-vida-fácil. "Quem aqui sabe reconhecer uma mulher pela bunda?", indaga a Norma Bengell.
Como se supõe, todos acabam se fartando na abundância, em especial o DEPUTADO, que arremata por milhares de dólares o corpitcho de Mara, mulata belzebu e novata na casa. E quando ninguém mais é de ninguém, um dos matadores, metido nas nádegas de uma das mocinhas, vira para o parceiro, com o nariz afundado na vergonha de outra, e pergunta: "MAS CADÊ O ENVELOPE?"
E temos aí o primeiro turning-point da obra. Porque é exatamente neste momento que Nelson Piquet, que optou por não se fartar do balança-teta, encontra jogado no chão do prostíbulo um envelope pardo, contendo fotos da Cristiane Torloni. Naquele momento, tomado por um heroísmo não esperado por um homem de seu caráter (ele é relações-públicas), Piquet decide foder (figurativamente) o Dr. Liberato, procurando a Cristiane Torloni para fodê-la (literalmente) e acabar com aquela suruba (literalmente).
O resto é com vocês, meus queridos.
17.08.07

Não é legal isso do cinema brasileiro depender de lei de incentivo a cultura pra sobreviver. Nem tanto pelo subsídio público à realização dos filmes, mais pela indústria da captação que se formou ao redor das produtoras. Mas, ao que parece, é o jeitinho que se deu pra fazer cinema por aqui, então que assim seja.
Cão sem Dono é um grande filme. Extrai da pequena novela de Daniel Galera o que ela tem de melhor. Ao mesmo tempo, não se limita a isso e tampouco se propõe a ir além disso. É notável a qualidade da interpretação hiperrealista dos atores. Os protagonistas vão bem, mas são os coadjuvantes que mantêm o alto padrão da coisa - especimente os personagens do pai de Ciro e de Lárcio, o motoboy. O roteiro, por sua vez, deixa de explorar cenas muito ricas que estavam no original - notadamente o flashback da visita do protagonista ao rancho de seu avô, bem como não vai a fundo na relação entre Ciro e Marcela doente.
O que importa é que é um bom filme. Gostaria de ter visto um filme realmente antológico, mas não sei até que ponto isso seria exigir demais dos diretores. Em verdade, acho que ainda falta à "nova cinematografia" brasileira um título verdadeiramente antológico, um Pulp Fiction verde-e-amarelo. Por um momento, achei que esse filme pudesse ser O Homem que Copiava, mas uma reflexão mais atenta fez com que abandonasse a idéia.
Não há outro jeito de se encontrar esse título senão se fazendo mais e mais cinema. De minha parte, não ligo que a CPMF que sai periodicamente da minha conta dê algum tipo de sustentação a isso. Mesmo que no meio do caminho venham alguns O Dono do Mar.
27.07.07

Transformers, Thundercats, Armação Ilimitada. Até estúpidos reality shows do A&E estão apelando para a nostalgia dos anos 80 – ressuscitando Corey Feldman e Corey Haim juntos (você os viu em algum especial do E! sobre astros adolescentes que se entregaram à cocaína). Não tinha como ser diferente. Se você, como eu, passou sua infância nessa década, essa é a hora do mercado de entretenimento lhe render homenagens. Não se sinta grande coisa por isso. É que você virou adulto e se tornou um consumidor de respeito. Eles só querem o seu dinheiro, garoto. E você quer voltar um pouco à sua infância.
A mim, essa forçação de barra em cima dos anos 80 só faz com que me sinta mais velho. Os Coreys faziam sentido nas Sessões da Tarde, de tardes deitadas no sofá velho da sala de casa, com a lição de casa postergada para 10 minutos antes dos pais chegarem. Hoje sou um dono de casa gordo com poucas horas do dia disponíveis para o entretenimento. Assistir a um show com dois atores fracassados que estão presos ao sonho do forever young não faz com que eu me sinta melhor ou volte à infância. É só uma constatação de que o tempo passa.
Se bem que não é triste que o tempo passe. É até bom. Não se diz por aí que tem coisas que só o tempo cura? Imagine o drama de se viver preso a um momento único. Se fôssemos eternamente crianças, nunca poderíamos dirigir, casar, fazer sexo regularmente, ter filhos, viajar para os destinos que quiséssemos.
Yadda, yadda, fato é que a nostalgia dos 80 (que óbvio, já foi dos 70, 60, 50 e logo será dos 90 e 2000) não passa de falta de criatividade. Posso até imaginar a cara de exclamação de um produtor de tevê anunciando a outro a idéia de ressuscitar os Coreys. “Todos vão adorar. São os 80s de volta!”. Não vão, não são. Alguém me passa o carimbo do “Isso não vai dar certo”? Próximo.
Ilustrando este post está a atriz Mary-Louise Parker, que estrela a terceira temporada da série Weeds (Showtime/GNT). Mary-Louise não tem nada a ver com os anos 80. Prestes a completar 43 anos, ela bem que poderia ter sido uma estrela jovem dos 80, mas só apareceu mais em filmes dos 90, mesmo (candidata a Molly Ringwald da próxima década?). Só postei sua foto aqui porque, ao me deparar com esse anúncio da re-estréia da série, lembrei que ela é uma das top five mulheres de Rob Fleming, de Alta Fidelidade. Como eu, você e outros oito em dez marmanjos se indentificam com a obra do Hornby, fica a dica.
13.07.07
Não poderia ter sido melhor o casting do longa-metragem Get Smart, o Agente 86, com estréia prevista para 20 de junho de 2008. Steve Carrell, o Virgem de 40 Anos, interpreta o intrépido agente, com Anne Hathaway, a Princesa do Diário, como a Agente 99 e Alan Arking no papel do Chefe.
Carrell é, ao lado de Will Ferrell, o melhor ator de comédias em atividade. O teaser é interessante. Vamos torcer para que o roteiro de Tom J. Astle, cujo verbete no IMDb indica somente o roteiro de episódios de séries diversas, e a direção de Peter Segal (Corra que a Polícia Vem Aí 33 e 1/3 e O Professor Aloprado 2) façam justiça à criação de Mel Brooks.
TRIVIA para os leitores fãs de Maxwell Smart: Qual o nome 'civil' do Chefe da C.O.N.T.R.O.L.E., na tradução brasileira, interpretado na série de 1965 por Edward Platt?
a) Oscar
b) Geraldo
c) Tadeu
Apostas nos comentários.
Pandorga pode ser uma pipa, uma música descompassada, uma mulher incrivelmente obesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga é o blog de Ricardo Sabbag, jornalista curitibano, sagitariano (com ascendente na Casa do Chapéu), amante das coisas boas e belas do mundo literário, cinematográfico, político, tecnológico, sensorial e artístico em que vivemos.