12.07.07
Gosto de jogos. Jogos eletrônicos, jogos esportivos, jogos de tabuleiro, jogos psicológicos e até de jogos de azar (o suficiente para não ser nenhum viciado). Mas não consigo gostar de xadrez.
Talvez eu seja um grande estúpido desses incapazes de enxergar a beleza através das coisas, mas simplesmente não gosto. É um jogo que requer antecipação demais. A idéia de, a cada jogada, prever tudo o que está na cabeça do adversário me soa entediante e difícil. É um mar de possibilidades que exige muito da memória. Mover uma peça para cá ou para lá pode ser o indício do sucesso ou fracasso. Xadrez é um jogo exageradamente mental, onde a ação se transcorre apenas na mente do jogador.
Há pouco me peguei explicando para alguém leigo no assunto porque gosto tanto de basquete. Falei que me interesso pelas formações defensivas das equipes (a coisa que mais me cansava quando era guri e jogava), o que, nos campeonatos de alto rendimento, acaba sendo o fiel da balança nas partidas.
Meu interlocutor perguntou se não achava maçante assistir a uma partida de um time com uma defesa bem montada, já que isso se revertia em menos jogadas ofensivas do adversário, e, por conseqüência, menos pontos. Claro, disse, o objetivo é fazer a cesta. E aí morava a beleza da coisa toda. Contra uma defesa sólida, somente o jogador que ouse, que improvise, que tente algo diferente vai conseguir sobressair e penetrar o garrafão.
Talvez haja algum paralelo entre xadrez e basquete. Não consigo encontrá-lo. Não nesse momento.
Pandorga pode ser uma pipa, uma música descompassada, uma mulher incrivelmente obesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga é o blog de Ricardo Sabbag, jornalista curitibano, sagitariano (com ascendente na Casa do Chapéu), amante das coisas boas e belas do mundo literário, cinematográfico, político, tecnológico, sensorial e artístico em que vivemos.