27.07.07

80’s nostalgya

Mary-Louise Parker

Transformers, Thundercats, Armação Ilimitada. Até estúpidos reality shows do A&E estão apelando para a nostalgia dos anos 80 – ressuscitando Corey Feldman e Corey Haim juntos (você os viu em algum especial do E! sobre astros adolescentes que se entregaram à cocaína). Não tinha como ser diferente. Se você, como eu, passou sua infância nessa década, essa é a hora do mercado de entretenimento lhe render homenagens. Não se sinta grande coisa por isso. É que você virou adulto e se tornou um consumidor de respeito. Eles só querem o seu dinheiro, garoto. E você quer voltar um pouco à sua infância.

A mim, essa forçação de barra em cima dos anos 80 só faz com que me sinta mais velho. Os Coreys faziam sentido nas Sessões da Tarde, de tardes deitadas no sofá velho da sala de casa, com a lição de casa postergada para 10 minutos antes dos pais chegarem. Hoje sou um dono de casa gordo com poucas horas do dia disponíveis para o entretenimento. Assistir a um show com dois atores fracassados que estão presos ao sonho do forever young não faz com que eu me sinta melhor ou volte à infância. É só uma constatação de que o tempo passa.

Se bem que não é triste que o tempo passe. É até bom. Não se diz por aí que tem coisas que só o tempo cura? Imagine o drama de se viver preso a um momento único. Se fôssemos eternamente crianças, nunca poderíamos dirigir, casar, fazer sexo regularmente, ter filhos, viajar para os destinos que quiséssemos.

Yadda, yadda, fato é que a nostalgia dos 80 (que óbvio, já foi dos 70, 60, 50 e logo será dos 90 e 2000) não passa de falta de criatividade. Posso até imaginar a cara de exclamação de um produtor de tevê anunciando a outro a idéia de ressuscitar os Coreys. “Todos vão adorar. São os 80s de volta!”. Não vão, não são. Alguém me passa o carimbo do “Isso não vai dar certo”? Próximo.

Ilustrando este post está a atriz Mary-Louise Parker, que estrela a terceira temporada da série Weeds (Showtime/GNT). Mary-Louise não tem nada a ver com os anos 80. Prestes a completar 43 anos, ela bem que poderia ter sido uma estrela jovem dos 80, mas só apareceu mais em filmes dos 90, mesmo (candidata a Molly Ringwald da próxima década?). Só postei sua foto aqui porque, ao me deparar com esse anúncio da re-estréia da série, lembrei que ela é uma das top five mulheres de Rob Fleming, de Alta Fidelidade. Como eu, você e outros oito em dez marmanjos se indentificam com a obra do Hornby, fica a dica.

29.06.07

O aprendiz e os livros

Não parece sintomático que os dois finalistas a sócio do Roberto Justus no Aprendiz 4 tenham citado como "livros que levariam para uma ilha deserta" best-sellers do momento como O Código da Vinci e O Caçador de Pipas? Não conheci os outros candidatos, mas prestando atenção nos finalistas de ontem não conseguia imaginar um deles citando títulos como Dom Quixote, A Montanha Mágica, O Grande Gatsby ou mesmo um clássico brasileiro como Dom Casmurro. Escolheram títulos tão populares que Justus até os repreendeu por isso.

Parece-me que jovens executivos como os Aprendizes esforçam-se para se manter a par de novidades culturais o suficiente para sustentar uma conversa de dois minutos. Para além disso, acabam apelando para chavões e lugares-comuns.

No fim, acho que estou exigindo demais deles. Um interesse mínimo por literatura significa reconhecer alguma obscuridade íntima, algum defeito de caráter congênito ou ao menos um fio de pessimismo na humanidade. Coisa que não cai bem para pessoas que têm como piores defeitos "exigir demais de si mesmo" ou "obstinação pelo trabalho".

18.04.07

Como se tornar um assassino

É demais. Na sanha de repercutir o massacre da Universidade de Virginia Tech, o Bom Dia Brasil de hoje tentou "explicar" as motivações do assassinato dizendo que, apesar de muito se discutir a questão da venda de armas e "problemas psiquiátricos" nos EUA, "o que se sabe é que num país onde a violência é tão glamurizada no cinema, na televisão e nos jogos de vídeo-game, é como se tudo ensinasse a se tornar um assassino. Aprende-se na ficção e transporta-se tudo para a vida real". O texto foi coberto por imagens de um shooter em primeira pessoa. A palestra continuou: "Os jogos mais violentos são os preferidos pelos jovens. Luta e morte. Vence quem consegue derramar mais sangue".

É isso mesmo. Assista filmes com cenas de violência, jogue vídeo-games de lutinha e tiroteio e torne-se um homicida.

Poucas vezes assisti a uma reportagem tão antenada quanto essa. Parabéns! à repórter Lilia Teles e aos editores do Bom Dia. Acho que o problema no Brasil é o mesmo. Os criminosos assistem muito cinema e jogam muitos jogos. Daí dá essa merda que a gente conhece.

11.04.07

Entretenimento adulto

Não gosto de telenovelas, embora não tenha nada contra as mesmas. Tirando Que Rei Sou Eu? e Vamp, que assisti na infância, nunca consegui me interessar nos folhetins eletrônicos. Para não mentir, assisti Renascer, porque gostava do Painho e do Guma, e também da versão doméstica que bolamos para Ai que Saudade d’Ocê, cantada pelo Fábio Júnior e que fazia parte da trilha da novela:

“Não se admire se um dia
o Dimião invadir
a porta da sua casa
lhe der um balaço
e sair
fui eu que mandei o nego
fazer a chacina
isso me fascina
metê um balaço em você”

Damião era o jagunço vivido por Jackson Antunes, você deve lembrar.

Não tenho nada contra mas não gosto muito, porque acho todas repetitivas demais. É um gênero dramático de grande importância para o Brasil, mas tenho a impressão de que hoje nos ressentimos de alguma ousadia. Bons autores reclamam da era que projetos inovadores levam para ser aprovados nas emissoras. Parece que tudo virou uma cópia da cópia da cópia. É arriscado inovar e perder preciosos pontos de audiência. Pontos esses já garantidos com fórmulas batidas.

Por isso gosto tanto das séries americanas que povoam os canais de tevê a cabo. Posso perder horas assistindo três ou quatro episódios seguidos sem me cansar. Longe de achar que isso seja um tipo de entretenimento mais “intelectualizado” que a novela, acho simplesmente que os roteiros são melhores – incrivelmente melhores. Não chego a acompanhar todas minhas prediletas diariamente, mas assisto sempre que pego alguma coisa no ar e, vez por outra, encaro os DVDs de metade de uma temporada qualquer. Junte isso, boa companhia, sofá confortável e um tacho de pipoca e você terá uma tarde de domingo nublada perfeita.

Minha última obsessão é House, produzida pelo Bryan Singer, diretor de X-Men e do fabuloso Os Suspeitos. House é o médico interpretado por Hugh Laurie que desvenda os diagnósticos das doenças mais improváveis que podem acometer uma pessoa. Ele não gosta de gente, então as trata à distância. E é o reizinho das ironias.

Claro, boa parte do que eles discutem você não entende, porque tratam-se de termos médicos que sabe-se lá o que significam. Mas isso importa? Pra mim, não.

26.03.07

Como não ser eliminado no BBB

Paredão formado, Bial convoca os "bróderes" na berlinda para um discurso de 30 segundos em sua defesa.

- Analy, 30 segundos. Três, dois, um, já.

- Bem, eu gostaria muito de ficar, a experiência está sendo ótima para mim, e também, se eu ficar, queria dizer que prometo mostrar meus peitos pra galera.

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