28.11.07

O Google me preocupa

Se uma empresa como a Ford ou a América Latina Logística anunciasse isso (leia abaixo), teríamos certeza de ter motivos para nos preocuparmos. Mas como se trata do Google, não, certo?

Bem, eu não sei. Se o Google dominar o mercado de energia nos próximos anos, acho que eles ganham imediatamente o certificado de Grande Irmão.

E quem haverá de pará-los? O Facebook?

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Via Blue Bus:

O Google anunciou ontem que junto com a google.org, dedicada a filantropia, vai investir milhões de dólares no desenvolvimento de energias renováveis a partir de fontes como o vento e o sol. Se realizar sua meta, diz o co fundador Larry Page, o custo da energia solar poderá cair de 25% a 50%. A companhia pretende inicialmente gerar energia para suprir suas próprias necessidades e espera poder vender a outros ou licenciar a tecnologia que venha a ser desenvolvida. A iniciativa foi batizada 'Renewable Energy Cheaper Than Coal' (Energia Renovável mais barata que o carvão). "Se alcançarmos nossos objetivos, estaremos no negocio (de energia) de maneira muito forte", declarou Page. "Deveremos ser capazes de ganhar muito dinheiro com isso", prevê.

27.08.07

O iPhone é uma bosta?

iPhone is a piece of shit

Para maddox, do The Best Page in the Universe, é. No artigo The iPhone is a piece of shit, and so is your face, o blogueiro - responsável por jóias como Não há conspiração 11/9, seus idiotas e Eu sou um gênio, você não é - enumera, de forma bastante polida, as razões porque um aparelho da Nokia, lançado no ano passado, é MUITO melhor que a engenhoca de Steve Jobs.

Para maddox, se o iPhone são "três aparelhos em um" (iPod, telefone e "dispositivo de comunicação com a internet"), seu notebook são pelo menos oito: um relógio, uma calculadora, um "dispositivo de comunicação com a internet", um telefone (ele pode fazer chamadas através de seu modem), um dispostivo de armazenagem de mídia pornográfica, um tocador de vídeo, um processador de Word e um "iPod" (um disco rídigo com um software que toca MP3). Realmente.

A questão é: Por que a Nokia não fez propaganda suficiente deste aparelho? Segundo maddox, porque seus executivos estavam preocupados com outra coisa... Vejam lá (em inglês).

17.07.07

Jornalismo colaborativo

Tiago Dória traz a notícia sobre o LoudounExtra.com, projeto de jornalismo "participativo" do Washington Post para o condado de Loudoun, de Virginia, nos EUA.

Ao contrário do que os grandes portais estão chamando por aqui de conteúdo colaborativo, o LoudounExtra.com não parte da premissa da notícia escrita e enviada pelo leitor, mas de uma integração profunda da equipe de jornalismo com a comunidade sobre a qual relata notícias.

Traduzindo, o site fornece para a comunidade desde notícias chanceladas pelo WP como também guia de restaurantes e escolas, calendário, pontos turísticos, dicas para novos moradores, história da cidade, blogs locais e "multimedia storytelling", algo como uma notícia contada com recursos multimídia.

O diferencial anunciado é que o LoudounExtra.com passou, antes da estréia, um ano conversando com líderes comunitários, diretores de escola, pastores de igrejas e afins para conhecer mais atentamente seu público. A "colaboração" se dá nesse nível: a comunidade quem pauta o site, e não simplesmente manda colaborações a serem chanceladas por algum editor. Quem deseja expressar sua opinião mais manifestamente participa de enquetes, manda mensagens ou faz seu blog ser linkado na página, com direito a eventuais chamadas de destaque.

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A experiência parece uma forma razoável e profissional de se aproximar público e meio - coisa que por aqui ainda mal se discute, exceto por essa tentativa mal-ajambrada dos portais.

Jornalistas locais, corporativistas como qualquer outra categoria, não compreendem muito bem qual o papel do público em seu trabalho. Via de regra, escrevem para ser lidos por seus pares. E a idéia de infiltrar-se na vida cotidiana do povão (em oposição ao hard news e ao propalado jornalismo investigativo) soa como serviço de menor importância.

Serviços como o Digg são bastante populares entre usuários de internet iniciados, mas não refletem a capacidade média do público da internet brasileira. Talvez uma experiência local como a do LoudounExtra.com para, digamos, a Zona Norte de São Paulo, verifique se esse modelo possa ser bem sucedido no Brasil.

11.06.07

Será o Google a nova bolha?

Em 1999 Artur Xexéo escreveu uma crônica que reclamava do sem-número de colegas jornalistas que despediam-se dos jornais e ingressavam em HOME-PAGES, SAITES e PORTAIS DA INTERNETE, dáblio dáblio dáblio, emeio, dáunloud. "Estou no Tutopia, e você?". "Eu fui chamado pela AOL". Eram os diálogos regados a uísque em festas de Ipanema. Xexéo, amargurado, dizia que ficara para trás. Que ainda era do tempo da imprensa impressa, dos tipos e das rotativas. Era o capitão de uma nau prestes a naufragar.

Três anos mais tarde a bolha estourou, a festa acabou, a luz apagou e voltamos nós à triste vaca fria.

Mas foram só mais três anos para a banda larga virar brincadeira de criança e o Google transformar-se numa companhia mais rica e importante do que Coca-Cola e GE, como exemplo.

Hoje quem quer ficar rico deve pensar em inventar alguma coisa para a tal web 2.0, 3.0, 16 válvulas, injeção eletrônica ou qualquer coisa. Nas festas de Ipanema você ouve: "Criei um software que permite que você faça upload de vídeos direto do seu celular para o YouTube". Como uma mãe de um país subdesenvolvido deseja que seu filho seja adotado por Angelina Jolie e Brad Pitt, você deseja que sua galinha dos ovos de ouro seja abocanhada pelo Google em troca de alguns mirréis de dólares.

Vocês amantes da tecnologia que me desculpem, mas não acredito nisso. Simplesmente acho que vai dar errado. Ou o Google vira o Big Brother ou ele explode como a nova bolha, vomitando sobre nossas cabeças esses milhares de serviços obsoletos por definição.

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Pense comigo: quem realmente precisa de buscadores de fotos, de programas que mostrem a imagem de uma rua dentro de um mapa ou de planilhas compartilháveis? (a onda agora é conteúdo offline, hehe)

Acho que antigamente as coisas que existiam - as que eram inventadas e se tornavam palpáveis, populares, como a tevê em cores e o motor refrigerado a água - só existiam porque passavam por um teste de NECESSIDADE. Isto é realmente necessário à nossa existência? Em caso afirmativo, permaneça. Do contrário, rode.

Hoje a UTILIDADE parece ter sido substituída pela USABILIDADE. Tudo já foi inventado. Se você não conhece, este é um problema do departamento de marketing. Se você conhece mas não sabe para que serve, você é um burro.

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Eu, que já me considerei muito antenado, ando com saudades do barulho do modem de 28800, das BBS, dos joguinhos madrugueiros do L.O.R.D. (Legend of the Red Dragon, conheceu?) - quando internet era coisa de notívago, porque telefone de dia era muito caro. Alguém mais?

São 10 anos desde a idade da pedra da internet caseira. Deve haver alguma eqüação física que demonstre isso: algo que mude tão rápido em 10 anos não pode ser perene!

OK, você pode falar em convergência, em gadgets que são mais importantes que guarda-chuvas e cadarços. Mas estamos falando de coisas que não têm história, que não têm histórico, que não são DEMANDADAS por toda la gente.

Mas vamos ficar por aqui. Este é um problema para os filósofos. Os de verdade. Aqui a gente só palpita.



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