01.08.08

Debate em Curitiba: Valhei-me Deus!


Bozo se espantou com o nível da discussão

Sério. Alguém precisa tomar alguma providêcia em relação a esses debates. A fórmula é pra lá de gasta, e não consigo imaginar cidadão algum que consiga dar alguma atenção à cantilena (quoting Heloísa Helena) batida dos candidatos. Quem assiste esse tipo de coisa fica à espera do primeiro escorregão, do ataque mais incisivo, da tropeçada forte em alguma palavra (ou preferencialmente em algum obstáculo físico, mesmo) pra sentir algum tipo de emoção.

E nesse ponto nós tivemos aqui um que se destacou. Lauro Rodrigues, do PT do B, foi o verdadeiro "vencedor" do debate (como disseram todas as assessorias de todos os participantes, antes e depois do show). Sério. Torçam para que alguém bote um the best of Lauro Rodrigues no YouTube. Logo! O completo desconhecido marcou presença na TV ao se notabilizar por não conseguir falar mais do que 30 segundos em todas as oportundades que teve. Sejamos francos: o problema do homem não era o tempo. Ele não conseguiu sequer pronunciar duas frases seguidas. Nem pra enganar com aquele blá-blá-blá de sempre do tipo "serviços melhores para o cidadão" ou "ninguém agüenta mais fila no postinho de saúde". O cara se atrapalhou de um tipo que foi realmente notável! No começo ele tentou falar alguma coisa sobre uma de suas "propostas" mas conseguiu misturar alhos com bugalhos de tal forma que, olha... Dalí se impressionaria.

Aliás, perdoem-me os mais polidos, mas acho que o problema ali não era nervoso, não. Era ignorância mesmo. Uma pergunta legal para ele seria algo do tipo "O senhor sabe o que é imposto?". Ou: "Diz aí, com as suas palavras, mesmo, o que é uma lei orçamentária". O cara não tem o menor trato com a coisa. O que pelo menos deu um tom divertido à experiência. Assistimos comendo pipoca.

***

O último debate para prefeito que realmente ENTERTEU o povo curitibano que eu lembro foi quando o Cassio Taniguchi (PFL) disputou o segundo turno com o Angelo Vanhoni (PT). Duas perguntas marcaram aquela noite: "O sr. sabe o que é o Procel?" e "O que o sr. pretende fazer para combater a Loxosceles intermedia?". O Taniguchi começou o segunto turno atrás, mas ganhou a eleição. Nesse mesmo debate, ele foi perguntado sobre o estado dos rios curitibanos. Ao responder, sacou uma fotinha muito bucólica e disse algo como "Este é um rio em que eu pesco freqüentemente"! Yay!

***

Mas, enfim, voltando ao embate de ontem. Não consigo lembrar de nada útil que alguém tenha falado. Exceto, talvez, pelo outro "notável" da noite, o Maurício Furtado, do PV. Lembro que no meio das falas ele saltou alguma coisa como "comida sintética" e "peixes que nadam na água". Hmmm. Na hora pareceu engraçado, pelo menos. O resto, não. Ninguém ali dá pra comediante.

22.07.08

Historinha paranaense e lição de moral propriamente dita

Há algumas semanas o setor de Comunicação Social do governo do Paraná deflagrou uma campanha, que poderíamos apelidar de “Censura, não!”, que reúne em seu site de notícias depoimentos de personalidades diversas – a maioria de políticos do partido do governador, o PMDB – criticando a determinação judicial que impede o governador Roberto Requião de achincalhar adversários, imprensa e outras instituições na TV Educativa do estado, que todas as terças exibe ao vivo “para toda a América Latina”, se você acredita, o programa “Escola de Governo”, reunião semanal do governador com secretários de estado, demais lideranças, aspones e puxa-sacos em geral.

Desde o início das transmissões, lá por 2002, Requião sempre esteve à vontade para bater em quem quisesse. Não só durante a Escolinha, diga-se. As intervenções do governador na programação da TV estatal são comuns e feitas de variadas formas. Desde a veiculação de boletins virulentos – sob a forma de letterings frente a uma tela azul – até depoimentos gravados em que o governador é o protagonista do recado. Isso sem falar nas aparições durante a programação jornalística da TV – que segue o governador em todas as suas ações pelo estado e até fora do país.

Há alguns meses – não há rigor jornalístico algum aqui – Requião subiu o tom do discurso contra o Ministério Público, motivado, se não me engano, por ações que visavam comabter o nepotismo no governo estadual – mirando especificamente os irmãos governador, o então secretário da Educação, Maurício, e o superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo. A metralhadora do governador atingiu muita gente boa (seu contra-ataque falava em “abrir a caixa preta” das aposentadorias do órgão). Pouco depois foi expedida a ordem judicial que proíbe o governador de bater nos adversários, sob pena de multa de R$ 200 mil para cada bravata desferida.

A medida fez com que o Requião arrefecesse os ânimos na “Terça Insana”, e desde então foi só choradeira contra a “censura”. A cada vez que o governador era acometido pelo ímpeto de lascar a lenha num desafeto, a razão lhe falava mais alto e tudo o que ele fazia era lamuriar contra a ordem do juízo.

Até que a Justiça resolveu lhe multar retroativamente a um impropério bradado em março último. Nenhum dos piores, anote-se. Mas a canetada significou 200 mil pratas a menos no bolso do gov – que não foram ainda pagas, porque à coisa toda cabe recurso etc e tal. E aí a maionese desandou. Se mesmo “contido” o governador foi multado, de que adiantava segurar a onda sobre o que pensa de tudo e de todos? Requião mandou a decisão do Judiciário às favas e voltou a detonar quem ou o que melhor lhe conviesse na TV pública. “Multem à vontade, mas meu silêncio não vão conseguir”, disse.

E foi mais ou menos nessa hora que a Comunicação do governo entrou em ação, colhendo depoimentos contra a “censura” – como o mais recente, do senador José Sarney – imposta ao governador. Além de políticos, compõem a lista alguns jornalistas (talvez aqueles não se enquadrem nos limites da “imprensa canalha”, a qual o governador gosta de espezinhar, hmmm).

Rotulada de “censura”, a questão ganha facilmente o apoio de entidades civis e personalidades. A estratégia é vitimizar o governador e relembrar os anos de chumbo. A decisão – que, certa ou errada, foi tomada sob a égide dos usos que o governo faz da TV estatal –, então, passa a ser completamente antipática. “Indo de encontro ao Estado de Direito Democrático brasileiro”, clamariam alguns. Como a relação entre o governador e a imprensa local é terra arrasada, os depoimentos não ganham repercussão alguma além do sítio oficial do governo. E vamos em frente.

Ao mesmo tempo (literalmente), o governador emplaca o irmão no cargo de conselheiro do Tribunal de Contas, vitalício. Sim, o Tribunal que julga as contas do estado. Hmmm. E ganha apoios até inesperados, como do próprio presidente da Assembléia Legislativa (de partido que, em tese, é oposição ao governo, DEM), que, ao menor sinal de tentativa de impedimento judicial da posse do caçula, é o primeiro a questionar formalmente qualquer medida que impeça o trabalho do novo membro da côrte. Questionamentos, aliás, que costumam ser atendidos com assombrosa rapidez por desembargadores do Tribunal de Justiça do estado (a tal “censura” foi imposta por tribunal federal).

É bastante provável que, se você, estimado e improvável leitor, não tiver qualquer ligação particular ou afetiva com o Paraná, esteja bocejando ao saber dessa lenga-lenga irritante. Realmente não é coisa para se dar importância para além dos muros da província. Só trouxe o tema a tona para tratar de uma questão mais específica, que talvez seja efetivamente compartilhada por toda a nação: Por favor, vamos parar com o moralismo. Vamos abandonar qualquer idéia de que aquilo (aquilo!) que acontece na esfera pública que fingimos nos causar espanto é “errado” e que o “certo” está do lado de cá. Vamos combinar que, se o “certo” existir, não é desse lado do quintal que ele mora. Não somos depositários de moral alguma. Somos, em essência, imorais. E, por imorais, não temos moral alguma (opa) para criticar a imoralidade alheia. Aliás, nesse jogo não há alheios. Somos definitivamente farinha do mesmo saco.

05.05.08

O doce da vida jornalística me permite encontrar coisas assim (grifos meus):

O Vereador, Roberto Hinça infra-assinado(a)(s), no uso de suas atribuições legais, submete à apreciação da Câmara Municipal de Curitiba a seguinte proposição:

Projeto de Lei Ordinária
SÚMULA:
"Institui o DIA DA LAMBAERÓBICA no âmbito do Município de Curitiba e dá outras providências."

Art. 1º - Fica incluído no Calendário Oficial do Município de Curitiba o DIA DA LAMBAERÓBICA.
Art. 2º - A referida comemoração dar-se-á anualmente no dia 26 de novembro.
Art. 3º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Roberto Hinça
Vereador

Justificativa

A proposição em tela, tem a sua finalidade essencial de incentivar a pratica da lambaeróbica a nível Municipal, tendo em vista, que a rica cultura merece ser lembrada, bem como, vivenciada por toda a nossa coletividade, principalmente, entre os praticantes e simpatizantes da cultura afro-baiana, que são em grande números e nossa Capital e tem o axé como a sua música oficial.
Conceitualmente, a lambaeróbica não significa lambada com aeróbica e sim movimentos de aeróbica com música baiana. A lambaeróbica veio da lambada, na década de 80, foi criada no sul do Pará e teve sua maior repercussão na boca da barra em Porto Seguro-Bahia, onde a lambaeróbica era chamada de refresco da lambada, pois nos seus intervalos os dançarinos animavam as pessoas com as músicas da Xuxa, não se sabe ao certo quem deu este nome, dizem que a própria cidade adotou.
Esta atividade física, hoje em dia, ganhou proporção nacional, devido à expansão e aceitação pública do Axé Music e do surgimento de vários grupos, que ajudaram a difundir este ritmo baiano para todo o Brasil. Com isso, a lambaeróbica deu uma grande contribuição para que a sociedade brasileira resgate suas raízes culturais, valorizando um ritmo musical genuinamente brasileiro.
Os objetivos da lambaeróbica são desenvolver a coordenação motora, realizar um trabalho cardiovascular e queimar gorduras. As aulas de lambaeróbica são descontraídas, conduzidas somente pela música que irá embalar as coreografias, mas como toda atividade física requer atenções como aquecimento e resfriamento em todas as aulas. Geralmente composta por turmas heterogêneas, por ser de fácil aceitação e não impondo nenhum tipo de limitação, pode ser feito por homens e mulheres de todas as idades, basta ter um pouquinho de força de vontade e ritmo. As aulas de Lambaeróbica consistem em dois pontos principais: Axé: Movimentos de rebolado e requebro, que fazem com que as pessoas se envolvam no ritmo baiano; e a Aeróbica: Movimentos com força, energia e sincronismo, fazendo com que as pessoas mantenham uma postura correta durante a aula.
A presente homenagem também pretende, incentivar a comunidade local a participar do desenvolvimento cultural da cidade, agregando atividades que unem arte, saúde, história, cultura e dança.
Eis, uma nova matéria ora proposta para debate, que este Autor pretende fazer Lei em Curitiba, contando sem sobra de dúvida com a prudente, sábia e séria ajuda dos Ilustres membros desta respeitável Casa de Lei.

E assim:

O Vereador, Serginho - do Posto infra-assinado, no uso de suas atribuições legais, submete à apreciação da Câmara Municipal de Curitiba a seguinte proposição:

Projeto de Lei Ordinária: Denominação de bem público especificada
SÚMULA:
"Denomina de Paulino José Schmitt, um dos logradouros públicos da Capital, conforme especifica."

Art. 1º. Fica denominado de Paulino José Schmitt, o logradouro público código PS 45A, localizado na Rua Francisco Licnerski esquina com a Rua Mariano da Luz, Bairro Marumbi / Uberaba nesta capital.
Art. 2º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Serginho - do Posto
Vereador

Justificativa

Paulino José Schmitt ou simplesmente Schmitt, o santeiro, nasceu em Florianópolis-SC em 14/08/1936, filho de José Pedro Schmitt e de Maria Junkez. Seu pai era agricultor em Biguaçú, perto de Florianópolis, onde viviam num sítio chamado "Muquem". Quando Schmitt tinha uns quatro anos, perdeu a mãe que morreu de parto. Aí as coisas começaram a mudar, o pai casou de novo, ele não se dava bem com a madastra e a situação do pai nos negócios pioraram. Assim memso, ele conseguiu estudar, fazendo o curso primário no Colégio Lauro Mueller e depois o curso complementar no Colégio José Boiteux, ambos em Florianópolis.

É ou não é uma boa justificativa!?

20.11.07

Cucarachas

Sinal dos tempos. Os sites dos pré-candidatos à presidência dos EUA já vêm com link para conteúdo em espanhol. Aqui o Obama e aqui a Hillary, en español. Do lado republicano, Rudy Giuliani ainda está 100% English. Mas a página do Comitê do Partido Republicano também tem um link cucaracha. Caramba!

23.03.07

Quem disse o quê sobre este país, mesmo?

O problema do brasileiro (ei, estou a ponto de me diplomar em sociologia, então eu posso começar uma frase assim, dizendo "o problema do brasileiro") é achar que vive num país de verdade. Num país com leis e normas, quer dizer, menos que isso. Achar que vive num país que tem um contrato social qualquer minimamente não-selvagem, em que seus habitantes não precisem sair nas ruas carregando um tacape e que não seja necessário urrar para avisar o bando da chegada do inimigo. Não. O Brasil está abaixo disso. Está pior que Ruanda ou Botswana, porque lá, pelo menos (é essa a impressão que eu tenho quando assisto à BBC World), o sujeito sabe que não está sendo enganado. Que a merda é mesmo aquela toda que ele enxerga a seu redor. No Brasil você olha para o lado e vê um banquinho, um violão e o Corcovado e tem a impressão de que está tudo bem. Não está.

A nibelunga falou alguma coisa assim, emulando o Sérgio Buarque de Hollanda que vive dentro de si. Somos, sim, bocós, irrevogável e essencialmente bocós. É a nossa natureza.

Hoje, às 13 horas, todas as viaturas da Polícia Civil do Paraná deverão sair às ruas com giroflex e sirenes ligadas. A operação regional, parte da Operação Nacional das Polícias Civis, deverá durar 15 minutos. A portaria assinada no último dia 13 pelo delegado-geral-adjunto Francisco José Batista Costa (noticiada, novamente, pela Tribuna do Paraná) determina que a operação cause "a impressão da presença dos carros de polícia em todos os pontos possíveis da cidade".

Vamos a repetir: "a impressão da presença dos carros de polícia em todos os pontos possíveis da cidade".

E sublinhar: "a impressão da presença..."

Guilherme Fiúza apontou o "problema da pirotecnia" em segurança pública neste post de 11 de fevereiro. No Brasil é assim mesmo. Resolvem-se os problemas de segurança com um sirenaço nas ruas. E se você não tiver nada melhor para fazer e perguntar para alguma otoridade porque elas agem assim e não trabalham de verdade, vão dizer (os mais educados, claro) que a culpa é do estado, do país ou, em último caso, dos portugas. Nosso secretário da segurança, Luiz Fernando Delazari, gosta de usar um termo que sintetiza esse discurso: a "herança maldita" do estado. O dinheiro nunca será suficiente para combater a alta bandidagem, então vamos às ruas fazer blitze e ligar o giroflex na cara do cidadão. Quem sabe, além do cidadão, os bandidos também se assustem e tomem algum juízo.

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