11.03.08

O pacifismo burro

Não consigo entender porque, depois de um crime bárbaro como o assassinato da Pró-Reitora da Universidade Federal do Paraná Maria Benigna, a única reação social que se vê é a promoção de mais um "manifesto pela paz" em praça pública.

Óbvio que o pacifismo - como "filosofia de vida", vamos dizer assim - é uma alternativa mais civilizada que o belicismo. Não podemos esperar que o cidadão de bem vá às armas para vingar qualquer ato violento. Mas essa reação do tipo vamos-nos-vestir-de-branco-e-dar-as-mãos-contra-a-violência é tão inócua que soa quase como ofensa aos parentes das vítimas.

E vítimas somos todos nós, ao menos em potencial. Maria Benigna foi assassinada porque bandidos a seguiram depois que ela sacou R$ 4 mil de um banco na Rua Augusto Stresser, em Curitiba, no bairro Jardim Social, um dos mais ricos da cidade. É um lugar que está longe de parecer perigoso.

A coisa toda aconteceu perto das 13h30. Eu próprio freqüento as agências bancárias dessa rua nesse horário. Não seria exagero dizer que poderia ser eu no lugar dela. Logo, me sinto como vítima em potencial desse crime.

Mas nós brasileiros, cordiais que somos (é da nossa essência), conseguimos no máximo, depois de tal barbaridade, vestir camisetas com a pomba da paz e pedir "basta!".

É tão absurda nossa relação de complacência com a violência urbana que vestir camisetas brancas é o máximo que conseguimos fazer como resposta. Damos um grito no vazio, na esperança de que alguma autoridade o ouça e se comova com aquilo, e logo voltamos para nossos afazeres. Se um dos assassinos de Maria Benigna aparecesse no manifesto pela paz, poderíamos atirar nele uma margarida branca. Seria um gesto de nossa revolta contra o crime que ele cometeu. Ele poderia voltar para casa e refletir sobre a natureza de seus atos.

Ainda em Curitiba, o delegado da Polícia Federal que prendeu Juan Carlos Abadía assume uma recém-criada secretaria antidrogas do município. Sua primeira atitude no cargo: convocar voluntários de ONGs para distribuir panfletos sobre prevenção de drogas em show na Pedreira Paulo Leminski.

Acho que o delegado Francischini não assistiu Os Intocáveis. Se tivesse, talvez lembrasse da cena em que o personagem de Sean Connery ensina a Eliot Ness como prender de verdade os contrabandistas. Basta ir aos lugares certo. Todo mundo sabe onde eles estão. É a mesma coisa com o tráfico. Todo mundo sabe onde encontrar traficantes (quer uma dica? Fique dando bobeira nos bares em frente à PUC). Mas melhor é distribuir panfletos. Assim quem sabe eles se conscientizam dos males que provocam e deixam de besteira.

Não se pode esperar que o chefe da polícia, o secretário da segurança, o ministro da Justiça ou quem quer que seja erga-se de sua confortável poltrona e, de uma hora para outra, resolva o problema da violência urbana com apenas "vontade política". Porque essas figuras representam meramente o anseio da sociedade sobre esses temas. E nossa vontade, ao presenciar tais crimes bárbaros, é sair às ruas vestindo camisetas brancas. É mais ou menos o que eles fazem quando, ao comentar a "questão" da violência, responsabilizam uns aos outros ou, na falta de um culpado com a arma do crime na mão, se voltam contra nossa herança colonial. É o bode expiatório portuga.

E nessa toada seguimos nós com nossa cordialidade, nosso pacifismo. Se um dia acontecer com você ou com alguém de sua família, não se preocupe. Lá estaremos nós em vigília silenciosa zelando pela tranqüilidade de seu espírito. E basta de violência.

18.02.08

E-mail enviado com sucesso!

Olá. Escolhi na guia ‘Serviço’ NET Fone, mas poderia ter escolhido tanto TV por Assinatura quanto NET Vírtua. Tanto faz, porque nenhum deles está funcionando, mesmo. Escrevo porque não agüento mais discutir com os atendentes pelo telefone (de onde ligo do meu celular, por razões óbvias), explicar mil vezes a mesma coisa e não conseguir resultado nenhum. Então vamos tentar por aqui. Talvez lendo por escrito minha história triste, alguma boa alma se compadeça da minha pobre condição de assinante: No dia 15 de fevereiro entrei em contato pela Central de Relacionamento relatando problemas técnicos no meu ponto adicional de TV, no NET Fone e no NET Vírtua. Nenhum está funcionando (protocolo 16891721). Depois de efetuados todos os testes, agendaram uma visita técnica para o dia 17 (domingo), entre 14 e 17 horas. No domingo, esperei até 17 horas e ninguém apareceu. Liguei para a Central de Relacionamento e me informaram que o técnico afirmava ter ido até o endereço de instalação às 15h22, não encontrado ninguém e ido embora. Como se tratava de uma inverdade, insisti com o atendente, pedindo uma nova visita com urgência. O atendente Miguel me repassou para um supervisor (protocolo 16923529). O supervisor Rodrigo me colocou imediatamente em espera e, cerca de 15 minutos depois, a ligação caiu. Liguei novamente para a Central, quando um novo atendente, Joseph, me explicou que, na verdade, o técnico não havia ido até meu endereço por problemas pessoais (motivo de saúde ou falecimento na família, não se sabe) e que, em vista disso, ele pediria que a central de agendamento de visitas técnicas entrasse em contato comigo marcando uma nova data para a visita (protocolo 16923709). O telefonema da central aconteceria em até duas horas. Para isso, forneci dois números de celular para contato. Esperei as ditas duas horas e ninguém me telefonou, em qualquer dos números que forneci. Entrei em contato novamente com a Central de Relacionamento. Desta vez, a atendente Valdirene me informou que a central de agendamento havia tentado entrar em contato comigo, mas que o telefone tocou, tocou e ninguém atendeu (muito embora eu estivesse com os dois celulares no bolso durante todo o período). A solução proposta por ela foi abrir uma nova ocorrência na central de agendamento para que eles ligassem para mim (no máximo até as 10 horas do dia seguinte) marcando uma nova visita (protocolo 16924883). Pois bem. Hoje é segunda-feira, passam das 10 horas e, adivinhem só... Ninguém me ligou! Inacreditável, não? Pois é, também estou pasmo. Claro que me parece inútil entrar em contato com a Central de Relacionamento e relatar o problema mais uma vez. Posso apostar que se ligasse para lá de novo, ouviria provavelmente que a central de agendamento tentou, sim, me telefonar, mas o número fornecido dava numa casa de massagens tailandesa. Eu responderia que, não, que os números são meus mesmo. E o atendente diria: “Bem, senhor, é o que consta no sistema”. E com o sistema, eu aprendi, não se discute! Então me parece claro que o sistema da NET me considera um cliente com faculdades mentais abaladas, uma vez que, mesmo sem desfrutar das maravilhas do NET Combo desde quinta-feira (dia 14), eu vivo pregando peças nos atendentes e técnicos, tipo fugindo de casa na hora marcada, não atendendo de propósito o telefone ou fornecendo números do disque-gnomos para a central de agendamento. Então será que alguém pode tentar resolver o problema de verdade ou serei obrigado a falar diretamente com o coronel Tutchenko? Skavurska!

20.11.07

Direção oposta

A coisa mais comum que se ouve depois de um confronto entre polícia e torcedores de futebol é o chavão "imagens lamentáveis". Caso da briga da última sexta-feira depois do jogo Coritiba x Marília, pela penúltima rodada da Série B.

Caso é que não há muito mais o que se fazer além de lamentar, mesmo. Ou se lamenta, ou não se vai ao estádio.

O problema do conflito entre as partes não é simplesmente da torcida vândala e provocativa ou da polícia violenta. Porque as imagens mostram que é óbvio que houve violência policial. Como é óbvio que só houve aquela reação por conta de alguma ação detonadora. Policiais não saem feridos à toa.

A solução desse problema passa necessariamente pelo fortalecimento de instituições que poderiam controlar a gratuidade das ações policiais, como a corregedoria da polícia ou o Ministério Público.

Mas isso, é claro, ainda está muito distante da realidade brasileira. Somos, afinal, o povo que suporta a maior carga tributária do mundo. Mas vamos levando, porque é da nossa natureza. Assim como vamos levando a violência policial e o caos aéreo, por exemplo.

Então o que temos que fazer depois daquela mini-barbárie é somente lamentar.

Inútil caçar bruxas nessas horas. A maioria dos torcedores, mesmo de cabeça quente, não tem interesse em confrontar um policial montado num cavalo e munido de cacetete e fuzil. E também os policiais, especialmente os que não compõem tropas de choque, não têm vontade de enfrentar uma turba enfurecida de 40 mil pessoas.

Mas é responsabilidade da polícia reprimir o vandalismo e manifestações violentas. E não se pode esperar que façam isso na base da conversa e do tapinha nas costas.

Certa vez, quando repórter de polícia, questionei um coronel da PM a respeito de imagens iguais às do pós-jogo de sexta, que mostravam policiais chegando a um local e distribuindo cacetadas em qualquer um que viam.

A resposta dele foi: "O cidadão de bem, nessas horas, precisa ir na direção oposta do confronto. O policial não entra no meio de uma briga para perguntar o que cada um está fazendo ali".

Sigamos na direção oposta, então.

21.08.07

80 dias

Wanessa Camargo

Wanessa Camargo está casada há 80 dias. Conta sua história na capa da Contigo deste mês.

Ela e o empresário Marcos Buaiz ainda vivem na casa dos pais. De ambos, informa a reportagem. Suponho que sejam casas de muitos cômodos.

Alguns excertos da entrevista:

Mesmo com essa moradia provisória, já deu para se sentir casada?
Estamos em uma fase muito legal, que é a de construir essa casa. Já fiz até lista de compras de supermercado.

Você tem experiência, então?
Já sei como é estar em uma casa e cuidar dela. Como se limpam as coisas. O bacana é que agora posso viver com Marcus esse aprendizado de casal, saber o que um gosta, o que o outro não gosta...

Quantos empregados você tem?
Tenho duas, uma arrumadeira e uma cozinheira, que eu mesma entrevistei.

20.07.07

A imagem mais chocante

Protesto no Salgado Filho

Esta foto, do fotógrafo Marcos D Paula, da Agência Estado, é a imagem mais chocante que vi até agora sobre a tragédia do vôo 3054. É um protesto realizado no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, que homenageou 130 das vítimas do desastre. Os manifestantes deitaram-se por dez minutos em silêncio segurando placas com os nomes das vítimas. Ao seu redor, outras 150 pessoas acompanharam o protesto silencioso.

É mais chocante que as imagens das chamas, do avião em alta velocidade na pista, do assessor especial comemorando, em gestos, que foi a TAM quem se fodeu. Porque mostra como nós, que não sofremos nada com a tragédia, continuaremos a viver com essa marca, com esse vazio, com o silêncio, com a ausência dos falecidos.

Diferente de outras tragédias que tiram estupidamente centenas de vidas em um estalo de dedos, essa é mais chocante porque simboliza o descaso e a irresponsabilidade de nós para conosco mesmos. As famílias das vítimas que convivam com a ausência dos seus, com a dor da morte inexplicável - a mãe chorando a morte de dois filhos jovens -, com o silêncio do abandono. Enquanto isso, ministros e políticos pedem que você relaxe e goze ou simplesmente se foda.

:: Próxima página >>



[ La Brute - Jogo Online em Flash Grátis ]