14.11.07
Já disse aqui em algum momento que muitas dessas intermináveis inovações ferramentais da internet me parecem vazias. Mas acho que o Twitter deve ser uma das que vai ficar. Não sou usuário do serviço, mas reconheço nele sua utilidade (usabilidade?): É uma forma de escapar da enxurrada de informações que circula na rede. A coisa é hiperobjetiva e concisa, como toda boa informação pode ser. Claro, também há muita besteira, mas pelo menos é besteira que se perde menos tempo lendo. E imagino que a integração com SMS - outra inovação que efetivamente "pegou", e que se popularizou de fato, não só entre os entendidos - seja algo realmente interessante.
Mas, diga aí: O que você acha que vale twittar?
22.08.07
Alexandre Inagaki já escrevia como escreve hoje, para suas centenas (milhares?) de leitores, desde as primeiras edições do Spam Zine, fundado por nós em fevereiro de 2001 e que durou mal-e-mal até 2003, morto de falência múltipla dos órgãos dada a explosão dos blogs. Tive o privilégio de ser um dos editores do Zildo, embora passasse a maior parte do tempo reclamando do tempo exígüo e devolvendo a bola para o japaguaio - pra sorte dos leitores, que ele era bem mais competente que este-que-vos-escreve no posto.
O masterplan do Zildo sempre foi do Ina, e foi ele quem se ocupou do trabalho mais, perdão, trabalhoso, mas igualmente recompensador, que foi o de ter procurado e encontrado gente boa da melhor qualidade para colaborar com nosso filhote ao longo de seus pouco mais de dois anos de vida. Muitos deles estão instalados cá no IB hoje, graças, novamente, ao Inagaki. Outros alçaram vôos igualmente interessantes, singrando seu próprio espaço no oceano literário brasileiro.
O Inagaki nunca poupou esforços para publicar no Spam o que ele tinha de melhor. Essa é uma característica que ele traz desde os tempos das listas de discussões e que mantém hoje no PEPN e nos outros 200 veículos para os quais colabora: o Ina, antes de tudo, respeita seu leitor. Seus textos são precisos, de uma correção absurda, sempre trazendo coisas novas. Mesmo quando ele reedita materiais passados, faz a devida atualização. Até suas abobrinhas são plenamente recheadas e bem temperadas!
Para mim, o Inagaki sempre foi um amigo distante que vez por outra consigo encontrar quando vou a SP ou, mais raramente, quando ele vem a Curitiba. Um cara que sempre tive orgulho de chamar de amigo, mas a quem, confesso, nunca compreendi completamente (ainda bem, né?). Hoje não hesito em apontá-lo como um dos principais personagens da internet brasileira, que não se limitou a ser mais um blogueiro de leitores-blogueiros e que, novamente, em respeito a seu público, se esforça diariamente para se manter atualizado às pequenas revoluções que acontecem incessantemente no ciberespaço.
Fico feliz em ver hoje tantas rememórias do Spam, nosso pequeno projeto em conjunto. Mas acredito na verdade que ele é um memorial vivo à trajetória do Ina, a quem todos temos o privilégio de ler (quase) diariamente. Descanse em paz, Spam Zine. Vida longa ao japonês!
18.08.07
Estou realmente feliz com a iminência das novidades do InterNey Blogs, especialmente (tá, os novos blogs serão ainda mais legais) com o novo template da home, que não faço idéia de como será, mas, espero, substituirá este cinzão que me dá uma sensação soturna que não é das melhores.
10.08.07
Mas eu até que achei a campanha engraçadinha...
É preciso ser tão politicamente correto?
17.07.07
Tiago Dória traz a notícia sobre o LoudounExtra.com, projeto de jornalismo "participativo" do Washington Post para o condado de Loudoun, de Virginia, nos EUA.
Ao contrário do que os grandes portais estão chamando por aqui de conteúdo colaborativo, o LoudounExtra.com não parte da premissa da notícia escrita e enviada pelo leitor, mas de uma integração profunda da equipe de jornalismo com a comunidade sobre a qual relata notícias.
Traduzindo, o site fornece para a comunidade desde notícias chanceladas pelo WP como também guia de restaurantes e escolas, calendário, pontos turísticos, dicas para novos moradores, história da cidade, blogs locais e "multimedia storytelling", algo como uma notícia contada com recursos multimídia.
O diferencial anunciado é que o LoudounExtra.com passou, antes da estréia, um ano conversando com líderes comunitários, diretores de escola, pastores de igrejas e afins para conhecer mais atentamente seu público. A "colaboração" se dá nesse nível: a comunidade quem pauta o site, e não simplesmente manda colaborações a serem chanceladas por algum editor. Quem deseja expressar sua opinião mais manifestamente participa de enquetes, manda mensagens ou faz seu blog ser linkado na página, com direito a eventuais chamadas de destaque.
A experiência parece uma forma razoável e profissional de se aproximar público e meio - coisa que por aqui ainda mal se discute, exceto por essa tentativa mal-ajambrada dos portais.
Jornalistas locais, corporativistas como qualquer outra categoria, não compreendem muito bem qual o papel do público em seu trabalho. Via de regra, escrevem para ser lidos por seus pares. E a idéia de infiltrar-se na vida cotidiana do povão (em oposição ao hard news e ao propalado jornalismo investigativo) soa como serviço de menor importância.
Serviços como o Digg são bastante populares entre usuários de internet iniciados, mas não refletem a capacidade média do público da internet brasileira. Talvez uma experiência local como a do LoudounExtra.com para, digamos, a Zona Norte de São Paulo, verifique se esse modelo possa ser bem sucedido no Brasil.
Pandorga pode ser uma pipa, uma música descompassada, uma mulher incrivelmente obesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga é o blog de Ricardo Sabbag, jornalista curitibano, sagitariano (com ascendente na Casa do Chapéu), amante das coisas boas e belas do mundo literário, cinematográfico, político, tecnológico, sensorial e artístico em que vivemos.