31.05.10

Foto: Orlando Kissner/SMCS
Há mais de um ano este blog não ganhava um novo post. E mesmo antes disso sua atualização era mais do que rara. Assunto? Em tese, não deveria faltar. Mas a experiência ensinou que escrever sobre qualquer coisa é mais difícil do que escrever sobre alguma coisa. Ainda mais se for qualquer coisa sobre si mesmo.
Meu primeiro blog, que existiu no tempo em que não era todo mundo que sabia o que era um blog, chamou-se "Sabblog", uma terrível evidência da união entre egocentrismo e mau gosto.
O Sabblog perdeu-se no espaço num momento qualquer de bom senso. Junto com ele, foram para as trevas meia dúzia de textos que poderiam ser guardados nem que por mera curiosidade científica. Mas pior: outros, que mereciam ou queimar no fogo ardente ou o esquecimento do fundo de uma gaveta qualquer, permaneceram vivos em outros cantos da rede. Foi quando aprendi que a internet faria uma biografia tosca e enviesada de todos nós, sem direito a edição ou ajustes, escancarando nossos momentos menos criativos e fazendo um retrato desfocado de nossos momentos mais irrelevantes e desimportantes. Um risco a se correr.
Pois depois do Sabblog vieram outros e outros blogs, que seguiram o mesmo caminho do esquecimento voluntário, até o convite dos chapas Inagaki e Edney para fazer parte do condomínio IB, ao lado de algumas figuras bastante salientes da tal blogosfera brasileira.
Só que tal qual o vício na coca-cola normal, a gente não consegue abandonar hábitos arraigados com tanta facilidade. E esta Pandorga, que um dia chegou até a pegar uma boa brisa graças à generosa força do Interney Blogs, cumpriu sua profecia e ao pó retornou, sem causar grande celeuma no nosso meio de escrevinhadores da internet.
Mas quis o destino que ao longo desses últimos dois anos, um post que escrevi por sugestão de outro broder das antigas, o Ian, fosse constantemente visitado por navegantes incautos que vinham parar por aqui por indicação do oráculo googleano. E assim, sem mais ou menos, atingiu um número bastante curioso de acessos, o que me fez parar para pensar um minuto.
E esse pensamento me levou a acreditar que talvez houvesse como ressuscitar esta Pandorga, desde que tivéssemos algo em comum sobre o que conversar, e me pareceu que seria um bom assunto falar sobre a minha cidade, Curitiba, onde vivo há mais de 30 anos, e que aprendi a conhecer e a gostar, e a saber das coisas sobre ela, e a falar dela.
Mas é lógico que no primeiro post da retomada, eu acabaria discorrendo mais sobre meu umbigo do que sobre o assunto que me propus a tratar, de modo que vou ficando por aqui mesmo para tentar, daqui em diante, falar mais sobre Curitiba.
Abraços.
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Pandorga, no dicionário, é uma pipa, uma música descompassada, uma mulher obsesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga será somente um espaço para falar um pouco sobre Curitiba e suas coisas. No twitter, @sabbag.