31.03.09

Minha mãe nunca teve medo da morte. Sempre disse ter medo de envelhecer. Não sei como o envelhecimento está sendo para ela. Eu não me importo em envelhecer. Acho que a velhice combina comigo. Não me incomodo com cabelos brancos, juntas doloridas, falta de viço. As vezes chego a sentir, em acessos de estresse profundos, os cabelos embranquecendo. Espero que alguma sabedoria venha com a velhice, mas espero sem grandes esperanças. Meu único desejo é ter uma voz parecida com a do Paul Newman em The Hudsucker Proxy.
Trackback:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/31884 Posts similares:
Pretos, como a asa da graúna. Brancos, como a neve.
Dica de perfume *-*
Geneon incorporada pela Universal Pictures
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários, Trackbacks:
Eu gosto do seu blog, sobretudo de seu perfil. Acho que caí aqui procurando uma imagem de "Wall-E".
A minha própria morte não me apavora. Morrendo eu, ponto final, tanto faz como fez. Velhice sim, é tétrico. É a degradação. Da boniteza que coube a cada um, das funçoes, dos sentidos, das possibilidades, das perspectivas, da própria razão de ser.
Cruel, quando conserva a mente ainda útil encarcerada no corpo inútil. Horrivelmente cruel, quando deteriora nosso corpo e mente e nos mantém presos a um arremedo de vida, cheirando a urina e enchendo a paciência dos outros.
Devíamos nos revoltar contra a velhice, fazer greves, piquetes, passeatas, reuniões, panfletos, corpo a corpo, conclamar Lúcifer, sei lá, alguma coisa.
Outro dia me emeiaram uma foto de 'Jean-Paul Belmondo hoje'. Quando vi aquilo corri googlar uma foto dele aos 30, 40 anos, pra comparar. Nossa! A velhice chega a ser uma coisa indecorosa. Como se a cara da gente virasse uma genitália exposta e ambulante (e velha).
Eu reflito sobre a vida e filosofo muito quando estou no supermercado, principalmente na fila do caixa. Observo as pessoas, em geral com uma certa náusea. Hoje em dia me flagro invejando mulheres jovens com filhos pequenos e mulheres da minha idade com mães em boas condiçoes. Do que eu mais tenho saudade na vida é ter mãe e ser mãe. Nada disso mais faz ou fará parte da minha realidade.
Fim de linha. Hoje, no balanço de perdas e danos, só o que me consola é pensar que o Gerard Butler é gay.
(I'm a man of possibilities, disse ele. Possibilities, hmmm? I see.)
Pandorga pode ser uma pipa, uma música descompassada, uma mulher incrivelmente obesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga é o blog de Ricardo Sabbag, jornalista curitibano, sagitariano (com ascendente na Casa do Chapéu), amante das coisas boas e belas do mundo literário, cinematográfico, político, tecnológico, sensorial e artístico em que vivemos.