31.03.09

Velhice

Paul Newman

Minha mãe nunca teve medo da morte. Sempre disse ter medo de envelhecer. Não sei como o envelhecimento está sendo para ela. Eu não me importo em envelhecer. Acho que a velhice combina comigo. Não me incomodo com cabelos brancos, juntas doloridas, falta de viço. As vezes chego a sentir, em acessos de estresse profundos, os cabelos embranquecendo. Espero que alguma sabedoria venha com a velhice, mas espero sem grandes esperanças. Meu único desejo é ter uma voz parecida com a do Paul Newman em The Hudsucker Proxy.


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Comentário de: Glutona · http://weblog-material.blogspot.com/

Bem, sem duvidar da sua mãe, mas creio que não exista alguém que não tenha medo da morte. Em contrapartida, também sem duvidar de você, não creio que alguém conviva plenamente com a velhice.

Eu gosto do seu blog, sobretudo de seu perfil. Acho que caí aqui procurando uma imagem de "Wall-E".

PermalinkPermalink 06.06.09 @ 16:36



Comentário de: mae

Não, não tenho medo da morte, Glutona. Acho-a, sim, um acinte, mas há acintes que me dão mais medo, por exemplo certas pessoas existirem.

A minha própria morte não me apavora. Morrendo eu, ponto final, tanto faz como fez. Velhice sim, é tétrico. É a degradação. Da boniteza que coube a cada um, das funçoes, dos sentidos, das possibilidades, das perspectivas, da própria razão de ser.

Cruel, quando conserva a mente ainda útil encarcerada no corpo inútil. Horrivelmente cruel, quando deteriora nosso corpo e mente e nos mantém presos a um arremedo de vida, cheirando a urina e enchendo a paciência dos outros.

Devíamos nos revoltar contra a velhice, fazer greves, piquetes, passeatas, reuniões, panfletos, corpo a corpo, conclamar Lúcifer, sei lá, alguma coisa.

Outro dia me emeiaram uma foto de 'Jean-Paul Belmondo hoje'. Quando vi aquilo corri googlar uma foto dele aos 30, 40 anos, pra comparar. Nossa! A velhice chega a ser uma coisa indecorosa. Como se a cara da gente virasse uma genitália exposta e ambulante (e velha).

Eu reflito sobre a vida e filosofo muito quando estou no supermercado, principalmente na fila do caixa. Observo as pessoas, em geral com uma certa náusea. Hoje em dia me flagro invejando mulheres jovens com filhos pequenos e mulheres da minha idade com mães em boas condiçoes. Do que eu mais tenho saudade na vida é ter mãe e ser mãe. Nada disso mais faz ou fará parte da minha realidade.

Fim de linha. Hoje, no balanço de perdas e danos, só o que me consola é pensar que o Gerard Butler é gay.

(I'm a man of possibilities, disse ele. Possibilities, hmmm? I see.)

PermalinkPermalink 11.09.09 @ 01:36



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