22.08.07

Spam Zine, in memoriam, viva Inagaki!

Alexandre Inagaki já escrevia como escreve hoje, para suas centenas (milhares?) de leitores, desde as primeiras edições do Spam Zine, fundado por nós em fevereiro de 2001 e que durou mal-e-mal até 2003, morto de falência múltipla dos órgãos dada a explosão dos blogs. Tive o privilégio de ser um dos editores do Zildo, embora passasse a maior parte do tempo reclamando do tempo exígüo e devolvendo a bola para o japaguaio - pra sorte dos leitores, que ele era bem mais competente que este-que-vos-escreve no posto.

O masterplan do Zildo sempre foi do Ina, e foi ele quem se ocupou do trabalho mais, perdão, trabalhoso, mas igualmente recompensador, que foi o de ter procurado e encontrado gente boa da melhor qualidade para colaborar com nosso filhote ao longo de seus pouco mais de dois anos de vida. Muitos deles estão instalados no IB hoje, graças, novamente, ao Inagaki. Outros alçaram vôos igualmente interessantes, singrando seu próprio espaço no oceano literário brasileiro.

O Inagaki nunca poupou esforços para publicar no Spam o que ele tinha de melhor. Essa é uma característica que ele traz desde os tempos das listas de discussões e que mantém hoje no PEPN e nos outros 200 veículos para os quais colabora: o Ina, antes de tudo, respeita seu leitor. Seus textos são precisos, de uma correção absurda, sempre trazendo coisas novas. Mesmo quando ele reedita materiais passados, faz a devida atualização. Até suas abobrinhas são plenamente recheadas e bem temperadas!

Para mim, o Inagaki sempre foi um amigo distante que vez por outra consigo encontrar quando vou a SP ou, mais raramente, quando ele vem a Curitiba. Um cara que sempre tive orgulho de chamar de amigo, mas a quem, confesso, nunca compreendi completamente (ainda bem, né?). Hoje não hesito em apontá-lo como um dos principais personagens da internet brasileira, que não se limitou a ser mais um blogueiro de leitores-blogueiros e que, novamente, em respeito a seu público, se esforça diariamente para se manter atualizado às pequenas revoluções que acontecem incessantemente no ciberespaço.

Fico feliz em ver hoje tantas rememórias do Spam, nosso pequeno projeto em conjunto. Mas acredito na verdade que ele é um memorial vivo à trajetória do Ina, a quem todos temos o privilégio de ler (quase) diariamente. Descanse em paz, Spam Zine. Vida longa ao japonês!

Permalink . Ricardo Sabbag . 03:21:02 . Blogosfera . Email


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