17.08.07

Não é legal isso do cinema brasileiro depender de lei de incentivo a cultura pra sobreviver. Nem tanto pelo subsídio público à realização dos filmes, mais pela indústria da captação que se formou ao redor das produtoras. Mas, ao que parece, é o jeitinho que se deu pra fazer cinema por aqui, então que assim seja.
Cão sem Dono é um grande filme. Extrai da pequena novela de Daniel Galera o que ela tem de melhor. Ao mesmo tempo, não se limita a isso e tampouco se propõe a ir além disso. É notável a qualidade da interpretação hiperrealista dos atores. Os protagonistas vão bem, mas são os coadjuvantes que mantêm o alto padrão da coisa - especimente os personagens do pai de Ciro e de Lárcio, o motoboy. O roteiro, por sua vez, deixa de explorar cenas muito ricas que estavam no original - notadamente o flashback da visita do protagonista ao rancho de seu avô, bem como não vai a fundo na relação entre Ciro e Marcela doente.
O que importa é que é um bom filme. Gostaria de ter visto um filme realmente antológico, mas não sei até que ponto isso seria exigir demais dos diretores. Em verdade, acho que ainda falta à "nova cinematografia" brasileira um título verdadeiramente antológico, um Pulp Fiction verde-e-amarelo. Por um momento, achei que esse filme pudesse ser O Homem que Copiava, mas uma reflexão mais atenta fez com que abandonasse a idéia.
Não há outro jeito de se encontrar esse título senão se fazendo mais e mais cinema. De minha parte, não ligo que a CPMF que sai periodicamente da minha conta dê algum tipo de sustentação a isso. Mesmo que no meio do caminho venham alguns O Dono do Mar.
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