17.07.07

Jornalismo colaborativo

Tiago Dória traz a notícia sobre o LoudounExtra.com, projeto de jornalismo "participativo" do Washington Post para o condado de Loudoun, de Virginia, nos EUA.

Ao contrário do que os grandes portais estão chamando por aqui de conteúdo colaborativo, o LoudounExtra.com não parte da premissa da notícia escrita e enviada pelo leitor, mas de uma integração profunda da equipe de jornalismo com a comunidade sobre a qual relata notícias.

Traduzindo, o site fornece para a comunidade desde notícias chanceladas pelo WP como também guia de restaurantes e escolas, calendário, pontos turísticos, dicas para novos moradores, história da cidade, blogs locais e "multimedia storytelling", algo como uma notícia contada com recursos multimídia.

O diferencial anunciado é que o LoudounExtra.com passou, antes da estréia, um ano conversando com líderes comunitários, diretores de escola, pastores de igrejas e afins para conhecer mais atentamente seu público. A "colaboração" se dá nesse nível: a comunidade quem pauta o site, e não simplesmente manda colaborações a serem chanceladas por algum editor. Quem deseja expressar sua opinião mais manifestamente participa de enquetes, manda mensagens ou faz seu blog ser linkado na página, com direito a eventuais chamadas de destaque.

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A experiência parece uma forma razoável e profissional de se aproximar público e meio - coisa que por aqui ainda mal se discute, exceto por essa tentativa mal-ajambrada dos portais.

Jornalistas locais, corporativistas como qualquer outra categoria, não compreendem muito bem qual o papel do público em seu trabalho. Via de regra, escrevem para ser lidos por seus pares. E a idéia de infiltrar-se na vida cotidiana do povão (em oposição ao hard news e ao propalado jornalismo investigativo) soa como serviço de menor importância.

Serviços como o Digg são bastante populares entre usuários de internet iniciados, mas não refletem a capacidade média do público da internet brasileira. Talvez uma experiência local como a do LoudounExtra.com para, digamos, a Zona Norte de São Paulo, verifique se esse modelo possa ser bem sucedido no Brasil.



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