11.06.07

Será o Google a nova bolha?

Em 1999 Artur Xexéo escreveu uma crônica que reclamava do sem-número de colegas jornalistas que despediam-se dos jornais e ingressavam em HOME-PAGES, SAITES e PORTAIS DA INTERNETE, dáblio dáblio dáblio, emeio, dáunloud. "Estou no Tutopia, e você?". "Eu fui chamado pela AOL". Eram os diálogos regados a uísque em festas de Ipanema. Xexéo, amargurado, dizia que ficara para trás. Que ainda era do tempo da imprensa impressa, dos tipos e das rotativas. Era o capitão de uma nau prestes a naufragar.

Três anos mais tarde a bolha estourou, a festa acabou, a luz apagou e voltamos nós à triste vaca fria.

Mas foram só mais três anos para a banda larga virar brincadeira de criança e o Google transformar-se numa companhia mais rica e importante do que Coca-Cola e GE, como exemplo.

Hoje quem quer ficar rico deve pensar em inventar alguma coisa para a tal web 2.0, 3.0, 16 válvulas, injeção eletrônica ou qualquer coisa. Nas festas de Ipanema você ouve: "Criei um software que permite que você faça upload de vídeos direto do seu celular para o YouTube". Como uma mãe de um país subdesenvolvido deseja que seu filho seja adotado por Angelina Jolie e Brad Pitt, você deseja que sua galinha dos ovos de ouro seja abocanhada pelo Google em troca de alguns mirréis de dólares.

Vocês amantes da tecnologia que me desculpem, mas não acredito nisso. Simplesmente acho que vai dar errado. Ou o Google vira o Big Brother ou ele explode como a nova bolha, vomitando sobre nossas cabeças esses milhares de serviços obsoletos por definição.

***

Pense comigo: quem realmente precisa de buscadores de fotos, de programas que mostrem a imagem de uma rua dentro de um mapa ou de planilhas compartilháveis? (a onda agora é conteúdo offline, hehe)

Acho que antigamente as coisas que existiam - as que eram inventadas e se tornavam palpáveis, populares, como a tevê em cores e o motor refrigerado a água - só existiam porque passavam por um teste de NECESSIDADE. Isto é realmente necessário à nossa existência? Em caso afirmativo, permaneça. Do contrário, rode.

Hoje a UTILIDADE parece ter sido substituída pela USABILIDADE. Tudo já foi inventado. Se você não conhece, este é um problema do departamento de marketing. Se você conhece mas não sabe para que serve, você é um burro.

***

Eu, que já me considerei muito antenado, ando com saudades do barulho do modem de 28800, das BBS, dos joguinhos madrugueiros do L.O.R.D. (Legend of the Red Dragon, conheceu?) - quando internet era coisa de notívago, porque telefone de dia era muito caro. Alguém mais?

São 10 anos desde a idade da pedra da internet caseira. Deve haver alguma eqüação física que demonstre isso: algo que mude tão rápido em 10 anos não pode ser perene!

OK, você pode falar em convergência, em gadgets que são mais importantes que guarda-chuvas e cadarços. Mas estamos falando de coisas que não têm história, que não têm histórico, que não são DEMANDADAS por toda la gente.

Mas vamos ficar por aqui. Este é um problema para os filósofos. Os de verdade. Aqui a gente só palpita.



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