11.04.07

Entretenimento adulto

Não gosto de telenovelas, embora não tenha nada contra as mesmas. Tirando Que Rei Sou Eu? e Vamp, que assisti na infância, nunca consegui me interessar nos folhetins eletrônicos. Para não mentir, assisti Renascer, porque gostava do Painho e do Guma, e também da versão doméstica que bolamos para Ai que Saudade d’Ocê, cantada pelo Fábio Júnior e que fazia parte da trilha da novela:

“Não se admire se um dia
o Dimião invadir
a porta da sua casa
lhe der um balaço
e sair
fui eu que mandei o nego
fazer a chacina
isso me fascina
metê um balaço em você”

Damião era o jagunço vivido por Jackson Antunes, você deve lembrar.

Não tenho nada contra mas não gosto muito, porque acho todas repetitivas demais. É um gênero dramático de grande importância para o Brasil, mas tenho a impressão de que hoje nos ressentimos de alguma ousadia. Bons autores reclamam da era que projetos inovadores levam para ser aprovados nas emissoras. Parece que tudo virou uma cópia da cópia da cópia. É arriscado inovar e perder preciosos pontos de audiência. Pontos esses já garantidos com fórmulas batidas.

Por isso gosto tanto das séries americanas que povoam os canais de tevê a cabo. Posso perder horas assistindo três ou quatro episódios seguidos sem me cansar. Longe de achar que isso seja um tipo de entretenimento mais “intelectualizado” que a novela, acho simplesmente que os roteiros são melhores – incrivelmente melhores. Não chego a acompanhar todas minhas prediletas diariamente, mas assisto sempre que pego alguma coisa no ar e, vez por outra, encaro os DVDs de metade de uma temporada qualquer. Junte isso, boa companhia, sofá confortável e um tacho de pipoca e você terá uma tarde de domingo nublada perfeita.

Minha última obsessão é House, produzida pelo Bryan Singer, diretor de X-Men e do fabuloso Os Suspeitos. House é o médico interpretado por Hugh Laurie que desvenda os diagnósticos das doenças mais improváveis que podem acometer uma pessoa. Ele não gosta de gente, então as trata à distância. E é o reizinho das ironias.

Claro, boa parte do que eles discutem você não entende, porque tratam-se de termos médicos que sabe-se lá o que significam. Mas isso importa? Pra mim, não.

Permalink . Ricardo Sabbag . 16:51:01 . Televisão . Email


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