05.04.07

Chico Buarque fez, em Curitiba, uma apresentação tão flat, que a sensação, mesmo para quem estivesse na boca do palco, era a de estar assistindo ao show em DVD, só que numa tela gigante. Isso diminuiu o espetáculo? É claro que não. Mas porque a relação entre público e artista era de total idolatria. O que contava ali para boa parte dos presentes não era a qualidade do "show-em-si", mas a possibilidade de ver de perto o ídolo, um personagem importante da história nacional. O resto, cenário, luz, set-list, era um mero complemento.
E o show foi bom também porque todo certinho, dentro do script. As apresentações de Carioca parece que cabem à figura atual de Chico, um compositor sexagenário cheio de história com ares de menestrel do Brasil, como bem sentenciou o amigo Mário.
Entretanto, as melhores partes do espetáculo me pareceram exatamente aquelas que seriam substituídas ou cortadas do suposto DVD: a hora em que o cantor esquece a letra, pigarreia durante a música, troca duas palavras com o público (bem, isso também deveria estar no script, mas ao menos é algo que comprova a fidelidade da presença do artista em cena), pára para ouvir o ponto, hesita em se aproximar dos fãs mais exaltados na platéia. São pequenos momentos que mostram que o ídolo ainda é humano, apesar da gente achar que é um semi-deus quando canta "João e Maria".
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