28.03.07

O debate sobre serem ou não os vídeo-games uma forma de arte já é assunto passado lá fora, mas aqui ainda suscita boas discussões, especialmente porque o mercado brasileiro de games é incipiente, da produção ao consumo.
Muito se fala que jogos como Okami e Shadow of the Colossus, ambos para Playstation 2, são provas de que os games podem, sim, ser arte. Mas que tipo de arte?
No Japão, já se discute se esse é mesmo o rumo que a indústria quer tomar – se vale a pena enveredar por criações mais, digamos, conceituais, ou se o que interessa é vender títulos às toneladas, independente da qualidade artística.
Fato é que jogos como Okami e Shadow of the Colossus ganham esse adjetivo, “artístico”, porque flertam com as artes visuais. Sai de cena o bonequinho que pula e atira e entram um deus em forma de lobo e um anti-herói errante. Os cenários lembram paisagens desenhadas por traços inspirados em grandes artistas e seus elementos são fantásticos. E a “arte” pára por aí.
Um jogo revolucionário como Grand Theft Auto beira o artístico por conta de seu roteiro. Mas se você tiver paciência para reler a trama e os diálogos da história (preferencialmente em papel impresso), poderá ter a impressão de que aquilo não é exatamente o que se classificaria como um grande roteiro dramatúrgico. GTA impressiona por sua complexidade mas, principalmente, pela diversidade quase interminável de situações que permite ao jogador inserir seu personagem. Essa mesma diversidade pode ser experimentada em um título como The Sims, em que a jogabilidade propriamente dita pode ser inteiramente substituída pela simples manipulação dos personagens ou pela construção de imóveis magníficos (há jogadores que se notabilizaram na net por criar peças de arquitetura e mobiliário próprias para o universo dos Sims), pelo tempo que o jogador desejar, sem prejuízo à sua experiência de entretenimento.
Muito se compara o potencial artístico de um jogo ao cinema, por conta da proximidade estética dos dois meios. Falemos da sétima arte, então: O que é mais artístico? Um filme de Tarantino ou Peter Greenaway?
Poderíamos dizer, então, que os jogos clássicos são os que tendem a ser mais facilmente classificados como obras de arte. Quem você incluiria nessa lista? Shigeru Miyamoto, que entre outros feitos é o criador dos irmãos Mario, afirmou que o jogo que levaria para uma ilha deserta é o popularíssimo Tetris. Na minha opinião, Tetris não é uma forma de arte, a menos que passássemos a aceitar jogos de tabuleiro como xadrez, mahjong e dominó como arte, o que não me parece muito factível. Adventure, do Atari, seria arte? E Super Mario 3? E Double Dragon? E a versão em inglês de Zero Wing (all your base are belong to us)?
Vídeo-games não são artes plásticas, nem cinema, nem dramaturgia. Faltam-lhe características que o definam como alguma dessas formas. Mas vídeo-games poderiam ser instalações. O Urinol de Duchamp marcou a história da arte. Quem sabe se um dia ligarem Civilization 2, Oblivion ou Zelda dentro de uma Bienal, a dúvida nos seja sanada.
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Sega e Marvel , mais games!
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Não entendo nada de video-games, mas, cá pra nós, qualquer forma de expressão pode ser considerada arte, não?!
Pronto! Alguém postou algo sobre esse comentário, mesmo que seja uma forma de desviar do assunto. As coleguinhas de trabalho não manjam desse assunto não!
Posso discordar de ti??
Hoje mais do que nunca os games são pura arte!!!! Todo o árduo trabalho por trás da realização de um game, principalmente no que diz respeito aos gráficos cada vez mais perfeitos e embasbacantes, merece todos os créditos e méritos de ser chamado arte.
Um game pode insuflar euforia, contemplação e reverência, tal como uma obra de arte famosa, mesmo que por valores diferentes...
Abraço!
Pode discordar, claro, Beatriz. Mas acho que não discordamos muito sobre essa questão, não. Abraços!
Meu nome é Thaís. Eu também escrevo no meu blog algumas referências a isto.
Mas penso que é difícil as pessoas aceitarem que a arte pode se dar de diversas formas, desde que não haja "banalização" da mesma.
Os Games também se encaixam neste perfil.
Bom, esta é a minha opinião. Eu particularmente sou a favor neste ponto. Ver o Video Game como uma forma de arte, mas não pensando nele como apenas um instrumento que eu posso ter em casa e jogar sem ter algum tipo de pensamento lógico naquilo.
Pandorga pode ser uma pipa, uma música descompassada, uma mulher incrivelmente obesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga é o blog de Ricardo Sabbag, jornalista curitibano, sagitariano (com ascendente na Casa do Chapéu), amante das coisas boas e belas do mundo literário, cinematográfico, político, tecnológico, sensorial e artístico em que vivemos.