23.03.07
O problema do brasileiro (ei, estou a ponto de me diplomar em sociologia, então eu posso começar uma frase assim, dizendo "o problema do brasileiro") é achar que vive num país de verdade. Num país com leis e normas, quer dizer, menos que isso. Achar que vive num país que tem um contrato social qualquer minimamente não-selvagem, em que seus habitantes não precisem sair nas ruas carregando um tacape e que não seja necessário urrar para avisar o bando da chegada do inimigo. Não. O Brasil está abaixo disso. Está pior que Ruanda ou Botswana, porque lá, pelo menos (é essa a impressão que eu tenho quando assisto à BBC World), o sujeito sabe que não está sendo enganado. Que a merda é mesmo aquela toda que ele enxerga a seu redor. No Brasil você olha para o lado e vê um banquinho, um violão e o Corcovado e tem a impressão de que está tudo bem. Não está.
A nibelunga falou alguma coisa assim, emulando o Sérgio Buarque de Hollanda que vive dentro de si. Somos, sim, bocós, irrevogável e essencialmente bocós. É a nossa natureza.
Hoje, às 13 horas, todas as viaturas da Polícia Civil do Paraná deverão sair às ruas com giroflex e sirenes ligadas. A operação regional, parte da Operação Nacional das Polícias Civis, deverá durar 15 minutos. A portaria assinada no último dia 13 pelo delegado-geral-adjunto Francisco José Batista Costa (noticiada, novamente, pela Tribuna do Paraná) determina que a operação cause "a impressão da presença dos carros de polícia em todos os pontos possíveis da cidade".
Vamos a repetir: "a impressão da presença dos carros de polícia em todos os pontos possíveis da cidade".
E sublinhar: "a impressão da presença..."
Guilherme Fiúza apontou o "problema da pirotecnia" em segurança pública neste post de 11 de fevereiro. No Brasil é assim mesmo. Resolvem-se os problemas de segurança com um sirenaço nas ruas. E se você não tiver nada melhor para fazer e perguntar para alguma otoridade porque elas agem assim e não trabalham de verdade, vão dizer (os mais educados, claro) que a culpa é do estado, do país ou, em último caso, dos portugas. Nosso secretário da segurança, Luiz Fernando Delazari, gosta de usar um termo que sintetiza esse discurso: a "herança maldita" do estado. O dinheiro nunca será suficiente para combater a alta bandidagem, então vamos às ruas fazer blitze e ligar o giroflex na cara do cidadão. Quem sabe, além do cidadão, os bandidos também se assustem e tomem algum juízo.
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Pandorga, no dicionário, é uma pipa, uma música descompassada, uma mulher obsesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga será somente um espaço para falar um pouco sobre Curitiba e suas coisas. No twitter, @sabbag.