16.03.07

Vá ao teatro (mas não me chame)

E dia 22 próximo se inicia o Festival de Teatro de Curitiba, evento que já foi o maior e mais importante do gênero no país mas que hoje já não sei como vai de prestígio brasilzão afora.

Comparecer ao FTC é uma coisa complicada. Isso porque normalmente a tática dos jovens amantes das artes cênicas é arriscar a maior parte de seus suados caraminguás em uma ou duas montagens da mostra oficial (mais caras e concorridas) e jogar o restante de suas economias no imprevisível Fringe, a mostra paralela, que reúne de tudo um muito. As chances de se dar mal são grandes.

Especialmente se você for um ranzinza e mal-humorado para assuntos teatrais, como este que vos escreve.

Mas não me julguem mal. Gosto de teatro. Gosto mesmo. Só acho que tem pouca gente no Brasil que saiba fazê-lo bem.

Lembro de Décio Pignatari: "O brasileiro não sabe falar!". Ele foi ao teatro na Inglaterra e num monte de outros países e se escandalizou. Para ele, ator brasileiro não tem preparo algum para falar em cena.

Houve um tempo em que o FTC fazia anualmente as estréias do Gerald Thomas. Furadaça. A peça nunca chegava pronta (não sei se caso chegasse faria alguma diferença, mas, enfim...) e era um festival de pinto mole e bunda branca e o Gerald Thomas entrando em cena no meio do espetáculo e a platéia aplaudindo de pé (sem brincadeira. Se o Gerald Thomas cagar no colo da platéia curitibana durante o FTC vão aplaudi-lo em pé no final da peça, com a merda lhes escorrendo pelos sapatos) que Deus-nos-livre.

Mas sempre tem uma ou duas coisas muito boas. A questão é você ser informado o suficiente para saber separar o joio do trigo ou dar a sorte.

Hoje já não acompanho mais as novidades para arriscar algum palpite, então vou no tiro certo. É o óbvio ululante, mas não custa reforçar: Vale conferir Thom Pain e Lady Gray, dois monólogos montados pela Sutil Companhia. É mais uma empreitada do Felipe Hirsch com o Guilherme Weber. Dupla infalível. Pra melhorar, tem o retorno da Fernanda Farah, que é ume beleza de atriz. E o texto é adaptado do Will Eno, apontado como sucessor de Beckett e Edward Albee. Coisa fina.

Outra dica boa é uma off-FTC. Falamos de Daqui a Duzentos Anos, estrelada pelo Luis Melo e com a participação do amigo André Coelho e da talentosíssima Edith de Camargo (outro dia falaremos aqui sobre sua banda, Wandula). São três experiências cênicas sobre os contos "O Amor", "O Caso do Champanhe" e "A Brincadeira", de Tchekov. A peça é resultado de uma longa pesquisa que o pessoal do ACT fez sobre a obra do Tchekov. Eles experimentaram bastante e chegaram a esse resultado. Não assisti, mas o Melo em cena é sempre algo digno de nota.

Nota do editor: Aqui no IB temos as categorias Cinema, Música e Livros, mas não temos Teatro ou mesmo Arte. Talvez eu devesse criar uma subcategoria própria para isso, mas ainda tenho que aprender as manhas.



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