14.03.07

Percebo como a literatura pode ser inútil quando penso em escrever algo e lembro que pelo menos uma dezena de pessoas já escreveu aquilo com muito mais estilo e propriedade que eu. Passo, então, a procurar esses textos que tratam desses temas com tanta beleza e argúcia. Ao encontrá-los, lembro da utilidade e necessidade da literatura.
Quão egocêntrica pode ser uma citação de si mesmo?
Não cabe discutirmos isso agora. Fato é que li o texto que transcrevo a vocês logo abaixo e lembrei disso que escrevi nos idos do finado ano de 2003. A satisfação da literatura se esconde no leitor, e não no autor. E quando leio coisas como esse texto, que transcrevo a vocês logo abaixo, penso que às vezes o mundo parece ter salvação. E se não tiver, que acabe num barranco com um livrinho do Manoel Carlos Karam. [leia mais um pouquinho dele aqui, no paralelos]
Antes de mais, cabem as explicações: Karam lê suas Crônicas de alhures do sul semanalmente na rádio BandNews Curitiba. Não obstante, publica as mesmas no blog do Zé Beto, donde eu devidamente roubei este texto que transcrevo a vocês logo abaixo.
Deleitai-vos.
***
Título da crônica de hoje:
A banana e o ancestral do homem
Subtítulo da crônica de hoje:
O ancestral do homem e a banana.
O ancestral do homem usou a inteligência pela primeira vez.
Para descobrir que a banana era boa de comer.
Pausa para reflexão.
...
O ancestral do homem usou a inteligência pela segunda vez.
Para descobrir que, se aguardasse amadurecer, a banana era ainda melhor.
Mais uma pausa para reflexão.
...
O ancestral do homem usou a inteligência pela terceira vez.
Para descobrir a possibilidade de descascar a banana.
Outra pausa para reflexão.
...
Seguida de pausa para provocar suspense.
...
O ancestral do homem usou a inteligência pela quarta vez.
Para aumentar o preço da banana.
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Pandorga, no dicionário, é uma pipa, uma música descompassada, uma mulher obsesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga será somente um espaço para falar um pouco sobre Curitiba e suas coisas. No twitter, @sabbag.