22.02.07
Pelas minhas contas, essa é a décima vez que me mudo (de endereço físico, mesmo, e não virtual, apesar da coincidência). Minha nova casa fica próxima a uma ruazinha chamada Otelo Queirolo, ator que incorporou o mais famoso palhaço que pousou por essas terras, o Chic-Chic.
Essa história me foi contada pelo amigo Luiz Andrioli, que está escrevendo um livro contando parte da história dos irmãos Queirolo e que tem Otelo como personagem principal.
Quando Chic-Chic morreu, em 1967, foi tão grande a comoção da cidade (o enterro foi coisa a se comparar com o funeral de Getúlio Vargas) que a população se manifestou veementemente pela revogação duma lei municipal que só permitia que se nomeasse uma rua com nome de morto dois anos após o falecimento do candidato a efeméride. Queriam dar a alguma avenida o nome de Otelo Queirolo.
O assunto foi um grande tema dos jornais locais após a morte do artista.
Caso é que, como de costume, o tempo foi passando e os ânimos se resfriando - e o tema sumiu da boca do povo.
A lei que dava a um logradouro curitibano o nome de OTELO QUEIROLO-CHIC-CHIC foi sancionada pelo prefeito Omar Sabbag no ano seguinte. Mas só três anos depois da morte de Chic-Chic é que a rua que hoje avisto da janela foi nomeada de Otelo Queirolo. Nada de muito grandioso.
E não se falou mais em revogar lei nenhuma.
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Pandorga, no dicionário, é uma pipa, uma música descompassada, uma mulher obsesa ou uma pantufa. Mas, aqui entre nós, Pandorga será somente um espaço para falar um pouco sobre Curitiba e suas coisas. No twitter, @sabbag.