
Fui com as crianças, no último fim de semana, à exposição d'Os Gêmeos na Faap. Uma beleza. Vários dos clássicos da dupla paulistana de grafiteiros estavam lá, para deleite do público. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas não pude deixar de perceber uma instigante contradição no que via ali: o público que babava com as obras expostas é o mesmo que despreza não só grafiteiros e pichadores, como também a rua e seu povo, que são a alma da arte d'Os Gêmeos.
Talvez, quem sabe, estimulados pelo texto da responsável pela curadoria da exposição, que logo na entrada do salão advertia: o que se veria lá dentro não tinha nada a ver com "vandalismo da pichação". Será que a gente só dá valor ao que está numa galeria, com a chancela de homens e/ou instituições de bem?
Ora, ora, ora, a sra. Celine, acho que muito em breve você vai se envergonhar do que escreveu e quem sabe até se desculpar. Isso porque a pichação 'vândala' já começa também a ganhar galerias de arte pelo mundo. Veja aqui, por exemplo, o que a Fundação Cartier, uma das mais respeitadas instituições do mundo em termos de arte contemporânea, tem a dizer sobre a pichação - principalmente a de São Paulo.
Viu lá? Pois é... Os garranchos ficam até mais respeitáveis, não?
Pode ser, mas o lugar desse tipo de arte é na rua...
(Trailer do documentário O Pixo, de autoria do fotógrafo João Wainer, lançado este ano e que vem fazendo um baita sucesso na Europa)
Obras d'Os Gêmeos em seu habitat natural, a rua - aqui e aqui.
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