Caindo a máscara nuclear

Maio 28th, 2008   (No views )

Quando se fala em custos da energia nuclear, os cabeça-de-milico e afins dizem que são menores que os de projetos de geração renovável como solar e eólica. Só que eles não contabilizam o valor do desligamento, desmontagem e armazenamento (processo conhecido como descomissionamento) de todo o lixo nuclear após o fim do funcionamento dessas usinas. Uma usina nuclear tem prazo de validade de uns 40 anos, talvez 60 se for recauchutada. Angra 3, por exemplo, está orçada em cerca de R$ 8 bilhões pelo governo brasileiro, mas sem levar em conta o alto valor do descomissionamento.

Não existe país no mundo que tenha apresentado solução definitiva para o problema. Nem a França, que tem cerca de 75% de sua geração de energia elétrica dependente de usinas nucleares, nem os Estados Unidos e seus 110 reatores. Quando essas usinas forem desligadas, fazer o que? Bombardear o sol, enviar tudo pro espaço, jogar no fundo do mar, enterrar em minas antigas ou no meio de montanhas? Por mais absurdo que pareçam, essas hipóteses foram cogitadas.

Além da bomba-relógio que deixamos para as gerações futuras, ainda há o problema do alto custo. Esta semana, um representante da Autoridade de Descomissionamento Nuclear da Inglaterra revelou que o custo de se 'limpar' quatro usinas britânicas poderá chegar a incríveis 75 bilhões de libras! Dezenove reatores deverão ser desligados e desmontados nas próximas décadas por lá e a conta vai ser paga pelos ingleses, via governo. Não à toa empresa privada alguma investe nesse setor se o governo não colocar bilhões em subsídios. Além disso, muitos dos lugares ficarão estragados para sempre, segundo autoridades do governo.

O fato dos programas nucleares em todo o mundo serem caros e ineficientes é argumento suficiente para evitarmos essa opção. Não faz o menor sentido. Combater o aquecimento global? Esquece. Seriam necessárias dezenas de usinas construídas em tempo recorde para fazer alguma diferença - e ainda assim teríamos dezenas de usinas para desmontar e armazenar ninguém sabe aonde.

Como bem diz o cientista americano Amory Lovins, especialista em energia renovável, o suposto renascimento da energia nuclear como opção energética é como desfibrilar um cadáver: ele vai pular, mas não reviver. E diz que o iminente derretimento do mercado de energia nuclear é bom para o desenvolvimento mundial. Saca só:

O derretimento do mercado de energia nuclear é bom para o desenvolvimento mundial: economizar eletricidade precisa de mil vezes menos capital e recompensa cerca de 10 vezes mais rápido do que fornecer mais eletricidade. Mudar as fontes de financiamento para a economia de eletricidade pode potencialmente transformar o setor de energia em uma rede de outras necessidades de desenvolvimento. Além disso, um sistema eficiente, diverso, disperso e renovável de energia pode tornar impossível o fracasso de fornecimento de energia.

Leia aqui o artigo na íntegra.


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Comentário de: william · http://sustentavel-habilidade.blogspot.com/

O problema é que a energia eólica e solar não possuem constância no fornecimento. Para produção industrial é necessário que se tenha energia confiável, algo que só se pode ter com usinas hidrelétricas ou nucleares, porém ambas possuem um enorme impacto ambiental. Mas quem disse que desenvolvimento sustentável é fácil?!


PermalinkPermalink 30.05.08 @ 06:59



Comentário de: escriba · http://www.escriba.org

Pois é, desenvolvimento sustentável não é fácil. Grandes hidrelétricas e usinas nucleares são o canto da sereia - parecem inofensivas, mas são altamente impactantes. Não creio que o problema das energias solares e eolicas sejam a constancia, mas sim o armazenamento do que é gerado. Nos últimos dois anos, essas fontes alternativas cresceram mais de 30% no mundo e vão crescer mais e mais.



Acabei de receber mais uma noticia sobre a alta dos custos de usinas nucleares - http://energycentral.fileburst.com/EnergyBizOnline/2008-3-may


O cadaver deu uma puladinha, mas não vai reviver… <img src="/blogs/rsc/smilies/icon_smile.gif" alt=":)" />


PermalinkPermalink 30.05.08 @ 07:18



Comentário de: MPolten

olha escriba, não se fala quase nunca, mas uma fonte eterna de energia é o mar. Numa época fizeram um zum-zum-zum e depois o assunto morreu na praia. Na verdade o movimento das marés pode sim ser usado para gerar energia. Caro, com certeza. No longo prazo, totalmente viável.
Uma forma de fazer isto acontecer é patrocinar as universidades para que os estudantes façam as descobertas.
O que não falta é competência, só que sobra má vontade política. Já pensou no que é que os políticos "ganham" para proteger hidrelétricas, usinas nucleares e encrencas afins?
Tenho certeza de que agredir o meio ambiente é tremendamente lucrativo para eles…


PermalinkPermalink 13.06.08 @ 15:52



Comentário de: escriba · http://www.escriba.org

rteza, Polten! Tempos atrás eu escrevi um post sobre um projeto muito louco que está sendo desenvolvido na costa da Irlanda, saca só:


http://escriba.org/novo/?p=1188


abração!


PermalinkPermalink 13.06.08 @ 20:04



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