
Mais do que o abalo sísmico, o que chacoalhou mesmo os defensores das usinas nucleares brasileiras ontem foi a declaração de um diretor de comercialização de energia elétrica Furnas sobre o custo da energia produzida, publicada pelo jornal Gazeta Mercantil. Segundo ele, a estatal tem prejuízo de centenas de milhões de reais por causa do preço baixo que é obrigado a vender no mercado.
E mais:
O próprio Resende admitiu que, se a estatal deseja construir Angra 3, precisará rever não só o modelo de comercialização da carga, como também o valor envolvido no negócio.
"Para construir Angra 3, a Eletronuclear também vai precisar de mais recursos. Daí a necessidade de revisão do preço da energia nuclear", afirmou o diretor de Furnas, ao reconhecer, ainda, outras dificuldades envolvidas no processo.Embora a energia nuclear seja atualmente comercializada por valores abaixo do previsto nos mesmos leilões para a energia das usinas termelétricas a gás natural, o reajuste em negociação não pode exceder demais o preço atual. Do contrário, haverá o risco de tornar as usinas nucleares pouco competitivas em relação às demais fontes de geração. Tal competitividade foi usada pelo lobby do setor nuclear, nos últimos anos, para convencer a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a apoiar a retomada do projeto de Angra 3 (grifo meu).
Ou seja, deram uma boa maquiada no preço da energia que sai das usinas nucleares para vender a idéia de que são baratas e a grande solução para o suprimento de eletricidade do país - como fazem aliás em vários países do mundo. Agora temos um baita elefante branco radioativo na sala. E quem pagará a conta, pra variar, somos nós.
Eu quero minha parte em renováveis, pode ser?
(Sem falar na herança atômica que deixaremos para as próximas gerações. Angra 1, por exemplo, deverá ser desligada e desmontada em cerca de 10 anos, com todo o material radioativo (sim, é lixo) armazenado em algum lugar. Onde? Mistéééério…![]()
-----
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/33401 Posts similares:
Ponta do iceberg
Navalha na carne
Caindo a máscara nuclear
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Sem Comentários/Trackbacks para esse post ainda...
Post anterior: LostPróximo post: Qual a beleza de uma floresta devastada?