Genocídio cultural no Tibete

Março 27th, 2008   (No views )

Acabei de ler um bom artigo na versão online do Le Monde Diplomatique sobre o genocídio cultural que tá rolando no Tibete. Os chineses têm promovido o assassinato da cultura tibetana desde 1950, quando invadiram pra valer o país do Dalai Lama, e infelizmente não há sinais que de vão parar. Segue um trecho:

O Tibete deveria ter sido tombado por inteiro há décadas, pela Unesco, como Patrimônio da Humanidade. Seus mosteiros guardavam um imenso tesouro de fé, sabedoria e práticas religiosas que foi saqueado, dispersado e sistematicamente destruído pelos ocupantes maoístas durante décadas. O pouco que sobra hoje é minado pela modernização forçosa e sub-reptícia. Genocídio cultural quer dizer hoje as barulhentas comitivas de turistas chineses, vulgares e arrogantes, visitando como um lugar exótico o Palácio Potala, antigo mosteiro-mor e residência oficial do Dalai Lama e outros lugares sagrados do budismo tibetano. Quer dizer também hipermercados (chineses), bancos (chineses), eletrônica (chinesa), restaurantes e hotéis (para chineses) invadindo as cidades tibetanas. Quer dizer a ferrovia recém-inaugurada entre Pequim e Lhasa, na qual, além dos trens de carga, deverá viajar "o trem mais luxuoso do mundo", segundo a propaganda, com "suítes cinco estrelas" para os turistas globais. Um detalhe: os vagões serão blindados, com vidros a prova de bala. Nunca se sabe…

Talvez só a Vaticano contenha um patrimônio cultural-religioso comparável aos tesouros guardados antigamente nas gigantescas lamaserias da Himalaia, onde milhares e milhares de monges produziam e conservavam obras-primas. A diferença é que o Tibete era ? e só em parte ainda é ? um país inteiro que vivia exclusivamente em função de seu sistema religioso, para sustentá-lo e eternizá-lo, sistema que proporcionava ao Tibete uma unidade fortíssima e identidade cultural milenária. Por isso mesmo, os chineses aplicaram-se, desde 1950, a destruir 70% dos mosteiros e matar metade dos monges tibetanos, obrigando finalmente o Dalai Lama ao exílio graças a uma fuga aventurosa, depois de muitas ameaças. Por isso, o Dalai Lama é a maior autoridade religiosa tibetana, e ao mesmo tempo seu único grande líder político.

O budismo, a cultura oriental e a cultura do mundo todo perderam no saque do Tibete. Mas a comunidade internacional não mexeu um dedo — assim como não nada fez na Armênia, em Biafra, Ruanda, e continua não fazendo no Darfur, etc. Vender Mercedes e Windows para os chineses é bem mais prioritário.

A íntegra do texto está aqui.



Posts similares:
Dalai Lama ameaça chamar Richard Gere para dar um jeito na situação do Tibete
Somos todos chineses
Tibete pede socorro

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Marcos · http://almanaque.wordpress.com/

Sei não, Jorge.


Diga o que quiser do regime chinês: que é autoritário, retrógrado, repressor, e tal. Mas os tibetanos estavam melhor antes de 1959? O país era uma monarquia teocrática, governada por uma elite de religiosos que há séculos exploravam os camponeses. E o Dalai Lama estaria fazendo isso até hoje, se dependesse dele.


PermalinkPermalink 28.03.08 @ 16:04



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: Tibete pede socorroPróximo post: Romênia diz 'não' a milho transgênico


Warning: readfile(http://www.interney.net/vitrine.php?siteref=%2Fblogs%2Foescriba%2F2008%2F03%2F27%2Fgenoca_237_dio_cultural_no_tibete%2F&edy_nome=genocidio+cultural+tibete): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.0 403 Forbidden in /opt/storage/blogs/end.php on line 32