
Aos que insistem em dizer que as ações do Greenpeace são puro marketing e que nada produzem de concreto, uma boa resposta é a ação que o grupo fez segunda-feira na França contra um cargueiro que transportava madeira da Amazônia para a Europa. Deu até no Jornal Nacional! Cinco ativistas subiram no Galina III (foto abaixo, by Rodrigo Baleia), que pegou sua carga em Santarém semanas atrás. Depois de explicarem à tripulação do cargueiro de que se tratava de um protesto pacífico, eles se amarraram aos guindastes, impedindo que a embarcação atracasse no porto de Caen, no norte da França. Ficaram lá pendurados por mais de 24 horas, até que o governo da França se comprometesse a trabalhar para mudar o estado das coisas.
A origem da madeira é pra lá de duvidosa - cerca de 80% das toras que saem da floresta amazônica é fruto de desmatamento ilegal. E a grande demanda por madeira por parte de países europeus - principalmente França, Holanda, Espanha e Portugual - acaba incentivando a destruição da Amazônia.
A ação do Greenpeace expôs o problema para o mundo e o governo da França teve que concordar em discutir e apoiar regras mais rígidas para a importação de madeira pela União Européia. A França assumirá no segundo semestre deste ano a presidência da Comissão Européia - atualmente com Portugal - e terá grande influência nas futuras decisões por lá. A ação também fez o governo brasileiro se mexer. A ministra Marina Silva ligou para seu colega francês, Jean-Louis Borloo, para discutir o comércio de madeira.
Agora é manter a pressão para que o governo francês cumpra sua palavra. Mais um ponto não apenas para o Greenpeace, mas para a sociedade civil como um todo. Identificou-se um problema, agiu-se para expô-lo ao mundo e contribuiu-se para resolvê-lo. Quer melhor marketing do que esse?
Veja abaixo como funciona o esquema de retirada ilegal de madeira da Amazônia:
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