A agonia dos oceanos

Fevereiro 18th, 2008   (No views )

Excelente o artigo de João Lara Mesquita publicado domingo, no Estadão, sobre a precária situação dos mares do planeta. O texto teve como inspiração o estudo Mapa Global dos Impactos Humanos nos Ecossistemas Marinhos, tocado por uma equipe internacional de cientistas e publicado na revista Science de fevereiro.

Entrevistei João Lara no final do ano passado para um projeto da campanha de Oceanos do Greenpeace e nas mais de duas horas de papo, na casa dele, conheci um pouco mais dessa triste realidade. Durante dois anos (de 2005 a 2007), ele desceu a costa brasileira num veleiro e registrou a destruição de nossa zona costeira num projeto batizado de Mar Sem Fim. O material rendeu um documentário na TV Cultura e dois livros.

O grau de destruição que provocamos ao mar é assustador.

Segue um trecho do artigo de João Lara no Estadão:

Por ignorância de alguns casos, ganância ou egoísmo de outros, estamos destruindo um dos mais importantes ecossistemas do planeta antes mesmo de conhecê-lo adequadamente. Até hoje o homem explorou menos de 2% do fundo dos oceanos que cobrem 71% da superfície do planeta. Mesmo assim já foram recenseadas 200 mil espécies. Os cientistas acreditam que identificaram e descreveram menos de 10% da totalidade dos seres marinhos. Mas os mares são muito mais que hábitat para milhares de espécies: eles são, em grande parte, responsáveis pelo clima na Terra.

Até o ar que respiramos depende em grande medida da fotossíntese feita pelas algas do fitoplâncton. Entre tantos benefícios, o mar contribui para retirar da atmosfera o dióxido de carbono, principal gás produtor do efeito estufa. Ainda assim continua pouco estudado, e as agressões que recebe repercutem menos que qualquer problema no meio ambiente terrestre.

O fenômeno é mundial e o Brasil não é exceção. Este país, "cujo nascimento teve o mar como placenta" (como escreveu Dennis Radunz no livro Museu Nacional do Mar), filhos que somos dos nautas portugueses, deu suas costas para o mar. E sem pressão da opinião pública não há nenhuma esperança.

Leia a íntegra do texto aqui.

E ainda sou obrigado a ler e ouvir marias antonietas ambientais, como Nelson Ascher, afirmarem que ambientalistas estão interferindo em direitos fundamentais individuais ao exigir que as pessoas se comportem sustentavelmente…

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