Ignacy Sachs, em entrevista ao Roda Viva transmitida hoje pela TV Cultura foi contundente: ou partimos para uma biocivilização, adotando mudanças de paradigmas no consumo (tanto de recursos naturais como também de bens), a eficiência energética e o uso de fontes renováveis de energia, ou não seremos capazes de enfrentar a contento as mudanças climáticas, a crise energética e a falta de emprego, grandes ameaças que pairam sobre nós.
O modelo de desenvolvimento que temos hoje no mundo é insustentável, mesmo que a longo prazo. Baseia-se apenas no custo/benefício econômico, ficando os custos sociais e ambientais sempre em segundo planos. Não é preciso ser um gênio para ver que vai dar merda. Já está dando. Estamos destruindo aceleradamente as matas, nos intoxicando com alimentos cada vez menos saudáveis, transformando os oceanos em lixões.
Autor de mais de 20 livros sobre meio ambiente e desenvolvimento, Sachs vem surrando essa tecla há mais de 30 anos. E pelos resultados da Convenção do Clima, realizada em Bali nas duas últimas semanas, é triste constatar que pouco do que falou e escreveu nesse meio-tempo foi assimilado por governos, empresas e cidadãos. Iniciativas isoladas como a da França, que montou uma ampla operação para esverdear suas ações, são uma gota (sempre bem-vinda) num oceano de maus-exemplos ambientais.
Enfim, de gota em gota espalhamos a palavra. É o que propõe Annie Leonard, especialista em sustentabilidade e saúde ambiental que já trabalhou com diversos grupos e ONGs ambientais - Global Anti-Incinerator Alliance, Health Care without Harm, Essential Information e Greenpeace International, entre outros. Ela está na praça com um projeto bem legal, o Story of Stuff, site que traz informações simples sobre como as coisas são produzidas, comercializadas e descartadas.
Vc sabia que um americano médio joga no lixo 99% do que compra após apenas seis meses? E que tudo isso é queimado ou enterrado, poluindo ar, terra e água com as substâncias tóxicas das mais variadas? Que a maior parte das coisas que compramos foram desenhadas deliberadamente para durar pouco, para que vc consuma sempre mais e mais?
É um ciclo perverso esse, incentivado por governos e, claro, empresas, como único modo de desenvolvimento possível. Mudar isso, dizem, é coisa de neo-comunistas ou eco-xiitas. Alterar as regras do jogo agora é impossível, assegura. Pois nós, como Annie bem frisa na apresentação de 20 minutos que você pode assistir na página inicial de seu site, consideramos insustentável e impossível é a manutenção das coisas do jeito que estão.
A civilização ocidental está numa encruzilhada. Circulando pelo site, encontra-se um sem número de links de entidades, instituições e ONGs que desenvolvem belos trabalhos que indicam um caminho, nos moldes da biocivilização defendida por Sachs. O outro é a barbárie consumista, esbanjadora e poluidora que conhecemos.
Já tô de malas prontas.
(se vai assistir a este trailer de Story of Stuff, lembre-se de pausar a rádio Escriba pra não atrapalhar)
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