
Semanas atrás, o Brasil anunciou com pompa a descoberta de um poço gigante de petróleo na Bacia de Santos. Russos, americanos, canadenses, dinamarqueses, alemães e outros países estão atentos como nunca ao derretimento do Ártico, não pelas conseqüências climáticas, mas pelas imensas oportunidades de se explorar uma quantidade ainda incalculável de minérios, gás e petróleo abaixo da cada vez mais rara calota polar. Agora a China, Índia, Japão e outros países asiáticos começam a explorar reservas congeladas de metano no fundo dos oceanos, que segundo geólogos seriam maiores do que todo o petróleo, gás e carvão que temos hoje no mundo. Aquecimento global, mudanças climáticas, emissões venenosas de CO2 na atmosfera? Ah, dá um tempo!
Pois é… Não me espanta ver as negociações em Bali emperradas do jeito que estão. Há muito jogo de cena pra não ficar mal na foto perante a opinião pública, todo mundo falando às câmeras sobre desenvolvimento sustentável, mitigação, redução de emissões de gases do efeito estufa e quetais. Mas na real? Querem mais é continuar usando as mesmas fontes sujas de energia. Com tanto óleo, gás e metano na cara do gol, quem vai se preocupar com o Protocolo de Kyoto?
De quebra, esse possível novo esplendor dos combustíveis fósseis adia perigosamente a revolução energética que tanto queremos.
A Conferência da Convenção de Clima está a um passo de morrer na paradisíaca praia de Bali e o planeta no limiar de um infernal ponto sem retorno. Pelo jeito vai todo mundo pro buraco agarrado ao fóssil.
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