De bobó

Junho 14th, 2007   (No views )

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Toda casa deveria ter uma boa rede. Varanda também. Naquele balanço molenga, as idéias clareiam, o corpo relaxa e o tempo, vagaroso, chega às raias do infinito. É a pedida certa depois de um estupendo bobó de camarão com arroz de açafrão como o servido generosamente na casa do meu tio Quinho, na Barra. E a rede me recebeu de panos abertos.

Tio Quinho nunca mediu esforços para promover a felicidade geral e irrestrita. No dia anterior, fomos eu, ele e meu pai a Itaboraí onde tem um pequeno terreno numa localidade conhecida como Pacheco. Lá, arrumou um cantinho para Dona Penha, seu marido, filha e netas, que sem a ajuda certamente engrossariam a legião de perdidos na noite suja carioca. Fiquei pasmo de ver a dignidade que teto, terra e solidariedade confere às pessoas. São pobres, mas não miseráveis. Dona Penha, 74 anos, ficou viúva e sem conseguir a tão sonhada aposentadoria, pediu socorro. Levamos duas cestas básicas e papeamos um pouco. Apesar da casa ser diminuta e o mato estar alto, o que mais vi lá foram belos sorrisos, brancos, fortes. Advogado, meu tio prometeu ajudar D. Penha a conseguir a aposentadoria (quiçá até uma bolsa-família) e ainda vai pagar um cara para capinar a área, pra que ela possa plantar feijão, batata, couve.

Saí de lá com a sensação de que o mundo ainda não está totalmente perdido.

Paramos para almoçar num restaurante italiano, o Buonasera, às margens da rodovia BR-101, que fica dentro de um forno de tijolos de uma antiga olaria. O lugar tinha sido abandonado, o atual dono viu, gostou, tomou posse e montou o restaurante. Serviço e comida de primeira.

Seguimos para Campo Grande, visitar um outro tio meu, o Celsinho, que está meio caído, com problemas de saúde e na família. Antes, passamos na casa de um amigo deles dos bons e velhos tempos do bairro, Oswaldo, casado com uma prima de meu pai, a Lia. Papo vai, papo vem, tentamos convencer Celsinho de ir ao Chope da Vila, bar de Campo Grande que tem cerveja artesanal, deliciosos bolinhos de bacalhau, sambas, choros e boleros saindo dos alto-falantes e inúmeras fotos antigas do bairro, como essa abaixo do time local (o grande campusca!) em formação de 1962 - o goleiro é meu pai, que todo orgulhoso recitou o nome dos companheiros ao seu lado. Celsinho não foi. Pena. Foi divertido.

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(o trio de coroas mais arruaceiro de Campo Grande - Jorginho, Quinho e Oswaldo)


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Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Paulo Lima · http://plima.bandolo.net

E aí? Perguntou do Jorge Wilson, o melhor center four que o Campusca já teve…
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Paulo


PermalinkPermalink 15.06.07 @ 13:57



Comentário de: Elen · http://sereianestesia.multiply.com

uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
entrei aqui e to ouvindo roberto carlos nas paradas do sucesso!!!!! hehehehehehe


PermalinkPermalink 18.06.07 @ 05:01



Comentário de: sheila pithan · http://www.mulhercomum.blogspot.com

que legallllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll


PermalinkPermalink 18.06.07 @ 08:40



Comentário de: Lázara · http://Queinveja!!!

O melhor mesmo não foi o bobó, hein!!
Fotos lindas e com seu estilo!!!
Saudades!!


PermalinkPermalink 19.06.07 @ 16:36



Comentário de: escriba · http://www.escriba.org


Obrigado, Lazara!! Saudades também!! bjs!


PermalinkPermalink 20.06.07 @ 13:59



Comentário de: escriba · http://www.escriba.org

Perguntei, Paulo, mas ele nao se lembrava nao… acho que era muito antes do tempo dele no time.


PermalinkPermalink 20.06.07 @ 13:59



Comentário de: Raquel

Esse papo de bobó me deu uma saudade de Cumuru…
Gritos e aplausos para o tio Quinho!!!! Não só pelo bobó, claro, mas pelos esforços para promover a felicidade alheia…
Não, meu amigo, o mundo NÃO ESTÁ PERDIDO!!!!
Besos


PermalinkPermalink 21.06.07 @ 06:33



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