A turminha do Bush Jr. deve estar queimando a mufa pra resolver um intrincado quebra-cabeça geopolítico e econômico. Afinal, quanto mais insistem nessa política beligerante, ameaçando guerra contra o Irã por conta do direito legítimo dos muçulmanos persas de desenvolverem sua tecnologia nuclear - por mais que eu não seja fã dessa tecnologia -, mais empurram o preço do barril do petróleo para as alturas. E assim, favorecem basicamente dois dos principais inimigos dos EUA: Venezuela e Irã, que têm suas economias baseadas justamente no petróleo. Sem falar na irritação extrema que provocam nos consumidores nativos, tradicionais 'beberrões' de gasosa.
Mas nada como uma guerra e seu espetáculo bélico-tecnológico pra distrair a imprensa - que bate tambores há tempos, sente falta de mais um conflito em larga escala pra se divertir - e a opinião pública em geral. A questão é: será que os EUA aguentam mais uma guerra neste momento? Irã não é um Afeganistão ou Iraque, e por isso os americanos decidiram que não invadirão o país, apenas bombardearão. Fácil, não? O problema é o revide.
Muitos, como meu sogro, defendem o ataque americano afirmando que isso impediria o Irã de ter armas nucleares e que a história ensina a agir antes que seja tarde, dando como exemplo o caso de Hitler. Ora, é um absurdo tal comparação, já que o Irã não invadiu país algum - pelo contrário, foi invadido na década de 1980 pelo Iraque então apoiado pelos EUA -, e já disse que abre suas instalações nucleares para a Agência de Energia Atômica para mostrar que sua tecnologia nuclear servirá apenas para a geração de energia, não de armas. O Irã tem a segunda maior reserva de petróleo do planeta (atrás apenas da Arábia Saudita) e usa quase a metade dela para tocar o país. Com a energia nuclear de diversas usinas, os iranianos poderiam depender menos do petróleo e exportar ainda mais, ganhando um bom din-din graças à alta do preço provocada pela carranca americana. Os caras têm o direito de se desenvolver, de crescer e de se tornar uma potência mundial, ora bolas, por que não? Ah, são fundamentalistas religiosos diz meu sogro. Ora, e os neocons que estão na Casa Branca são o que? Engraçado como nós ocidentais somos, né não? Se um país do lado de lá começa a aparecer demais, é tido como risco para nós - foi assim com a China, a Rússia, agora o Irã.
O Irã, assim como o Brasil, está procurando desenvolver sua própria tecnologia de produção de combustível nuclear para não depender de outros países na hora de alimentar suas usinas nucleares e para fazer frente a um futuro em que os combustíveis fósseis serão cada vez mais raros. Infelizmente, se as energias renováveis (biomassa, eólica e solar) não provarem na prática que podem gerar grandes quantidades de energia a preços mais baixos que a nuclear (tem alguma entidade ambientalista por lá fazendo esse trabalho de convencimento, por exemplo? Duvido…), vamos ter q conviver com uma nova era de usinas atômicas. O Irã tomou um passo decisivo nessa direção. Outros o seguirão. Com ou sem guerra.
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