Escutando o Songs of Liberation do Che (Duna Records), voltando pra casa do trabalho, senti hoje falta dos bons e velhos shows de roquenrol (tô falando de roquenrol, não de Barão Vermelho, Los Hermanos e merdas do tipo) que costumava ir tempos atrás, daqueles que a gente sai com os ouvidos zunindo, vai direto pro primeiro boteco esfumaçado e toma todas pra falar do som, da vida, do futuro, do passado, do nada.
É, faz tempo. The Knife corta meus tímpanos pelos fones e me leva aos áureos tempos do Circo Voador, quando ia às cegas, em busca de um bom som, nada programado, chegava lá pra conferir o que rolava, bandas desconhecidas, invariavelmente rolava uma boa surpresa. Pray For Rock, pede Brant Bjork na melhor faixa do disco. Instrumental, a música não traz os bons vocais de Brant, que se concentra nos riffs de guitarra, para não fazer feio ao som que o baixista Dave Dinsmore (ex-Unida) e o batera Alfredo Hernandez (que substituiu Bjork no Kyuss) fazem na cozinha.
Barulho bom, como aquele que curti por diversas vezes num muquifo lá no Catete, TV Pirata se não me engano, lugar pra iniciados, só rolava no boca-a-boca e panfletos distribuídos na naite, acho que ninguém mais lembra disso. Era um sobrado que de dia rolava uma sinuca e à noite juntava uma galera maneira pra assistir videos de roquenrol, preciosidades de Camel, Pink Floyd, Janis, Stones, a programação era variada pacas, um desses vídeos fiz questão de copiar, porra, era um programa de TV da década de 1970 que tinha de tudo, rock, jazz, pop, Led, Stephen Stills (que tá com som novo na praça), Buddy Miles numa versão arrasadora de Texas, Eric Clapton, Dave Brubeck, Modern Jazz, Roland Kirk (aquele maluco que tocava vários instrumentos de sopro ao mesmo tempo), parece que foi gravado na Europa, pelo menos esse é o clima da platéia no estúdio, todos com cara 'blasé' curtindo aquele som de primeira com suas camisas de gola alta e óculos de aro grosso. Já no sobrado do Catete era uma mulambada bêbada, bando de adolescentes maltrapilhos sentados em mesas de bilhar se encharcando de cerveja, fumando de tudo e voltando pra casa a pé.
Com The Day The Pirate Died, chego em casa a tempo de pegar o último capítulo da primeira temporada de Lost. Essa vidinha ainda vai me matar…
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