Eu quero que um dia na praça se faça para sempre, um dia apenas e dure pela eternidade, no banco sentar, pensar, respirar, ver o dia passar, as pessoas sorrirem, cumprirem o trato, acenarem felizes, crianças rolarem, caírem, chorarem, o vagabundo dormir e sonhar? o pássaro passar e ter su'atenção, os olhos soltos por aí, em árvores, galhos, folhas, o caminho a tomar… qualquer um levará, e vou pela praça a andar, a circular, a correr, suar, quero uma praça pela eternidade, para rir, chorar, sonhar, viver, comer, brincar, brincar, brincar, uma praça, só uma praça. Deixar lágrimas na areia e vê-la sugar, molhar, talvez secar, mais uma lágrima, o sorriso a enfeitar, aquele rosto infantil, talvez seja eu a tentar mais uma vez ser o que não sou, ou fui e não sei, andar, andar, parar quando não mais der pra seguir, até onde consigo me atirar no nada e voltar? Até quando? Tenho tempo, ainda, mas sobra menos e menos, dias passam, outra praça virá, outra praça, deixe-me lá quando por ela passar. Só volto agora porque tenho que ir, as lágrimas não secam jamais, o riso é eterno, mais amarelado, e fiel ao sonho de quem jamais teve qualquer vontade de fazer o que já foi feito. As crianças estão lá, vc não está, eu já fui e quero mais uma praça, pra sonhar mentiras que me aproximaram de um abismo, de um por quê sem fim. Não quero voltar, à praça talvez, mas desejo soltar, um nó, sem som, sem dó, a sós, ter enfim, um sonho na praça, e se puder, por lá ficar.
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